Os meus agradáveis tempos passados na praia a olhar bifas com seus olhos lânguidos e desejosos pelo meu toque sensual estão-me a dar a conhecer inúmeras reflexões vindas do fundo de mim mesmo. Começo sinceramente a pensar que o povo português conhece a moda. Aliás, o povo português é perito numa moda : a moda de só haver UMA única moda.
Como? Passo a explicar, tomando como referência três anos anteriores ao corrente. Perdão pelos possíveis anacronismos, mas estou mais para pensar em miúdas do que andar aí a lembrar-me de datas.
Como? Passo a explicar, tomando como referência três anos anteriores ao corrente. Perdão pelos possíveis anacronismos, mas estou mais para pensar em miúdas do que andar aí a lembrar-me de datas.
2000 - A moda dos telemóveis
Toda a gente tinha que ter um telemóvel. Quanto mais avançado melhor. Ao longo do tempo as coisas foram arrefecendo, e hoje em dia comprar um bem high-tech começa a roçar o etnografídico. Mesmo assim, a posse deste objecto é indispensável para se engatar e para ser ser assaltado na linha de Sintra.
Conclusão: está in falar ao telemóvel mas está out andar com muitas luzinhas no bolso.
2002 - A moda da Palestina (e salvem Timor!)
Tudo de lencinho ao xadrez, lembram-se? Hoje em dia quem o ainda usa é da Juventude Comunista Portuguesa ou então é bombista suicida.
As vigílias para a independência de Timor-Leste também ficaram muito em voga. Digo isto porque mal os tipos ficaram livres foram esquecidos.
Conclusão: está in lutar pela independência de quem sofre mas está out gostar de países do terceiro mundo.
2004 - A moda do patriotismo
O povo todo numa euforia do Euro resolveu aderir à colocação da nossa bandeira em todos os locais, algumas com uma certa influência oriental. Exaltar a pátria nunca fez mal a ninguém, menos aos americanos mas esses são as personagens do costume. O pior foi o súbito desaparecimento de tudo o que era orgulho nacional.
Conclusão: está in gostar de Portugal mas está out gostar de Portugal.
E agora em 2005, presenciamos algo avassalador: a revolta da criançada.
Enquanto há uns tempos era fashion ler a Playboy, agora é fashion ver os Morangos com Açúcar. Enquanto o auge do sexy era uma mulher de 30 anos, agora o auge do sexy é uma mulher de 12.
Enquanto há uns tempos era fashion ler a Playboy, agora é fashion ver os Morangos com Açúcar. Enquanto o auge do sexy era uma mulher de 30 anos, agora o auge do sexy é uma mulher de 12.
E enquanto o raggae, o surf e o bodyboard eram para quem verdadeiramente gostava e entendia o espírto, agora é para o povo todo, só para a figura. Será que vamos testemunhar, à semelhança do chamado desporto-rei, o aparecimento de cromos do surf?
Enganam-se aqueles que pensam que eu defendo um gosto pessoal, é verdade que aprecio esse tipo de desporto e também a música, mas como mero leigo, apenas e só. Porque quando se gosta verdadeiramente de uma coisa, tem que se perceber o que ela significa. E hoje em dia, mostrar uma prancha ou uns pés de pato tem tanto simbolismo como mostrar o relógio novo que se comprou que é tão giro e depois de amanhã compro outro que vai ser melhor.
Enquanto nação somos peritos nisso. É só mostrar, mas entender, está quietinho.
Enquanto nação somos peritos nisso. É só mostrar, mas entender, está quietinho.
Conclusão: Sou um bocado crítico, não sou? Pelo menos percebo isso, e mais não digo.
Sem comentários:
Enviar um comentário