terça-feira, agosto 16, 2005
Intelectualidade II
Estou também rodeado de miúdos com brincos à Cristiano Ronaldo.
De repente, entra uma senhora que diz: "Bom dia."
Eis que oiço do fundo da sala : "Mordia?!"
Isto foi um poema tornado realidade.
quarta-feira, agosto 10, 2005
Surf's up
Como? Passo a explicar, tomando como referência três anos anteriores ao corrente. Perdão pelos possíveis anacronismos, mas estou mais para pensar em miúdas do que andar aí a lembrar-me de datas.
Enquanto há uns tempos era fashion ler a Playboy, agora é fashion ver os Morangos com Açúcar. Enquanto o auge do sexy era uma mulher de 30 anos, agora o auge do sexy é uma mulher de 12.
Enquanto nação somos peritos nisso. É só mostrar, mas entender, está quietinho.
terça-feira, agosto 09, 2005
Quanto é que você vale?
O que não consigo entender é como é que as pessoas podem ser comparadas por um numerozinho com tanta facilidade. Faz-me confusão, é só percentagens, e tem tudo medo de se esclarecer. Querem coisa mais sem graça?
Já imaginaram se este sistema escolar se aplicasse às coisinhas mais comezinhas do dia a dia?
-Olhe queria uma mine e um pires de tremoços, se faz favor.
-Ai agora é assim, quero e dão-me? Ó amigo, quanto é que teve a Introdução aos Estudos Teologais para a Consciencialização da Ingestão de Imperiais e Tremoços?
-É o quê pá?
-É pá se não concluiu essa cadeira, 'tá feito. Qual foi a sua média do secundário?
-Hã?
-Pois, multiplica-a por 45%, adiciona 32% da nota da específica, mais 16% pelo comportamento, 9% pelos trabalhos de grupo e desconta 2% para o IRS. Se for superior ou igual a 12,3... olhe, tente a taberna rasca mais próxima.
Se é que ainda há coisa estúpidas com mais graça neste planeta, há coisas estúpidas com menos graça que sobram. Até pensar que uma nota faz uma pessoa melhor do que a outra, com mais carisma ou assim. Se calhar o Tino de Rans teve melhor média do que o Fernando Pessoa. É comparar o sucesso dum e do outro em Portugal...
Mas as médias não são só um sinal de popularidade hoje em dia. Elas são um autêntico marco de autoridade.
-Ó Jéssica Tatiana, vai arrumar o teu quarto.
-Não vou nada. A minha média é superior à tua, por isso arruma-so tu!
-Mas isso não vale, tu não fizeste específicas!
-Mesmo assim não vou.
-Olha que eu pego no chinelo, Jéssica Tatiana.
-Pegas pegas. Com essa nota a Biologia, vê lá se me tocas.
O mundo está condenado.
Sim, já perceberam que este meu post é um bocadinho menos uma aleatória dissertação disparatada e um bocadinho mais uma traumatizada dissertação disparatada. É que eu candidatei-me ao ensino superior há uns dias e nunca pensei que o processo fosse tão doloroso. Mais doloroso, quiçá, do que ver o Preço Certo em Euros com uma enxaqueca de se rebentaram as têmporas, e ter na mão um exemplar de sado-masoquismo para principiantes.
É que eu ainda não percebi muito bem o que fiz, só sei que mexi em papéis, escrevi o meu nome algures e pintei umas bolihas com números lá dentro.
Esperem...
Mexer em papéis?
Escrever o nome algures?
Pintar bolinhas com números lá dentro?
Não, eu acho que não me candidatei ao ensino pré-primário. Foi ao superior, não foi?
Este mundo está cada vez mais louco. Ou sou eu que estou cada vez mais são. Ou então nem por isso, anda tudo trocado.
terça-feira, agosto 02, 2005
Momento da citação subjectiva
I see their knavery: this is to make an ass of me; to fright me, if they could. But I will not stir from this place, do what they can: I will walk up and down here, and I will sing, that they shall hear I am not afraid.
quinta-feira, julho 28, 2005
Avistam-me?
É o colete retro-reflector pendurado no assento do condutor.
Hum, esperem, a parte do retro é um bocado assustadora. Não é que a coisa seja dos anos 60, apesar de o fazer lembrar.Também não é que eles tenham luzinhas ao pé do rabo, certo?
Explicação:
Ainda se sentem tão orgulhosos? Ah pois.
Bem, mas voltando ao inevitável tema dos coletes do medo®... para já tenho que dizer que a sua utilização é útil, principalmente durante a noite. No entanto, são para utilizar à noite. Só à noite. Quando está escuro. Não é de dia, porque de dia até o próprio Pierce Brosnan com um colete do medo® pode-se parecer um pouco menos com o James Bond e um pouco mais com o Zé Toino dos Frangos. E nem me falem dos encontros com este tipo de viaturas. Já imaginaram como será uma simples operação STOP agora que 78,54% da população portugesa aderiu à moda do belo do nylon sobre o assento?
Polícia: "Bom dia sr. condutor, os seus documentos, fáchavore"
Condutor devidamente equipado: "Com certeza sr. guarda. Quer ver o colete reflector?"
Polícia: "Não será necessário. Já reparei que o possui pendurado no seu assento, no do passageiro e no de trás, atado à volta de uma boneca insuflável."
Condutor devidamente equipado:"Pois, mas repare, eu visto-o! Eu visto-o!"
Polícia: "Ó meu amigo não é preciso!"
Condutor devidamente equipado:"É é! Olhe eu a vesti-lo! Olhe! Agora eu todo nú só com o colete vestido, hã?! Agora sim, cumpro a lei!"
Lá está. Agora toda a gente cumpre a lei. Já não há bandidos. Será que estar completamente alcoolizado é menos grave do que não ter colete do medo®? Ou melhor, mostrar que tem vários coletes do medo®? Meu Deus, vão acabar com as campanhas de sensibilização sobre acidentes rodoviários e vão começar com campanhas de uma espécie de El Corte Inglês para venderem coletes feitos pelos mais variados estilistas. O modelo Fátima Lopes com certeza só deve tapar a carrapeta dos mamilos. É melhor no Verão.
Outra coisa que deu grande polémica foi a confusão de cores, marcas e feitios antes da lei ser posta em prática. Afinal, um colete dos chineses não é permitido porquê? Digam-me! É porque diz made in China? Mas qual é a peça de roupa portuguesa que não diz made in China? Será assim tão pior que as bandeiras nacionais co pagodes? Acho mesmo que vamos ter de andar todos nus só com os coletes. Isto para estarmos devidamente assinalados.
Apesar de tudo, a presença de uma enorme intelectualidade nesta indumentária é indiscutível: acho que há qualquer coisa fascinante no... não direi pimba, direi antes aportuguesadamente kitsch, que é para não me chamarem excessivamente crítico. Afinal de contas, usar um colete do medo® é negar a sensualidade de cada um de nós: quem é que pode parecer minimamente estiloso com tal saiote saído de um episódio de Os Malucos Do Riso ao peito? Ninguém. Nem mesmo a Jessica Alba. Ok, talvez haja excepções. Foi para isso mesmo que as regras foram feitas. Quanto a mim, por enquanto prefiro um colete reflector normalzinho a um desaustinado colete do medo®! Livra!
The million dollar question
Que animal come com as patas?
1-O cão
2-O pato
3-O gato
A minha resposta?
Mesmo com aquele com, há uma certa brejeirice latente que interrompe um bocado o raciocínio. Estamos aqui estamos a fazer piadas sobre concursos de televisão.
Hum, esperem... ups, acho que já cheguei a esse nível.
Também, com tanta questão já posta, o que hão-de inventar eles a seguir?
Qual das seguintes frases pode figurar numa edição do jornal 24 Horas?
1-Anda cá, qu'as mama-sas!
2-Come over here, that you'll boobies them!
3-Dirige-te ao local onde me encontro neste preciso momento, que eu vou usar os meus dotes para a violência física contra a tua pessoa.
quinta-feira, junho 30, 2005
Como uma virgem (salvo seja)
O que eu tenho vindo a reparar é que este sentimento é impressão nossa. Quantos de nós ainda caem no erro de pensar que tais coisas só existem na nossa língua, na pátria de Fernando Pessoa? Ou que lá porque uma música é cantada em inglês, é mais profunda? Desenganem-se, que eu desta venho desmistificar de uma vez por todas o segredo da música ligeira.
Vamos a exemplos?
Vamos a exemplos:
No outro dia estava eu a estudar pacificamente Biologia, quando oiço este grande êxito daquele não menos conceituado José Malhoa, vindo da telefonia do meu vizinho:
E todo a malta gritou,
E até o padre ajudou,
"Aperta, aperta com ela!"...
Execrável, no mínimo, não parece? Mas isto é só ao princípio. Ora interpretemos isto em inglês:
And all the people shouted,
And even the priest helped,
"Squeaze, Squeaze her tight!"
Já fica mais profundo. Vamos agora estabeçecer um paralelismo entre esta música de José Malhoa e vejamos... a de Madonna. Eu sinceramente acho que estes dois artistas têm muita coisa em comum, já que Malhoa e Madonna começam com a mesma letra. M. Lá está. Alguns dos versos de Music são como se seguem:
Hey Mr. DJ put a record on
I wanna dance with my baby
And when the music starts
I never wanna stop,
It's gonna drive me crazy
Music, makes the people come together, yeah!
Music, mix the bourgeoisie and the rebel!
A-a-a-acid rock!
Que na língua de Camões fica qualquer coisa do género:
Hey, sr. D.J. põe lá um disco
Eu quero dançar com o meu bebé
E quando a música começar
Eu nunca quero parar,
Vai-me pôr doida
Música, faz a malta ajuntar-se, sim!
Música, mistura a burguesia e o rebelde!
P-p-p-pedra ácida!
Eu confesso que até admiro uma artista como a Madonna. Agora o que eu nunca faria era aconselhá-la a cantar em português. É que por estes lados, se as pessoas vêem alguém a dizer que pretende dançar com o seu bebé, comentam. E as pessoas de cá são muito linguarudas.
Admito também que a parte da pedra ácida é um bocadinho rebuscada, mas era para dar mais ênfase à questão. O que sinceramente não consigo assimilar é a concepção da hierarquia social aqui presente. Só há burguesia, e depois o rebelde.
Reparem que na cantiga de José Malhoa temos quatro figuras fulcrais: a malta, o padre, "ela" que tem de ser apertada, e o sujeito lírico. Em Music só temos a burguesia e o rebelde. O bebé e o DJ também existem, mas esses não contam porque não interessam na luta de classes.
Mas se queremos aprofundar ainda mais as diferenças, há que ter em conta os versos seguintes de Aperta, aperta com ela:
A banda sempre a tocar
O povo todo a bailar
Aperta aperta com ela
Fantástico. A banda aparece aqui como que uma revelação e o povo já baila, enquanto o "eu" aperta. Eu gosto destas músicas narrativas, a pessoa está ali parece que a ouvir contar uma história, se bem que me parece um bocadinho surreal. Há coisas que não fazem muito sentido, mas provavelmente devem sê-lo assim.
Nós apertámos os dois
Então aí é que foi
Aperta aperta com ela
Amor, amor pois então
Começou nossa paixão
Nesse baile de verão
E aqui está. Esta é uma das mais significativas produções musicais no âmbito da lírica portuguesa, e a meu ver transmite-nos mensagens tão inesquecíveis como o padre que "ajudou". Não sabemos bem o quê, nem como, mas o padre ajudou.
José Malhoa não está a insinuar que era tão tanso que teve que ser o pároco da sua localidade a encorajá-lo a fazer-se à moça, certo?
Eu espero que não, por isso é melhor fazer que não entendo que o padre não ajudou. Deu uma dica, pronto.
Agora, meus senhores e minhas senhoras, Ashlee Simpson:
You can dress me up in diamonds
You can dress me up in dirt
You can throw me like a line-man
I like it better when it hurts
Oh, I have waited here for you
I have waited...
You make me wanna la la
in the kitchen on the floor
I'll be a french maid
Where I'll meet you at the door
I'm like an alley cat
Drink the milk up, I want more
You make me wanna
You make me wanna scream
Em inglês já se faz ideia, mas vejamos como fica em português. E quando digo português não digo português versão miúdas com menos de 16 anos que possuem photoblogs. Mas falarei disso noutra altura.
Tu podes-me vestir em diamantes
Tu podes-me vestir em sujidade
Tu podes-me atirar como uma coisa
Eu gosto mais quando aleija
Oh, eu esperei aqui por ti
Eu esperei...
Tu fazes-me querer lá lá
Na cozinha, no chão,
Eu serei uma empregada francesa
Onde te vou encontrar à porta
Sou como uma gata vadia
Bebo o leito, quero mais
Tu fazes-me querer gritar
Pois é, mas ver a irmão mais nova de Jessica Simpson a querer fazer lá lá é no mínimo supreendente. E confesso que me agrada a ideia da gata vadia: é... arrojada. Acho que me vou tornar fã de Ashlee Simpson.
De qualquer das formas, após a análise destes pequenos excertos de algumas músicas que se podem ouvir no quotidiano, posso concluir que o povo português é extramamente previsível: não estou a ser, nem quero ser anti-patriótico, mas não sei se já repararam que nós temos um comportamento igualzinho não só nos sons que ouvimos, mas também na roupa que vestimos, na comida que compramos, nos detergentes que usamos, e até nos amigos com quem andamos. Roda tudo à volta do invólucro, quando na realidade é exactamente a mesma coisa por dentro.
Quero dizer, com os amigos já é um bocadinho diferente.
Mas na pornografia não, por exemplo.
A pornografia é um ramo artístico em que eu acho que as discriminações mais se aplicam. Afinal, porque é que Giovana, a colegial, é melhor que Sheyla, a garota gulosona? Hã?
É porque a última, por ser gulosa, deve ser obesa? Isto tem que se interpretar tudo no seu contexto, não pode ser assim.
Depois deste desesperado momento de esquizofrenia sexual, acabo assim este post sobre música. Tudo a ver, não acham?
Este blogue está cada vez mais enriquecedor. Começa-se com José Malhoa, acaba-se com ídolos do Sexy Hot. Até era capaz de continuar, mas é melhor parar, que isto já vai muito à frente.
Concluindo, cada vez que ouvirem uma musiquinha, seja ela ligeira, seja ela pop, atentem na letra. Poderão encontrar mensagens úteis para a vida. Eu aprendi a apertar com ela.
...
Meu Deus, falar em apertar com ela no fim de se falar de sexo, já é abusivo, no mínimo. Over and out.
sábado, junho 25, 2005
Há palavras que não deviam desaparecer
É verdade, tenho repararado que há palavras que estão a deixar de ser ouvidas nos nossos dias, e esta cruel ostracização, no meu mais sincero ponto de vista, é profundamente injusta.
Muito boa coisinha nunca seria o que é se não fossem as palavras que lhe deram origem. Origem essa como a palara "arrebentar". Por esta razão, depois de algumas semanas de pesquisa em vários dialectos (alguns mais etnografídicos que outros), consegui encontrar verdadeiros tesouros da língua portuguesa. E, meus poucochinhos leitores, aproveito este glorioso momento para vos pedir, melhor, para vos implorar, que não deixem nunca morrer estas expressões.
Podemos começar com uma palavra que eu gosto muito.Eu gosto muito de muitas palavras, mas esta é muito bonita, é a palavra carrapeta.
A própria sonoridade de carrapeta é mágica: é que a tudo o que seja menor que um cotonete podemos chamar isto com a maior das descontracções.
Exemplo 1:(este dito por uma simpática etnografídea da minha turma)
"No outro dia gamaram as carrapetas das jantes do carro do meu namorado!"
Exemplo 2:
"Bem tentei consertar a lâmpada, mas tinha a carrapeta estragada.
"Não queres dizer o casquilho?"
"Pois... isso. A carrapeta, prontos."
O pior é que na actualidade muito pouca gente monopoliza. Quero dizer, monopoliza, só que eu pelo menos só o faço quando preciso, ou seja, quando estou a jogar ao jogo que se chama Monopólio. E não é todos os dias, nem todas as pessoas estão dispostas a isso, já que eu acho que é preciso muita falta de amor próprio para se deixar representar em jogo por coisas como um ferro de engomar, uma bengala, ou um outro brinde do bolo rei. Eu pelo menos não estou.
Construir um império económico inteirinho por puro açambarcamento não deve ser pêra doce.
Muito provavelmente devem-se estar a questionar como raio me vou eu lembrar destas expressões. E eu digo-vos. É fácil. Não precisei assim de tanta investigação: eu vejo o "Fiel ou Infiel".
Carrapeta. Cá está. E é assim, cabe-nos a nós, e a alguém com sotaque abrasileirado, perpetuar estes conjuntos fonéticos que tanto nos identificam. Mai' nada!
terça-feira, maio 24, 2005
O Guia Essencial Para A Piada Fácil, ou Silêncio Avassalador Para Totós
Meus leitores-alvo e não-alvo, que melhor maneira de entreter um serão aborrecido a ver o "Preço Certo em Euros", do que um conjunto de concisas e bem apimentadas piadas fáceis?
A piada fácil (piadis facilis) ou piada seca (piadis secus) é um conceito que já predomina desde o começo da História da Humanidade. Muito provavelmente, começou a ficar uma coisa popular quando o então imperador romano, Caio Júlio César, se lembrou de contar uma história jocosa entre um escravo e um elefante a dançarem num vomitorium. A resposta não se demorou, e aliás, é por isso mesmo que conhecemos César como o imperador morto à traição com uma faca espetadinha no meio das costas.
Contudo, a grande expansão da piada fácil é devida ao exponencial desenvolvimento humano durante o século XX, que facilitou também o surgimento de pseudo-elitistas que tinham a mania de inventar “piadas difíceis”, adoptando este neologismo ainda considerado incorrecto. Esta distinção, cujos limites confesso desconhecer em exactidão, muito provavelmente deu-se quando se começaram a fazer piadas sobre supositórios (grandioso tema de piadas fáceis) e sobre o livro “Memorial do Convento”, de José Saramago (grandioso tema de piadas difíceis).
Qualquer piada seca divide-se em quatro partes, ou momentos discursivos, lógicos:
1º- O tradicional “Oiçam lá esta!";
2º- A explicação propriamente dita;
3º- O riso forçado por parte do narrador, normalmente uma gargalhada vaga tipo “AHAH!”;
E finalmente, o momento discursivo crucial, que marca só por si o centro de toda a piada fácil. Sim, meus senhores, é o memorável
4º- Silêncio Avassalador.
A parte mais importante, ou melhor, o objectivo da piada fácil é o silêncio avassalador. Não há momento triste que não presencie um, e maneiras de lá chegar não faltam.
Devirtem-se!
O médico diz para o paciente: “Então ó meu amigo, o que é que lhe dói?”
Diz o paciente. “Ó s’outor, nada!”
Ao que responde o médico: “Nada?! Ah, quem nada não se afoga!”
“Como é que se chama um gato?”
“Não se chama, chamam-no!”
“Quanto é que é uma lâmpada mais outra?”
“Duas!”
“Não, uma iluminação dupla!”
Um homem vai ao talho e pergunta:
“Desculpa, tem orelha de porco?”
Ao que o homem do talho responde: “Não, você é que parece ter, com esse brinco gay!”
“O que é que um peixe diz para o outro?”
“Estou apeixonado por ti!”
Ok, chega de suplício, ou ainda tenho que pagar uma indemnização ao Blogger por violar um espaço cibernético com comentários desrespeitadores e profundamente perturbantes.
Esta sim, criou um silêncio avassalador, não criou? Mission Accomplished.
quinta-feira, maio 19, 2005
The Cat Killer!
Anda por aí alguém que vos quer matar!
Anda por aí alguém que vos quer maltratar!
Anda por aí alguém que vos quer drogar!
E esse alguém tem menos de metro e meio!
Acontece que há uns dias atrás tive a oportunidade de conhecer o alter ego perturbador de uma rapariga da minha turma, que, segundo a mesma,
"Os gatos vadios é daqueles animais que a gente podemos fazer coisas."
Estávamos todos em mais uma alegra aula de Matemática, quando, no meio da aula, se ouve algo tão relacionado com a representação geométrica dos números imaginários no plano de Argand como:
"No outro dia apareceu-me lá um gato vadio e eu envenenei-o. Foi bué da
fixe."
Pelos vistos, um inocente gatinho andava esperançado de encontrar algum conforto na casa daquela humana. Mas o que encontrou foi algo muito longe do humano: deparou-se em frente de uma autêntica maníaca, que o fez engolir uma cápsula inteira de Nolotil pela goela abaixo. Eu ainda acho que ela lhe deu aquilo pela via oral. Nem quero pensar se ela se atreveu a inserir o medicamento pela outra extremidade. É arrepiante apenas a consideração.
O efeito do Nolotil não foi muito tardio: passados 2 minutos, "assim que aquilo lhe caiu na língua", o mamífero começou a babar-se que nem eu a ver uma miúda gira.
"no meio das vinhas, aquilo devia lá ter cobras..."
Muito sucintamente...
Quem é que neste mundo se lembra de drogar um gato a soltá-lo no meio do matagal? Quem, meu Deus, quem?!
Isto é uma vergonha, isto é um escândalo, isto são uns desavergonhados. Normalmente aqueles medicamentos usam-se para tirar as dores. Nas PESSOAS. O Nolotil é para tirar as dores nas pessoas. Agora drogar o pobre de um animal com analgésico para o pós-operatório?! Isto pensa-se? É um crime hediondo.
"o gato 'tava a sangrar pela pilota, e tomates, nicles"
segunda-feira, maio 16, 2005
Intelectualidade
O bacalhau quer alho.
É o melhor tempero.
Quem comer alho
Fica rijo como um pêro.
E depois ainda dizem mal dos nossos poetas.
sábado, maio 07, 2005
Top 5 das coisas mais tristes
A razão é que eu vou aqui deixar, pela primeira vez, um Top 5 dos seres com a vida mais triste deste mundo. Sim, eu sei, nos tempos que correm não são poucos, há bastantes candidatos a esta lista maravilhosa.
Mas as selecções são isso mesmo. E se os americanos conseguem fazer coisas como invadir países só por causa do petróleo, os americanos que são americanos, então eu sou capaz de fazer um Top 5 das criaturas mais tristes à face da Terra. Olaré.
Aqui estão:
Em 5º Lugar: O SUPOSITÓRIO
Este é um clássico. Qualquer piada fácil terá sempre que acrescentar o conceito de supositório. Logo aí a vida deste é triste. Mas para sermos mais analíticos, há que reparar que este objecto sofre que se farta.
Começa-se logo pelo sítio por onde entra. Supostamente é para ajudar o nosso sistema imunitário, só que a sua recepção não é propriamente a mais arejada nem a mais luxuosa.
Eu, se fosse um sistema imunitário, recusava terminantemente toda e qualquer ajuda que viesse... por ali. É gozar com a cara de qualquer organismo vivo. Não há outras maneiras? As injecções servem para quê?
A própria forma do supositório é mesmo para nos irritar. Sim, aquilo tem a forma de um foguetãozinho como que se nos estivesse sempre a lembrar onde o devemos pôr. É um autêntico ultraje.
Em 4º Lugar: OS TORNOZELOS DO COME-AS TODAS
O Come-as Todas é um ser já bastante infeliz de si mesmo, mas os seus tornozelos são os que mais sofrem. A pergunta é óbvia:
Mas porquê?
Porque não há dia, faça chuva, faça sol, faça lusco-fusco, que aqueles tornozelos etnografídicos não estejam cobertos com umas fluorescentes e repimpantes meias brancas. E isso é bastante chocante. Principalmente quando essas mesmas meias exibem aquele típico brasão das duas raquetes de ténis cruzadas, de cor encarnada, para combinar com os seus sapatos castanhos escuros. Eu ainda estou para pesquisar a verdadeira fonte genesíaca daquele símbolo tão tradicional.
Em 3º Lugar: O CAPITÃO IGLO
Resolvi colocar esta personagem no Top porque o Capitão Iglo é um autêntico vencido da vida.
Tenho que confessar que em pequeno era um daqueles miúdos que acreditava que o Capitão Iglo nunca morria. Mais do que acreditar que a súbita e frequente mudança de aspecto do alegre capitão era totalmente aleatória e impressão minha, era uma convicção. Agora que penso nisso, é um bocado sem lógica nenhuma, mas pronto.
Eu penso que o Capitão Iglo é um infeliz porque, se para o mundo dos douradinhos ele era capitão, para o resto do mundo nunca passou de uma imagem publicitária. E isso é angustiante. Afinal de contas andou ali um tipo a dar a cara e a trabalhar no duro durante anos a fio e nem uma medalhazita. Pensam que manter a paz no mundo dos congelados é fácil? Acham que travar o conflito entre as ervilhas e as batatas pré-fritas é a mesma coisa que ir ali à esquina e voltar? Não, meus amigos, não, e tanto trabalho que teve o grande Capitão Iglo que nem na marinha deve ter sido alistado. Por isso merece estar no Top 5 dos seres mais infelizes, em 3º lugar.
Em 2º lugar: OS FILÓSOFOS EXISTENCIALISTAS
Esta, apesar de tudo, é um bocado óbiva. O existencialismo é uma corrente de pensamento que basicamente, é para quem não tem mais nada em que pensar.
Isto porque para mim, os filósofos existencialistas são grandes intelectuais, só que são grandes intelectuais com uma grande falta de sexo. Como é que eu sei estas coisas?
Tomemos o Jean-Paul Sartre, por exemplo. Era um grande pensador, mas se repararem com alguma atenção em alguma foto deste verdadeiro galã, ele tinha um olho virado para Coruche e outro virado para Santarém, e isso não devia ser propriamente sexy. Ora o que é que o nosso amigo faz?
"-Olha, deixa eu cá pensar na angústia que é ter condicionantes impostas no rumo da minha vida. Não me vou revoltar com o facto de as miúdas não olharem para mim, não senhora. Vou-me antes revoltar com o conceito de Deus, e com a eterna e insuperável impotência do Homem aquando comparado às leis que regem todo o Universo. Bolas."
E pronto, têm um filósofo existencialista. No fundo, tudo o que eles querem é sexo. Dêm sexo aos filósofos existencialistas. Enquanto não dão, estes ficam com o 2º lugar do Top 5 dos seres com a existência mai'triste. Perceberam, existência? Hum, esqueçam, piada fácil.
E em primeiríssimo lugar....
O BONECO DO MULTIBANCO
Este é defintivamente a criatura com a vida, se é que a tem, mais angustiante e encarcerada de todas.
O boneco do multibanco vive num pequeno ecrã, e é obrigado a apresentar-se sempre com um sorriso na sua boca 2-D. "Por favor introduza o seu cartão", "Por favor digite o seu código", "Por favor seleccione a quantia que pretende levantar." O boneco do multibanco é um escravo. Faz tudo o que lhe mandam fazer e nem resmunga, não ganhando absolutamente nada em troca. Quando a máquina está encravada, lá é obrigado a fazer uma cara tristemente enternecedora. E sofre em silêncio.
Apesar de tudo, o que choca mais nisto é o facto de, se ele adivinhasse que em cada quarteirão há uma personagem igual a ele, sem tirar nem pôr, ainda ficaria mais deprimido.
E porque raio é que não há nenhum sindicato para os bonecos do multibanco? Eles não merecem? É que ainda por cima nem direito a reforma devem ter. Em vez de descansar, são postos na Reciclagem do Windows.
Isto é um apelo, meu leitor: trate os bonecos dos multibancos com jeitinho, pergunte pela mulher e filhos, se é que ele os pode ter, a próxima vez que quiser consultar o seu saldo.
E pronto, assim acaba o Top 5 das criaturas mais infelizes deste mundo. Se quiserem um Top 5 das criaturas mais felizes, é fácil, são eles em primeiro lugar ex-aequo:
- O tipo que anda com a Christina Aguilera;
- O tipo que anda com a Paris Hilton;
- O tipo que anda com a Lindsay Lohan;
- O tipo que anda com a Lucy Liu;
- O tipo que anda com as gémeas Olsen.
Façam os vossos Tops! É sempre giro. Ou nem por isso. Sejam é felizes!
quarta-feira, abril 27, 2005
É o fim das monarquias!
Se se sentirem curiosos de como é possível assar farinheiras utilizando nada mais que um blogue e um ecran de computador, mandem-me e-mail. Se souberem mesmo como, mandem-me e-mail na mesma porque eu adoraria descobrir.
Apesar de tudo isto, já alguma vez imaginaram se o 25 de Abril nunca tivesse existido? Vá, pensem bem.
No outro dia estavam umas pessoas na televisão a dizer que o 25 de Abril foi o fim das monarquias, e outras a dizer que foi a independência de Portugal. O que eu proponho é analisar esta situação:
Ora bem, pela lógica, se nunca tivesse acontecido a tão afamada revolução dos cravos, cada vez que nos tivéssemos de dirigir a um superior hierárquico, teríamos que o tratar por vós. Pior, andávamos todos por aí a falar espanhol. Ou marroquino.
Isso sim, seria mau, porque nunca terámos acesso àquela palavra que é tão só nossa, que representa na perfeição o estado de espírito lusitano, e as nossas esperanças num futuro melhor. Estão a ver qual é,não estão? É claro que sim. É a tal. A bela palavra desenrascar.
E se o 25 de Abril nunca tivesse sido, nunca teríamos feriado nesse dia. E estragar um potencial fim-de-semana prolongado é algo chato. Ninguém gosta de ficar sem uma pontezita.
Bom, mas agora gostava de fazer o meu relato pessoal, não da revolução em si, porque nasci uns bons 17 anos depois, mas do meu conhecimento acerca dos factos.
A minha primeira descoberta em relação ao 25 de Abril de 1974 foi na 3ª classe, em que finalmente descobri que os foguetes que se lançavam não era propriamente porque o meu pai fazia anos, era porque alguma coisa se tinha passado nesse dia. Eu lembro-me da minha professora dizer que "Antes do 25 de Abril as pessoas não podiam falar", e disso me constrangir profundamente.
As pessoas antes do 25 de Abril para mim eram surdas mudas. Literalmente. Há coisas que as crianças de 8 anos não percebem completamente, mas pronto, não podiam falar, não podiam falar. Deviam ser estilo aqueles tipos irritantes que pintam a cara de branco e imitam as pessoas.
Outra bela memória da qual me recordo mais ou menos bem foi de a alegra tutora nos informar de que "Antes do 25 de Abril havia guerras", e de eu perguntar "Então e agora?", e um avassalador silêncio se instalar em toda a sala de aulas. A resposta mais concisa foi "Não faças barulho ou levas com a cana".
Digamos que as minhas primeiras experiências com os conceitos de 25 de Abril e de liberdade de expressão foram um bocadinho confusas.
Mas já alguma vez imaginaram o que seria de coisas tão importantes para a nossa identidade cultural, como reality shows, se não se pudesse fazer nem dizer por aí à tonta tudo o que se quisesse?
Onde é que ouviríamos coisas tão belas como "Bardajona!" ou "Ganda porca, andastes foi a meter os palitos ao teu marido!"? Porque estas coisas são poesia meus caros, estas coisas SÃO poesia. E não devem nunca ser ignoradas.
Bem, de qualquer das formas, na minha opinião ainda há muita coisa que se poderia modificar, na medida em que ainda andam por aí muitas coisas que podem comprometer a nossa liberdade pessoal. E se fosse por mim os palmiers recheados iam à vida. Mais nada.
sábado, abril 09, 2005
Filosofia útil
Qual é o sentido disso?
É precisamente por não haver nexo nenhum em observar aleatoriamente estendais de roupa, que eu mesmo vou esclarecer mais esta disparatada tese. Afinal, acho que qualquer mortal se questiona, a dado ponto da sua vida, qual será a verdadeira essência de um par de cuecas de tamanho XXL viradas do avesso a ondular ao vento, qual bandeira nacionalista.
Primeiro, há que conhecer o modelo típico, voltado para a rua. Eis as características mais comuns:
1º - Um par de meias brancas. A meia branca é quase um símbolo nacional, senão mesmo um padrão de identidade. Qualquer estendal que se preze necessita de pelo menos uma meia. É um bem incontornável;
2º - As belas das cuecas "Extra Extra Large", de homem ou senhora. Se estiverem seguradas por uma mola amarela e outra azul ainda melhor. Dá mais cor;
3º - Um chachecol de um clube de futebol. Pode nem estar molhado. Pode até mesmo lá estar só para a figura, mas há que mostrar as preferências em tudo na vida;
4º- Um peluche, uma corrente de bicicleta, um bocado de mangueira, qualquer coisa assim. É curioso, mas encontramos sempre as coisas mais impensáveis pelas varandas das ruas fora;
5º- Um avental com letras a dizer : "GOSTO DE SEXO".
Este cinco componentes combinados produzem efeitos inigualáveis. E eu acho que aquilo é uma espécie de código Morse. Só que do estilo roupa interior.
Esta analogia foi algo infeliz, não foi? Estes são pensamentos um bocadinho para o infelizes. Mas eu tenho que os escrever. É a vida.
A minha teoria é, como já repararam, que nós podemos retirar as mais belas mensagens através dos estendais de roupa. Algumas roçam o poético, outras nem por isso. Já me atrevi a imaginar se se aplicasse todo o universo "estendalense" à linguagem do dia a dia. É curioso, o que seria das bases militares?
"- Alfa 1, Alfa 1, daqui Águia Prenha. Têm cueca cor-de-rosa para aterrar. Repito, Alfa 1, têm cueca cor-de-rosa para aterrar. Over"
E da política?
"- Boa noite. O excelentíssimo senhor primeiro ministro autorizou os planos meia rota e cinta apertada. Daquela loja que vende iogurtes e detergentes ao virar da esquina."
Hum, não me parece. Muito sinceramente, não me parece.
Quer-se dizer, no fundo, no fundo, isto não é uma crítica aos estendais de lado algum. Até porque os estendais de roupa personalizam sempre as casas por fora, e mostram o que está por dentro. A menos que se faça tuning de estendais, e aí a ideia torna-se assustadora, e entramos num campo de estética algo complicado. Começarmos a ver luzinhas de néon roxas a piscar no meio de soutiens é realmente perturbante.
De qualquer das formas, se na próxima vez que, ao andarem na rua, repararem nesta pièce de resistance da arte de pendurar roupa algo molhada, pensem no que podem significar umas ceroulas estendidas. Nunca se sabe até que ponto se pode retirar conselhos que possam ser úteis para o resto da vida. E para o resto do minuto também.
Ah pois!
Não, não foi apalpar o rabo da Britney Spears. Foi quase tão bom quanto isso.
Acontece que fui ver o espectáculo ao vivo do Gato Fedorento. E adivinhem o quê.
O Quê?
Calma, primeiro, vou falar do espectáculo propriamente dito: estava muito bom mesmo. Quase tão bom como o rabo da Britney Spears (O que é que querem, agora que pensei nisso a ideia não me sai da cabeça! Bolas!). Devo dizer que a capacidade de improvisação daqueles tipos é inigualável, e que qualquer um dos seus sketches ao vivo é fantástico. E tinham umas bailarinas jeitosas, o que ajudava. Contando com a filha do produtor e tudo.
Quando o espectáculo acabou, fui à caça de autógrafos, e claro, aproveitei para zucrinar (que é uma palavra bem bonita) as cabeças deles, para visitarem o meu blog. Afinal, "eles são os meus fãs"!
Aqui ficam os depoimentos:
Ah, e tal!
domingo, março 13, 2005
30 por uma linha... vamos pensar...
Trinta por uma linha.
Querem provas? Alguma vez ouviram falar de "thirty for one line", ou "trente par une ligne"? Não. Claro que não, ó pessoal. Não faz sentido, é estilo estarmos em casa sozinhos, mas fechar a porta da casa de banho para se ir mudar a água às azeitonas. Há coisas que não fazem sentido e esta expressão é definitivamente uma delas. Quanto mais não fosse num restaurante chinês, mas também tlinta pol uma linha não é coisa comum de se ouvir, penso eu.
Mesmo assim, eu, que fabricar teorias é a minha especialidade, atrevo-me (e meus leitores, isto é inédito) a explicar todo o processo e todo o conceito deste mundo que é o trinta por uma linha.
Primeiro... de onde vem? Qual a sua origem?
Não me venham historiadores nem estudiosos dizer mentiras: eu penso que das duas uma: ou surgiu em tempos pré-históricos, ou então emergiu com o aparecimento da música pimba.
Porquê? Qualquer uma das hipóteses é válida porque nas duas há a frase "Eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha". Só que numa é por questões de sobrevivência, e na outra é porque o Quim Barreiros parece estar estranhamente fixado nos seios de um mamífero. Isto é lógico. E coiso.
O segundo porquê poderá ser definitivamente a razão do número trinta.
Progenitora em pânico: "-Olha, o Joãzinho partiu a sala toda! Fez 30 por uma linha!"
Outra pessoa: "-3o por uma linha. Tens a certeza?
Progenitora em pânico: "-Tenho."
Outra pessoa: "-Não terá sido antes 23 por uma linha?"
Progenitora em pânico: "-Não, foi 30. Trinta por uma linha. É o que consta no artigo 16º de 05/2003. Se fosse 23 estaria de acordo com os dados do artigo 7º de 04/1997."
Outra pessoa: "-...Ok."
E é a mais pura das verdades.
Ok, só que... trinta por uma linha... DE QUÊ?
Esperem...
O talhante toma drogas pesadas?
Esta visão é aterrradora. E a pergunta no mínimo inquietante.
Já agora, alguma vez imaginaram um próximo blockbuster americano com a celebrizada frase?
"-Oh Mary!"
"-Oh John!"
"-Oh Mary, I've done thirty for one line just to be with you!"
"-Oh John... you've done thirty for one line... of what?"
Wait...
Does John take heavy drugs?
Conclusão: Há que manter uma extrema precaução com o trinta por uma linha. Se não tivermos cuidado, garanto-vos, a maldita expressão irá dominar a nossa civilização. E tudo acabará suspeito de tomar drogas pesadas. Ou isso ou acusado de ver demasiados realitty shows.
Coidade, coidade!
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
Uma bela noite em Braga
E peculiar porquê?
Eram cerca das 10 horas da noite quando andávamos perdidos que nem aqueles tipos que vendem Bíblias de porta em porta. Andávamos, andávamos, desesperados por aconchego. Oh para nós.
E o que vimos passada meia hora a caminhar desesperadamente por uma cidade nortenha?
Uma discoteca.
Gosto desta palavra, vou repetir:
Discoteca.
Ok, já chega.
Era um night-club chamado Populum. Populum esse que estava com dezenas de pessoas à porta, desertinhas por entrar.
Desertinhas por entrar numa discoteca às 10 e meia da noite.
E nós : “’Tá bem.”. E lá entrámos.
Dez belos Euros foram gastos na entrada. Mas acho que a senhora que lá estava me confundiu com o Rei de Portugal, porque quando eu lhe perguntei se podia levar umas serpentinas que estavam em cima do balcão, ela respondeu-me “Podeis levar à vontade”.
Tratou-me por vós. Isso sim, é respeitinho.
Havia uma velhota da minha rua que me dizia que eu de perfil podia ser facilmente confundido com o D. Afonso Henriques. Pelos vistos tinha razão.
A simpatia dos empregados lá era evidente, porque para me servirem uma Coca-Cola apenas tive que esperar 45 minutos. Achei a empregada que me serviu ligeiramente matulona, e algo horrorosa, mas ignorei, porque nos estávamos todos a divertir, e porque ver a professora Marie a sambar loucamente não tinha preço.
Eram para aí 1 e 20 da manhã quando o DJ, mascarado a qualquer coisa que não sei bem identificar, começa a passar O-Zone. Ora quem lê o meu Blog sabe muito bem a minha opinião acerca destes… artistas. Bem, adiante.
E o que aparece ao som de Despre Tine, ao mesmo tempo que a pista de dança se enche de luzinhas e flashes de todas as cores?
Duas bailarinas vestidas de coelhinhas, feias como o pecado, e gordinhas que nem chibos.
E nós : “’Tá bem.”.
E eis quem acompanha as duas meninas? Um daqueles tipos bem musculados e oleosos, com a bela da tanga verde-alface-fluorescente.
No entanto, começámos lentamente a apercebermo-nos de como o ambiente na discoteca se estava a começar a transformar.
Primeiro, na minha opinião, para uma média, havia demasiados homens vestidos de mulher por metro quadrado, mesmo para uma noite de Carnaval.
Segundo, começámos a olhar para os tipos que dançavam na pista. Tipos esses que se roçavam uns nos outros, e que se começaram a roçar em nós.
E nós : “Já não ‘tá bem.”.
Digamos que o ambiente se começou a tornar... de sexualidade algo questionável. Mas não ficou por aqui. Não senhor. Qual não é o meu espanto, quando reparo que a rapariga feiosa que me tinha servido a Coca-Cola era… um homem. De saia travada.
Os homens portugueses tomam drogas pesadas?
Assustados, resolvemos então mudar de pista. Acto infrutífero, porque o outro lado ainda estava pior. E não esquecendo o facto da rapariga que tentou agarrar a Madalena, lá nos fomos embora. Isto tudo ao som de músicas moderníssimas como Tou nem aí e e êxitos de 1999 dos Safri Duo.
Eram 3 e meia da manhã quando finalmente nos demos por vencidos, e abandonámos tal sítio. Ao princípio era para fazermos um juramento de sangue para que nunca ninguém soubesse os horrores que residiam naquele espaço de lazer. Mas não resistimos, e no dia seguinte descosemo-nos. Até porque no fundo, divertimo-nos, convivemos, e passámos um bom bocado todos juntos. No bom sentido é claro, que é que já estão a pensar? Vamos lá ver vamos...
Preço de Entrada no Populum: 10€
Lata de Coca-Cola: 1€
Ver o Come-as Todas todo contente a dançar no meio de homossexuais: Priceless
segunda-feira, janeiro 24, 2005
O "Come-as Todas"
-"Oh David, põe mas é uma descrição como deve ser de um exemplo de Etnografídeo."
Choviam e-mails. E SMS’s.
Ok, não chovia nada.
Mas que me pediram, pediram, bolas.
Meus amigos, e que maior exemplar do verdadeiro
espírito Etnografídico que o célebre "Come-as
Todas"?
Ora bem...
O Come-as Todas é um tipo. Mas não é qualquer tipo. No outro dia sugeriram-me uma palavra que eu acho que lhe assenta que nem uma luva. O Come-as Todas é um Etnossexual.
Agora perguntam vocês: O que será um Etnossexual?
Claro que isto tem tudo a ver com o conceito inicial de Etnografídeo, mas aliado ao engate, estão a imaginar?
Um Etnossexual caracteriza-se pelo facto de ser um Etnografídeo convictíssimo, mas que no caso do Come-as Todas, leva os seus ideiais a um extremo. Estilo terrorista.
Sim, terrorista. Aquilo mete medo. E está sempre disposto a mostrar ao mundo o que são os seus notáveis bailharicos.
Para este espécime, nada é mais romântico e infalível que um bom poema SMS foleiro (Se não sabem a que me refiro, leiam o post de 21 de Outubro de 2004). Quadras que não envolvam "Amor amo-te muito e amar-te-ei como me amarás com todo o amor" caem estendidas no chão, porque definitivamente não são próprias para mandar às miúdas. Tem de ser qualquer coisa que faça reminiscência às origens, qualquer coisa deste tipo:
Vi lá o mê c'nhado
Amor, amor regateiro
É teu bigode mal depilado.
Madalena: (Vira-se para trás) "-O quê?!"
C.T.: "- Já viste algum strip-tease?"
Madalena: "-Desculpa?!"
C.T.: "-Ah, e tal, era para ver se tu fazias um aqui para o pessoal, na próxima visita de estudo, que era para a gente ópois montarmos o bailharico."
...
(Silêncio avassalador)
Foi uma conversa interessante de se ouvir, foi.
Não há hipótese. É tiro e queda. Aprendam que ele não dura sempre. E viva a Etnossexualidade!
segunda-feira, janeiro 10, 2005
...E Mais Algum!
Meus amigos, a próxima vez que gravarem um CD com as vossas músicas, tenham cuidado. Eu digo isto porque, antes de darem um nome ao trabalho discográfico, e que tal pensar-se em como se chama? Não, não o CD, o próprio artista. O tipo que canta. Ou tenta.
Quer dizer, é melhor não se preocuparem. Não sigam o meu conselho. É que assim eu nunca encontraria esta… coisa… na biblioteca da escola. Crédito para o António Pedro.
Amélia Muge… Todos os Dias?
Mas será mesmo Todos os Dias? A Amélia também faz Sábados, Domingos e Feriados? Grande mulher. E quem muge assim, perdão, canta assim, não é gago!
sexta-feira, janeiro 07, 2005
O Seu Bilhete, Se Faz Favor
Mas afinal que se passa com esses simpáticos funcionários que nos perfuram tão
sanguinária e ferozmente os pobres dos nossos bilhetes de comboio?
"Clack Clack"
Ele tinha todo um dicionário recheadíssimo de palavras para escolher. Melhor, tinha uma enciclopédia Larrousse. Mas mesmo assim, para nos pedir os bilhetes limitou-se a não um, mas dois sonoros e onomatopeicos
"Clack Clack"
Vindos da sua lendária máquina de picar bilhetes.
Ao princípio pensei que talvez o senhor sofresse de problemas auditivos. E até me contentava com essa, não fosse um protuberante telemóvel que se encontrava no seu bolso esquerdo do casaco tocar, e o estranho indivíduo o atender.
Ora isto força-me a concluir que eu afinal estava algo enganado, acho eu. Então pus-me a meditar nas várias hipóteses daquela necessidade instintiva de fazer
"Clack Clack"
Com a máquina de picar bilhetes.
A sério, em situações limite como esta, a minha louca cabeça põe-se a pensar em mil e uma coisas, cada uma mais interessante que a outra. E se entenderem interessante como um especial de 5 horas do Natal das Prisões, já me estão a entender.
Primeiro, já imaginaram como seria a comunicação deste senhor em casa, com a família?
"Querida, pus a roupa na máquina."
"João, já fizeste os T.P.C.?"
"Possa, Maria, já te disse para não ouvires a música tão alto!"
Nada disso. O mais parecido que se ouviria seria mais um
"Clack Clack"
Imaginemos agora que o Sr. Pica vai a um café. Em vez de pedir uma sandes de manteiga e fiambre, como qualquer um dos mais comuns dos mortais (a menos que seja como eu e não veja algum sentido em untar um lacticínio em cima do resto do que outrora fora uma perna de mamífero), faria
"Clack Clack"
Ele queria um bagacito, "Oh fáchavore" está completamente fora de questão.
"Clack Clack"
e é se queres.
Será que o dinheiro dele também anda todo picadinho? Era um bocado estranho o Sr. Pica ir ao banco. Ainda o acusavam de cultivar traças para venda ilegal.
Esperem, há quem cultive traças para venda ilegal? Pois, calculo que não. Adiante.
Então e se as traças estiverem em vias de extinção? Podia ser daqueles tipos que se metem nos aviões com ovos de papagaio atados à cintura. Só que em vez de ovos de ave rara, eram ovos de insecto. Hum. Ok, esqueçam.
Mas voltemos à pacata vida do indivíduo em casa. Como é que ele discute? Afinal toda a gente se zanga. No entanto, nem todos devem brigar da mesma maneira. Será que ele fura as cuecas da esposa até ao esfarelamento? Isso até o podia tornar uma versão picadora do Eduardo Mãos-de-tesoura. Em vez de cortar, furava...
Isto, meus caros, é assustador, tremendamente assustador. Acho que o Johnny Depp ia perder uma boa quantidade de fãs.
Bem, para contrariar, há que notar que no relato da minha viagem, o Sr. Pica atendeu o telemóvel. Ele afinal sabe falar, acho. Se calhar usa é essa maravilhosa linguagem, a que eu tão pertinentemente apelidei de Clackês, numa situação em que ambos os interlocutores não se conhecem muito bem.
Sr. Pica #1: "Ah, com este já clacko há cinco meses, já é da minha confiança. Vou-lhe dizer olá!"
Sr. Pica #2:"Clack Clack"
"Bolas, este não quer nada comigo!"- Deve indagar o Sr. Pica #1. Mas, alas, vinga-se!
Sr. Pica #1: "Clack Clack"? Há 20 semanas a levar com a sua cara todos os dias e você só me sabe fazer "Clack Clack"? Sua ingrata! Só gostava é que soubesse que a sua mulher anda a fazer clacks ao prédio inteiro!"
Ainda bem que só oiço o Sr. Pica a falar Clackês, nem imagino o que seria do Universo conhecido se esta intrigante linguagem não existisse, e se estas misteriosas conversas fossem trazidas para o quotidiano dos viajantes ferroviários! Por isso, a próxima vez que entrarem num comboio, dêem graças a Deus pela invenção da máquina de picar bilhetes.
Clack Clack