Se se sentirem curiosos de como é possível assar farinheiras utilizando nada mais que um blogue e um ecran de computador, mandem-me e-mail. Se souberem mesmo como, mandem-me e-mail na mesma porque eu adoraria descobrir.
Apesar de tudo isto, já alguma vez imaginaram se o 25 de Abril nunca tivesse existido? Vá, pensem bem.
No outro dia estavam umas pessoas na televisão a dizer que o 25 de Abril foi o fim das monarquias, e outras a dizer que foi a independência de Portugal. O que eu proponho é analisar esta situação:
Ora bem, pela lógica, se nunca tivesse acontecido a tão afamada revolução dos cravos, cada vez que nos tivéssemos de dirigir a um superior hierárquico, teríamos que o tratar por vós. Pior, andávamos todos por aí a falar espanhol. Ou marroquino.
Isso sim, seria mau, porque nunca terámos acesso àquela palavra que é tão só nossa, que representa na perfeição o estado de espírito lusitano, e as nossas esperanças num futuro melhor. Estão a ver qual é,não estão? É claro que sim. É a tal. A bela palavra desenrascar.
E se o 25 de Abril nunca tivesse sido, nunca teríamos feriado nesse dia. E estragar um potencial fim-de-semana prolongado é algo chato. Ninguém gosta de ficar sem uma pontezita.
Bom, mas agora gostava de fazer o meu relato pessoal, não da revolução em si, porque nasci uns bons 17 anos depois, mas do meu conhecimento acerca dos factos.
A minha primeira descoberta em relação ao 25 de Abril de 1974 foi na 3ª classe, em que finalmente descobri que os foguetes que se lançavam não era propriamente porque o meu pai fazia anos, era porque alguma coisa se tinha passado nesse dia. Eu lembro-me da minha professora dizer que "Antes do 25 de Abril as pessoas não podiam falar", e disso me constrangir profundamente.
As pessoas antes do 25 de Abril para mim eram surdas mudas. Literalmente. Há coisas que as crianças de 8 anos não percebem completamente, mas pronto, não podiam falar, não podiam falar. Deviam ser estilo aqueles tipos irritantes que pintam a cara de branco e imitam as pessoas.
Outra bela memória da qual me recordo mais ou menos bem foi de a alegra tutora nos informar de que "Antes do 25 de Abril havia guerras", e de eu perguntar "Então e agora?", e um avassalador silêncio se instalar em toda a sala de aulas. A resposta mais concisa foi "Não faças barulho ou levas com a cana".
Digamos que as minhas primeiras experiências com os conceitos de 25 de Abril e de liberdade de expressão foram um bocadinho confusas.
Mas já alguma vez imaginaram o que seria de coisas tão importantes para a nossa identidade cultural, como reality shows, se não se pudesse fazer nem dizer por aí à tonta tudo o que se quisesse?
Onde é que ouviríamos coisas tão belas como "Bardajona!" ou "Ganda porca, andastes foi a meter os palitos ao teu marido!"? Porque estas coisas são poesia meus caros, estas coisas SÃO poesia. E não devem nunca ser ignoradas.
Bem, de qualquer das formas, na minha opinião ainda há muita coisa que se poderia modificar, na medida em que ainda andam por aí muitas coisas que podem comprometer a nossa liberdade pessoal. E se fosse por mim os palmiers recheados iam à vida. Mais nada.