Venho por este meio expressar o meu mais profundo sentimento de defesa para com alguns dos vocábulos que, infelizmente, se encontram em sérias vias de extinção. Ou nem por isso.
É verdade, tenho repararado que há palavras que estão a deixar de ser ouvidas nos nossos dias, e esta cruel ostracização, no meu mais sincero ponto de vista, é profundamente injusta.
Muito boa coisinha nunca seria o que é se não fossem as palavras que lhe deram origem. Origem essa como a palara "arrebentar". Por esta razão, depois de algumas semanas de pesquisa em vários dialectos (alguns mais etnografídicos que outros), consegui encontrar verdadeiros tesouros da língua portuguesa. E, meus poucochinhos leitores, aproveito este glorioso momento para vos pedir, melhor, para vos implorar, que não deixem nunca morrer estas expressões.
Podemos começar com uma palavra que eu gosto muito.Eu gosto muito de muitas palavras, mas esta é muito bonita, é a palavra carrapeta.
A própria sonoridade de carrapeta é mágica: é que a tudo o que seja menor que um cotonete podemos chamar isto com a maior das descontracções.
Exemplo 1:(este dito por uma simpática etnografídea da minha turma)
"No outro dia gamaram as carrapetas das jantes do carro do meu namorado!"
Exemplo 2:
"Bem tentei consertar a lâmpada, mas tinha a carrapeta estragada.
"Não queres dizer o casquilho?"
"Pois... isso. A carrapeta, prontos."
É verdade, tenho repararado que há palavras que estão a deixar de ser ouvidas nos nossos dias, e esta cruel ostracização, no meu mais sincero ponto de vista, é profundamente injusta.
Muito boa coisinha nunca seria o que é se não fossem as palavras que lhe deram origem. Origem essa como a palara "arrebentar". Por esta razão, depois de algumas semanas de pesquisa em vários dialectos (alguns mais etnografídicos que outros), consegui encontrar verdadeiros tesouros da língua portuguesa. E, meus poucochinhos leitores, aproveito este glorioso momento para vos pedir, melhor, para vos implorar, que não deixem nunca morrer estas expressões.
Podemos começar com uma palavra que eu gosto muito.Eu gosto muito de muitas palavras, mas esta é muito bonita, é a palavra carrapeta.
A própria sonoridade de carrapeta é mágica: é que a tudo o que seja menor que um cotonete podemos chamar isto com a maior das descontracções.
Exemplo 1:(este dito por uma simpática etnografídea da minha turma)
"No outro dia gamaram as carrapetas das jantes do carro do meu namorado!"
Exemplo 2:
"Bem tentei consertar a lâmpada, mas tinha a carrapeta estragada.
"Não queres dizer o casquilho?"
"Pois... isso. A carrapeta, prontos."
Temos também a expressão açambarcar, que é uma coisa linda.
De acordo com o dicionário, esta alegre palavrinha significa acumular mercadorias em grande quantidade para provocar a sua falta no mercado e vendê-las depois por preço elevado. Monopolizar, digam antes.
O pior é que na actualidade muito pouca gente monopoliza. Quero dizer, monopoliza, só que eu pelo menos só o faço quando preciso, ou seja, quando estou a jogar ao jogo que se chama Monopólio. E não é todos os dias, nem todas as pessoas estão dispostas a isso, já que eu acho que é preciso muita falta de amor próprio para se deixar representar em jogo por coisas como um ferro de engomar, uma bengala, ou um outro brinde do bolo rei. Eu pelo menos não estou.
O pior é que na actualidade muito pouca gente monopoliza. Quero dizer, monopoliza, só que eu pelo menos só o faço quando preciso, ou seja, quando estou a jogar ao jogo que se chama Monopólio. E não é todos os dias, nem todas as pessoas estão dispostas a isso, já que eu acho que é preciso muita falta de amor próprio para se deixar representar em jogo por coisas como um ferro de engomar, uma bengala, ou um outro brinde do bolo rei. Eu pelo menos não estou.
Agora imaginemos que açambarcar começa também a significar coçar as partes baixas. Acredito que a partir deste momento muitos grandes empresários começem a falar de açambarcar à séria e que muitas das multinacionais já o façam com todo o orgulho.
Construir um império económico inteirinho por puro açambarcamento não deve ser pêra doce.
Construir um império económico inteirinho por puro açambarcamento não deve ser pêra doce.
Arrebita e bardajona são dois termos engraçados, e que na minha opinião não se podem separar. Se uma pessoa diz a palavra arrebita numa frase, 99,98% das hipóteses indicam que, mais tarde ou mais cedo, vai usar a palavra bardajona. É fatal como o destino.
Exemplo:
"Aquela modelo arrebita bastante, pena é ser tão bardajona."
Muito provavelmente devem-se estar a questionar como raio me vou eu lembrar destas expressões. E eu digo-vos. É fácil. Não precisei assim de tanta investigação: eu vejo o "Fiel ou Infiel".
É que neste "pograma" as pessoas falam como se ouvia no tempo em que a revista Gina ainda era famosa. Para dizer a verdade, eu acho que os grandes estudiosos da gramática não devem dormir nas Sextas-feiras à noite, tão desertinhos que devem estar para ouvir novas construções, e assistir a uma verdadeira ressurreição de palavras nunca mais ouvidas.
É que são verdadeiras cataratas de insultos uns a seguir aos outros. Para comprovar a fonte de toda a minha inspiração, deixo aqui um excerto do discurso de um suposto namorado traído.
Exemplo:
"Olha para aquilo! Olha para aquilo! Bardajona! Porcalhona! Queres é que to apalpem!Arrebita-so pouco, arrebitas! Queres é mexerem-te nas mamas! Olha! Eia! Eu tas digo ó minha vaca leiteira, eu tas digo! Olha, já está só a mostrar a carrapeta ao outro! Porca!"
Carrapeta. Cá está. E é assim, cabe-nos a nós, e a alguém com sotaque abrasileirado, perpetuar estes conjuntos fonéticos que tanto nos identificam. Mai' nada!
1 comentário:
Realmente Portugal tá cada vez melhor...nota-se k é um país de gente culta...são capazes de viajar até às raízes mais remotas da lingua e dizer coisas realmente fascinantes...pelo menos arranjavam alguém k falasse decentemente em situaxoes críticas....deixa la ixo....keep it up, Chris :) (I mean, Davis)
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