Foi numa suposta pacata viagem ferroviária a Lisboa, juntamente com uns amigos meus, que pude presenciar a existência de algo, na minha opinião, absolutamente avassalador. Meus caros, eu descobri uma linguagem completamente nova: a dos Sr. Picas. Ou Pica-bilhetes, aqueles tipos que picam os bilhetes. É por isso que se chamam Pica-Bilhetes, e não, por exemplo, Come-Suissinhos. Quer dizer, uma coisa não implica a outra, enfim, a ideia é aquela.
Mas afinal que se passa com esses simpáticos funcionários que nos perfuram tão
sanguinária e ferozmente os pobres dos nossos bilhetes de comboio?
Estávamos nós tão bem sentados a ouvir a misteriosa e feminina voz que anuncia as paragens como se tivesse um problema na fala, quando um Sr. Pica se aproxima, e em vez de nos pedir os nossos bilhetes, limita-se a um, e meus amigos, isto é inexplicável:
"Clack Clack"
Ele tinha todo um dicionário recheadíssimo de palavras para escolher. Melhor, tinha uma enciclopédia Larrousse. Mas mesmo assim, para nos pedir os bilhetes limitou-se a não um, mas dois sonoros e onomatopeicos
"Clack Clack"
Vindos da sua lendária máquina de picar bilhetes.
Ao princípio pensei que talvez o senhor sofresse de problemas auditivos. E até me contentava com essa, não fosse um protuberante telemóvel que se encontrava no seu bolso esquerdo do casaco tocar, e o estranho indivíduo o atender.
Ora isto força-me a concluir que eu afinal estava algo enganado, acho eu. Então pus-me a meditar nas várias hipóteses daquela necessidade instintiva de fazer
"Clack Clack"
Com a máquina de picar bilhetes.
A sério, em situações limite como esta, a minha louca cabeça põe-se a pensar em mil e uma coisas, cada uma mais interessante que a outra. E se entenderem interessante como um especial de 5 horas do Natal das Prisões, já me estão a entender.
Primeiro, já imaginaram como seria a comunicação deste senhor em casa, com a família?
"Querida, pus a roupa na máquina."
"João, já fizeste os T.P.C.?"
"Possa, Maria, já te disse para não ouvires a música tão alto!"
Nada disso. O mais parecido que se ouviria seria mais um
"Clack Clack"
Imaginemos agora que o Sr. Pica vai a um café. Em vez de pedir uma sandes de manteiga e fiambre, como qualquer um dos mais comuns dos mortais (a menos que seja como eu e não veja algum sentido em untar um lacticínio em cima do resto do que outrora fora uma perna de mamífero), faria
"Clack Clack"
Ele queria um bagacito, "Oh fáchavore" está completamente fora de questão.
"Clack Clack"
e é se queres.
Será que o dinheiro dele também anda todo picadinho? Era um bocado estranho o Sr. Pica ir ao banco. Ainda o acusavam de cultivar traças para venda ilegal.
Esperem, há quem cultive traças para venda ilegal? Pois, calculo que não. Adiante.
Então e se as traças estiverem em vias de extinção? Podia ser daqueles tipos que se metem nos aviões com ovos de papagaio atados à cintura. Só que em vez de ovos de ave rara, eram ovos de insecto. Hum. Ok, esqueçam.
Mas voltemos à pacata vida do indivíduo em casa. Como é que ele discute? Afinal toda a gente se zanga. No entanto, nem todos devem brigar da mesma maneira. Será que ele fura as cuecas da esposa até ao esfarelamento? Isso até o podia tornar uma versão picadora do Eduardo Mãos-de-tesoura. Em vez de cortar, furava...
Isto, meus caros, é assustador, tremendamente assustador. Acho que o Johnny Depp ia perder uma boa quantidade de fãs.
"Clack Clack"
Ele tinha todo um dicionário recheadíssimo de palavras para escolher. Melhor, tinha uma enciclopédia Larrousse. Mas mesmo assim, para nos pedir os bilhetes limitou-se a não um, mas dois sonoros e onomatopeicos
"Clack Clack"
Vindos da sua lendária máquina de picar bilhetes.
Ao princípio pensei que talvez o senhor sofresse de problemas auditivos. E até me contentava com essa, não fosse um protuberante telemóvel que se encontrava no seu bolso esquerdo do casaco tocar, e o estranho indivíduo o atender.
Ora isto força-me a concluir que eu afinal estava algo enganado, acho eu. Então pus-me a meditar nas várias hipóteses daquela necessidade instintiva de fazer
"Clack Clack"
Com a máquina de picar bilhetes.
A sério, em situações limite como esta, a minha louca cabeça põe-se a pensar em mil e uma coisas, cada uma mais interessante que a outra. E se entenderem interessante como um especial de 5 horas do Natal das Prisões, já me estão a entender.
Primeiro, já imaginaram como seria a comunicação deste senhor em casa, com a família?
"Querida, pus a roupa na máquina."
"João, já fizeste os T.P.C.?"
"Possa, Maria, já te disse para não ouvires a música tão alto!"
Nada disso. O mais parecido que se ouviria seria mais um
"Clack Clack"
Imaginemos agora que o Sr. Pica vai a um café. Em vez de pedir uma sandes de manteiga e fiambre, como qualquer um dos mais comuns dos mortais (a menos que seja como eu e não veja algum sentido em untar um lacticínio em cima do resto do que outrora fora uma perna de mamífero), faria
"Clack Clack"
Ele queria um bagacito, "Oh fáchavore" está completamente fora de questão.
"Clack Clack"
e é se queres.
Será que o dinheiro dele também anda todo picadinho? Era um bocado estranho o Sr. Pica ir ao banco. Ainda o acusavam de cultivar traças para venda ilegal.
Esperem, há quem cultive traças para venda ilegal? Pois, calculo que não. Adiante.
Então e se as traças estiverem em vias de extinção? Podia ser daqueles tipos que se metem nos aviões com ovos de papagaio atados à cintura. Só que em vez de ovos de ave rara, eram ovos de insecto. Hum. Ok, esqueçam.
Mas voltemos à pacata vida do indivíduo em casa. Como é que ele discute? Afinal toda a gente se zanga. No entanto, nem todos devem brigar da mesma maneira. Será que ele fura as cuecas da esposa até ao esfarelamento? Isso até o podia tornar uma versão picadora do Eduardo Mãos-de-tesoura. Em vez de cortar, furava...
Isto, meus caros, é assustador, tremendamente assustador. Acho que o Johnny Depp ia perder uma boa quantidade de fãs.
Bem, para contrariar, há que notar que no relato da minha viagem, o Sr. Pica atendeu o telemóvel. Ele afinal sabe falar, acho. Se calhar usa é essa maravilhosa linguagem, a que eu tão pertinentemente apelidei de Clackês, numa situação em que ambos os interlocutores não se conhecem muito bem.
Sr. Pica #1: "Ah, com este já clacko há cinco meses, já é da minha confiança. Vou-lhe dizer olá!"
Sr. Pica #1: "Então colega, como vai isso? Dê cá um bacalhau!"
Sr. Pica #2:"Clack Clack"
"Bolas, este não quer nada comigo!"- Deve indagar o Sr. Pica #1. Mas, alas, vinga-se!
Sr. Pica #1: "Clack Clack"? Há 20 semanas a levar com a sua cara todos os dias e você só me sabe fazer "Clack Clack"? Sua ingrata! Só gostava é que soubesse que a sua mulher anda a fazer clacks ao prédio inteiro!"
Ainda bem que só oiço o Sr. Pica a falar Clackês, nem imagino o que seria do Universo conhecido se esta intrigante linguagem não existisse, e se estas misteriosas conversas fossem trazidas para o quotidiano dos viajantes ferroviários! Por isso, a próxima vez que entrarem num comboio, dêem graças a Deus pela invenção da máquina de picar bilhetes.
Clack Clack
Sr. Pica #2:"Clack Clack"
"Bolas, este não quer nada comigo!"- Deve indagar o Sr. Pica #1. Mas, alas, vinga-se!
Sr. Pica #1: "Clack Clack"? Há 20 semanas a levar com a sua cara todos os dias e você só me sabe fazer "Clack Clack"? Sua ingrata! Só gostava é que soubesse que a sua mulher anda a fazer clacks ao prédio inteiro!"
Ainda bem que só oiço o Sr. Pica a falar Clackês, nem imagino o que seria do Universo conhecido se esta intrigante linguagem não existisse, e se estas misteriosas conversas fossem trazidas para o quotidiano dos viajantes ferroviários! Por isso, a próxima vez que entrarem num comboio, dêem graças a Deus pela invenção da máquina de picar bilhetes.
Clack Clack
1 comentário:
david es mm de mais nao tenhu palavras pa dxkrever km me parti a rir ..ainda gora to a colar os bocados a sério o clack clack ta de mais e akredita meu amigu é mto comum lol....poe mais cenas destas
ass:o anónimo vital
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