quarta-feira, abril 27, 2005

É o fim das monarquias!

Como não podia deixar de ser, após mais umas celebrações do lendário 25 de Abril, tinha que aparecer mais uma igualmente lendária teoria.
Afinal é para isso mesmo que os blogues existem: é para escrever, dar ar de pseudo-intelectualóide quando na rua se disser: "Eu tenho um blogue", e para assar farinheiras. Sim, é verdade.
Se se sentirem curiosos de como é possível assar farinheiras utilizando nada mais que um blogue e um ecran de computador, mandem-me e-mail. Se souberem mesmo como, mandem-me e-mail na mesma porque eu adoraria descobrir.

Apesar de tudo isto, já alguma vez imaginaram se o 25 de Abril nunca tivesse existido? Vá, pensem bem.
No outro dia estavam umas pessoas na televisão a dizer que o 25 de Abril foi o fim das monarquias, e outras a dizer que foi a independência de Portugal. O que eu proponho é analisar esta situação:

Ora bem, pela lógica, se nunca tivesse acontecido a tão afamada revolução dos cravos, cada vez que nos tivéssemos de dirigir a um superior hierárquico, teríamos que o tratar por vós. Pior, andávamos todos por aí a falar espanhol. Ou marroquino.

Isso sim, seria mau, porque nunca terámos acesso àquela palavra que é tão só nossa, que representa na perfeição o estado de espírito lusitano, e as nossas esperanças num futuro melhor. Estão a ver qual é,não estão? É claro que sim. É a tal. A bela palavra desenrascar.

E se o 25 de Abril nunca tivesse sido, nunca teríamos feriado nesse dia. E estragar um potencial fim-de-semana prolongado é algo chato. Ninguém gosta de ficar sem uma pontezita.

Bom, mas agora gostava de fazer o meu relato pessoal, não da revolução em si, porque nasci uns bons 17 anos depois, mas do meu conhecimento acerca dos factos.
A minha primeira descoberta em relação ao 25 de Abril de 1974 foi na 3ª classe, em que finalmente descobri que os foguetes que se lançavam não era propriamente porque o meu pai fazia anos, era porque alguma coisa se tinha passado nesse dia. Eu lembro-me da minha professora dizer que "Antes do 25 de Abril as pessoas não podiam falar", e disso me constrangir profundamente.
As pessoas antes do 25 de Abril para mim eram surdas mudas. Literalmente. Há coisas que as crianças de 8 anos não percebem completamente, mas pronto, não podiam falar, não podiam falar. Deviam ser estilo aqueles tipos irritantes que pintam a cara de branco e imitam as pessoas.
Outra bela memória da qual me recordo mais ou menos bem foi de a alegra tutora nos informar de que "Antes do 25 de Abril havia guerras", e de eu perguntar "Então e agora?", e um avassalador silêncio se instalar em toda a sala de aulas. A resposta mais concisa foi "Não faças barulho ou levas com a cana".
Digamos que as minhas primeiras experiências com os conceitos de 25 de Abril e de liberdade de expressão foram um bocadinho confusas.

Mas já alguma vez imaginaram o que seria de coisas tão importantes para a nossa identidade cultural, como reality shows, se não se pudesse fazer nem dizer por aí à tonta tudo o que se quisesse?
Onde é que ouviríamos coisas tão belas como "Bardajona!" ou "Ganda porca, andastes foi a meter os palitos ao teu marido!"? Porque estas coisas são poesia meus caros, estas coisas SÃO poesia. E não devem nunca ser ignoradas.
E porque é que dizem que a censura acabou se não se pode fazer sexo louco em público? Se fosse feito por miúdas giras, eu e mais grande parte da população masculina deste país agradecíamos. Se isto não acontece ainda temos censura. É a vida.

Bem, de qualquer das formas, na minha opinião ainda há muita coisa que se poderia modificar, na medida em que ainda andam por aí muitas coisas que podem comprometer a nossa liberdade pessoal. E se fosse por mim os palmiers recheados iam à vida. Mais nada.

sábado, abril 09, 2005

Filosofia útil

Para qualquer um de nós, a mais insignificante das coisas pode conter uma grande mensagem. Há quem ache que a Natureza pode transmitir grandes ensinamentos. No meu caso, apesar da Natureza ter uma boa parte da minha reflexão interior (ou nem por isso), penso que consigo sempre entender ali qualquer coisa no que toca a coisas como estendais de roupa voltados para a rua. Mas primeiro vamos reflectir:

Qual é o sentido disso?


É precisamente por não haver nexo nenhum em observar aleatoriamente estendais de roupa, que eu mesmo vou esclarecer mais esta disparatada tese. Afinal, acho que qualquer mortal se questiona, a dado ponto da sua vida, qual será a verdadeira essência de um par de cuecas de tamanho XXL viradas do avesso a ondular ao vento, qual bandeira nacionalista.
Primeiro, há que conhecer o modelo típico, voltado para a rua. Eis as características mais comuns:

1º - Um par de meias brancas. A meia branca é quase um símbolo nacional, senão mesmo um padrão de identidade. Qualquer estendal que se preze necessita de pelo menos uma meia. É um bem incontornável;
2º - As belas das cuecas "Extra Extra Large", de homem ou senhora. Se estiverem seguradas por uma mola amarela e outra azul ainda melhor. Dá mais cor;
3º - Um chachecol de um clube de futebol. Pode nem estar molhado. Pode até mesmo lá estar só para a figura, mas há que mostrar as preferências em tudo na vida;
4º- Um peluche, uma corrente de bicicleta, um bocado de mangueira, qualquer coisa assim. É curioso, mas encontramos sempre as coisas mais impensáveis pelas varandas das ruas fora;
5º- Um avental com letras a dizer : "GOSTO DE SEXO".

Este cinco componentes combinados produzem efeitos inigualáveis. E eu acho que aquilo é uma espécie de código Morse. Só que do estilo roupa interior.


Esta analogia foi algo infeliz, não foi? Estes são pensamentos um bocadinho para o infelizes. Mas eu tenho que os escrever. É a vida.
A minha teoria é, como já repararam, que nós podemos retirar as mais belas mensagens através dos estendais de roupa. Algumas roçam o poético, outras nem por isso. Já me atrevi a imaginar se se aplicasse todo o universo "estendalense" à linguagem do dia a dia. É curioso, o que seria das bases militares?

"- Alfa 1, Alfa 1, daqui Águia Prenha. Têm cueca cor-de-rosa para aterrar. Repito, Alfa 1, têm cueca cor-de-rosa para aterrar. Over"

E da política?

"- Boa noite. O excelentíssimo senhor primeiro ministro autorizou os planos meia rota e cinta apertada. Daquela loja que vende iogurtes e detergentes ao virar da esquina."

Hum, não me parece. Muito sinceramente, não me parece.
Quer-se dizer, no fundo, no fundo, isto não é uma crítica aos estendais de lado algum. Até porque os estendais de roupa personalizam sempre as casas por fora, e mostram o que está por dentro. A menos que se faça tuning de estendais, e aí a ideia torna-se assustadora, e entramos num campo de estética algo complicado. Começarmos a ver luzinhas de néon roxas a piscar no meio de soutiens é realmente perturbante.

De qualquer das formas, se na próxima vez que, ao andarem na rua, repararem nesta pièce de resistance da arte de pendurar roupa algo molhada, pensem no que podem significar umas ceroulas estendidas. Nunca se sabe até que ponto se pode retirar conselhos que possam ser úteis para o resto da vida. E para o resto do minuto também.
Isto sim é filosofia útil.

Ah pois!

Ontem, dia 8 de Abril, tive uma oportunidade única.
Não, não foi apalpar o rabo da Britney Spears. Foi quase tão bom quanto isso.
Acontece que fui ver o espectáculo ao vivo do Gato Fedorento. E adivinhem o quê.

O Quê?


Calma, primeiro, vou falar do espectáculo propriamente dito: estava muito bom mesmo. Quase tão bom como o rabo da Britney Spears (O que é que querem, agora que pensei nisso a ideia não me sai da cabeça! Bolas!). Devo dizer que a capacidade de improvisação daqueles tipos é inigualável, e que qualquer um dos seus sketches ao vivo é fantástico. E tinham umas bailarinas jeitosas, o que ajudava. Contando com a filha do produtor e tudo.

Quando o espectáculo acabou, fui à caça de autógrafos, e claro, aproveitei para zucrinar (que é uma palavra bem bonita) as cabeças deles, para visitarem o meu blog. Afinal, "eles são os meus fãs"!

Aqui ficam os depoimentos:






Ah, e tal!

domingo, março 13, 2005

30 por uma linha... vamos pensar...

Sempre me meteu muita confusão a frequência e a descontracção com que a maior parte das pessoas utiliza uma expressão que na minha opinião é no mínimo... duvidosa.
Mas que raio de força sobrenatural deve mover a população, nomeadamente a que fala português, a dizer...
Trinta por uma linha.
É que não se vê mesmo em mais lado nenhum. Só em Portugal.
Querem provas? Alguma vez ouviram falar de "thirty for one line", ou "trente par une ligne"? Não. Claro que não, ó pessoal. Não faz sentido, é estilo estarmos em casa sozinhos, mas fechar a porta da casa de banho para se ir mudar a água às azeitonas. Há coisas que não fazem sentido e esta expressão é definitivamente uma delas. Quanto mais não fosse num restaurante chinês, mas também tlinta pol uma linha não é coisa comum de se ouvir, penso eu.

Mesmo assim, eu, que fabricar teorias é a minha especialidade, atrevo-me (e meus leitores, isto é inédito) a explicar todo o processo e todo o conceito deste mundo que é o trinta por uma linha.

Primeiro... de onde vem? Qual a sua origem?
Não me venham historiadores nem estudiosos dizer mentiras: eu penso que das duas uma: ou surgiu em tempos pré-históricos, ou então emergiu com o aparecimento da música pimba.
Porquê? Qualquer uma das hipóteses é válida porque nas duas há a frase "Eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha". Só que numa é por questões de sobrevivência, e na outra é porque o Quim Barreiros parece estar estranhamente fixado nos seios de um mamífero. Isto é lógico. E coiso.

O segundo porquê poderá ser definitivamente a razão do número trinta.
Podia ser 567 por uma linha. Podia ser 45 por uma linha. Mas NÃO. O próprio 31 está reservado para quando acontece uma grande confusão. É 30 por uma linha, e não há mais hipótese. Será que eles burocratizaram a expressão no Registo Civil?
Vamos supor um diálogo:
Progenitora em pânico: "-Olha, o Joãzinho partiu a sala toda! Fez 30 por uma linha!"
Outra pessoa: "-3o por uma linha. Tens a certeza?
Progenitora em pânico: "-Tenho."
Outra pessoa: "-Não terá sido antes 23 por uma linha?"
Progenitora em pânico: "-Não, foi 30. Trinta por uma linha. É o que consta no artigo 16º de 05/2003. Se fosse 23 estaria de acordo com os dados do artigo 7º de 04/1997."
Outra pessoa: "-...Ok."

Ainda por cima trinta por uma linha soa algo a slogan para vender armas automáticas. "Kalashnikov, mata trinta por uma linha!"
Ou a deixa de filme pornográfico:
"Sarona, me faz trinta por uma linha, sua gostosona!"

De qualquer das maneiras, e em qualquer um dos casos, parece permanecer uma questão no ar, que vocês com certeza agora irão pensar:
"-Epá, este tipo é um génio. Dêem-lhe um Pulitzer. Ou o Nobel. Como é que ninguém se lembrou disso?"
E é a mais pura das verdades.
Imaginemos que o talhante lá do supermercado fez trinta por uma linha para amanhar o frango.

Ok, só que... trinta por uma linha... DE QUÊ?
Esperem...

O talhante toma drogas pesadas?
Esta visão é aterrradora. E a pergunta no mínimo inquietante.

Já agora, alguma vez imaginaram um próximo blockbuster americano com a celebrizada frase?
"-Oh Mary!"
"-Oh John!"
"-Oh Mary, I've done thirty for one line just to be with you!"
"-Oh John... you've done thirty for one line... of what?"
Wait...
Does John take heavy drugs?


Conclusão: Há que manter uma extrema precaução com o trinta por uma linha. Se não tivermos cuidado, garanto-vos, a maldita expressão irá dominar a nossa civilização. E tudo acabará suspeito de tomar drogas pesadas. Ou isso ou acusado de ver demasiados realitty shows.

Coidade, coidade!

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Uma bela noite em Braga

De todos os mais esquisitos e recônditos bares que alguma vez visitámos em todo este vasto Portugal, devo dizer que a disco que frequentámos na nossa noite de Carnaval em Braga, dia 7 de Fevereiro de 2005, era no mínimo... peculiar.
E peculiar porquê?

Eram cerca das 10 horas da noite quando andávamos perdidos que nem aqueles tipos que vendem Bíblias de porta em porta. Andávamos, andávamos, desesperados por aconchego. Oh para nós.
E o que vimos passada meia hora a caminhar desesperadamente por uma cidade nortenha?
Uma discoteca.
Gosto desta palavra, vou repetir:
Discoteca.
Ok, já chega.
Era um night-club chamado Populum. Populum esse que estava com dezenas de pessoas à porta, desertinhas por entrar.
Desertinhas por entrar numa discoteca às 10 e meia da noite.
E nós : “’Tá bem.”. E lá entrámos.
Dez belos Euros foram gastos na entrada. Mas acho que a senhora que lá estava me confundiu com o Rei de Portugal, porque quando eu lhe perguntei se podia levar umas serpentinas que estavam em cima do balcão, ela respondeu-me “Podeis levar à vontade”.
Tratou-me por vós. Isso sim, é respeitinho.
Havia uma velhota da minha rua que me dizia que eu de perfil podia ser facilmente confundido com o D. Afonso Henriques. Pelos vistos tinha razão.

A simpatia dos empregados lá era evidente, porque para me servirem uma Coca-Cola apenas tive que esperar 45 minutos. Achei a empregada que me serviu ligeiramente matulona, e algo horrorosa, mas ignorei, porque nos estávamos todos a divertir, e porque ver a professora Marie a sambar loucamente não tinha preço.

Eram para aí 1 e 20 da manhã quando o DJ, mascarado a qualquer coisa que não sei bem identificar, começa a passar O-Zone. Ora quem lê o meu Blog sabe muito bem a minha opinião acerca destes… artistas. Bem, adiante.
E o que aparece ao som de Despre Tine, ao mesmo tempo que a pista de dança se enche de luzinhas e flashes de todas as cores?
Duas bailarinas vestidas de coelhinhas, feias como o pecado, e gordinhas que nem chibos.
E nós : “’Tá bem.”.
E eis quem acompanha as duas meninas? Um daqueles tipos bem musculados e oleosos, com a bela da tanga verde-alface-fluorescente.
E nós : “’Tá bem.”.
Nem todos, mas pronto.

No entanto, começámos lentamente a apercebermo-nos de como o ambiente na discoteca se estava a começar a transformar.
Primeiro, na minha opinião, para uma média, havia demasiados homens vestidos de mulher por metro quadrado, mesmo para uma noite de Carnaval.
Segundo, começámos a olhar para os tipos que dançavam na pista. Tipos esses que se roçavam uns nos outros, e que se começaram a roçar em nós.
E nós : “Já não ‘tá bem.”.

Digamos que o ambiente se começou a tornar... de sexualidade algo questionável. Mas não ficou por aqui. Não senhor. Qual não é o meu espanto, quando reparo que a rapariga feiosa que me tinha servido a Coca-Cola era… um homem. De saia travada.
Porque raio têm os homens portugueses esta mania de se mascararem todos de mulher no Carnaval?
Os homens portugueses tomam drogas pesadas?
Assustados, resolvemos então mudar de pista. Acto infrutífero, porque o outro lado ainda estava pior. E não esquecendo o facto da rapariga que tentou agarrar a Madalena, lá nos fomos embora. Isto tudo ao som de músicas moderníssimas como Tou nem aí e e êxitos de 1999 dos Safri Duo.
Eram 3 e meia da manhã quando finalmente nos demos por vencidos, e abandonámos tal sítio. Ao princípio era para fazermos um juramento de sangue para que nunca ninguém soubesse os horrores que residiam naquele espaço de lazer. Mas não resistimos, e no dia seguinte descosemo-nos. Até porque no fundo, divertimo-nos, convivemos, e passámos um bom bocado todos juntos. No bom sentido é claro, que é que já estão a pensar? Vamos lá ver vamos...

Preço de Entrada no Populum: 10€
Lata de Coca-Cola: 1€
Ver o Come-as Todas todo contente a dançar no meio de homossexuais: Priceless

segunda-feira, janeiro 24, 2005

O "Come-as Todas"

Comecei a escrever este artigo, não só por iniciativa minha, mas também a pedido de alguns colegas meus, que comigo partilham a fantástica oportunidade de observar todos os dias um exemplar assumidíssimo da subespécie humana mais conhecida da nossa turma. É que eu bem que ouvia dizerem-me tanta vez :
-"Oh David, põe mas é uma descrição como deve ser de um exemplo de Etnografídeo."
Choviam e-mails. E SMS’s.

Ok, não chovia nada.
Mas que me pediram, pediram, bolas.

Meus amigos, e que maior exemplar do verdadeiro
espírito Etnografídico que o célebre
"Come-as
Todas"
?


Ora bem...

O Come-as Todas é um tipo. Mas não é qualquer tipo. No outro dia sugeriram-me uma palavra que eu acho que lhe assenta que nem uma luva. O Come-as Todas é um Etnossexual.
Agora perguntam vocês: O que será um Etnossexual?
Claro que isto tem tudo a ver com o conceito inicial de Etnografídeo, mas aliado ao engate, estão a imaginar?

Um Etnossexual caracteriza-se pelo facto de ser um Etnografídeo convictíssimo, mas que no caso do Come-as Todas, leva os seus ideiais a um extremo. Estilo terrorista.
Sim, terrorista. Aquilo mete medo. E está sempre disposto a mostrar ao mundo o que são os seus notáveis bailharicos.

Para este espécime, nada é mais romântico e infalível que um bom poema SMS foleiro (Se não sabem a que me refiro, leiam o post de 21 de Outubro de 2004). Quadras que não envolvam "Amor amo-te muito e amar-te-ei como me amarás com todo o amor" caem estendidas no chão, porque definitivamente não são próprias para mandar às miúdas. Tem de ser qualquer coisa que faça reminiscência às origens, qualquer coisa deste tipo:
Ontem eu fui ao arneiro
Vi lá o mê c'nhado
Amor, amor regateiro
É teu bigode mal depilado.

E não só de poesia vivem os telemóveis destes fantásticos seres! Corações, Tweeties e Silvesters, Corações, Anjinhos, Corações, e ah!, a bela da fotografia de um carro artilhado, de preferência cor-de-laranja, fazem parte do gigantesco espólio multimédia que o Come-as Todas envia a toda a gente, por "Blutu", que é o que ele lhe chama. Toque polifónico do mais pimba que Portugal tem para oferecer incluído. Ele parece gostar muito deste tipo de sons.
Claro está que tudo nele muito viril, principalmente porque para este tipo, todas, mas mesmo todas as coisas no mundo são, numa palavra, abichanadas. As flores são abichanadas, o Sol é abichanado, o professor de inglês do 10º ano era abichanado.
Esperem.
O professor de inglês do 10º ano era MESMO abichanado. Mas não interessa.
Tudo o que tenha um encarnado um bocadinho mais claro já é um desafio à sua masculinidade. Chega para lá.
Quanto à apresentação deste exemplar, bem, meninas, façam-se já a ele! Acho que nenhuma miúda lhe deve resistir ao seu fantástico cabelo seboso.
Não, não é sedoso, é mesmo seboso. E pelo que ele diz, toda e qualquer mulher deve-se render a seus pés. Pés esse que não estão bem calçados sem uma inevitável meiinha branca. Olaré.
Como anda sempre com o penteado bem aperaltado e a calcinha ali bem apertada à bom macho ribatejano, esta raridade dos nossos dias tem, em poucas palavras, a mania do engate. Mas elevado a um nível catastrófico. E são aulas e aulas de infindáveis conversas de como as moçoilas são loucas com ele na cama. É como se voassem.
Isto não me admira, porque no fundo no fundo, o Come-as Todas pode ser considerado também uma vertente humana do papagaio. Fala, fala, fala, mas no fim, não come nada. Prova disso, só me consigo recordar da bela conversa que ele teve com a Madalena na aula de Matemática. Esta sim meu caros, é uma Conversa de Engate!


C.T.: "-Oh Madalena, gostas de strip-tease?"
Madalena: (Vira-se para trás) "-O quê?!"
C.T.: "- Já viste algum strip-tease?"
Madalena: "-Desculpa?!"
C.T.: "-Ah, e tal, era para ver se tu fazias um aqui para o pessoal, na próxima visita de estudo, que era para a gente ópois montarmos o bailharico."
...
(Silêncio avassalador)


Foi uma conversa interessante de se ouvir, foi.

Não há hipótese. É tiro e queda. Aprendam que ele não dura sempre. E viva a Etnossexualidade!

Quero dizer...
Cada um consigo.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

...E Mais Algum!

Esta sim.
Sim senhores.
Estamos definitivamente a lidar com uma pérola do nosso tempo. A sério. Mas primeiro que tudo, querem um conselho?
Meus amigos, a próxima vez que gravarem um CD com as vossas músicas, tenham cuidado. Eu digo isto porque, antes de darem um nome ao trabalho discográfico, e que tal pensar-se em como se chama? Não, não o CD, o próprio artista. O tipo que canta. Ou tenta.
Quer dizer, é melhor não se preocuparem. Não sigam o meu conselho. É que assim eu nunca encontraria esta… coisa… na biblioteca da escola. Crédito para o António Pedro.

Amélia Muge… Todos os Dias?

Mas será mesmo Todos os Dias? A Amélia também faz Sábados, Domingos e Feriados? Grande mulher. E quem muge assim, perdão, canta assim, não é gago!

sexta-feira, janeiro 07, 2005

O Seu Bilhete, Se Faz Favor

Foi numa suposta pacata viagem ferroviária a Lisboa, juntamente com uns amigos meus, que pude presenciar a existência de algo, na minha opinião, absolutamente avassalador. Meus caros, eu descobri uma linguagem completamente nova: a dos Sr. Picas. Ou Pica-bilhetes, aqueles tipos que picam os bilhetes. É por isso que se chamam Pica-Bilhetes, e não, por exemplo, Come-Suissinhos. Quer dizer, uma coisa não implica a outra, enfim, a ideia é aquela.

Mas afinal que se passa com esses simpáticos funcionários que nos perfuram tão
sanguinária e ferozmente os pobres dos nossos bilhetes de comboio?


Estávamos nós tão bem sentados a ouvir a misteriosa e feminina voz que anuncia as paragens como se tivesse um problema na fala, quando um Sr. Pica se aproxima, e em vez de nos pedir os nossos bilhetes, limita-se a um, e meus amigos, isto é inexplicável:

"Clack Clack"

Ele tinha todo um dicionário recheadíssimo de palavras para escolher. Melhor, tinha uma enciclopédia Larrousse. Mas mesmo assim, para nos pedir os bilhetes limitou-se a não um, mas dois sonoros e onomatopeicos

"Clack Clack"

Vindos da sua lendária máquina de picar bilhetes.

Ao princípio pensei que talvez o senhor sofresse de problemas auditivos. E até me contentava com essa, não fosse um protuberante telemóvel que se encontrava no seu bolso esquerdo do casaco tocar, e o estranho indivíduo o atender.
Ora isto força-me a concluir que eu afinal estava algo enganado, acho eu. Então pus-me a meditar nas várias hipóteses daquela necessidade instintiva de fazer

"Clack Clack"

Com a máquina de picar bilhetes.
A sério, em situações limite como esta, a minha louca cabeça põe-se a pensar em mil e uma coisas, cada uma mais interessante que a outra. E se entenderem interessante como um especial de 5 horas do Natal das Prisões, já me estão a entender.
Primeiro, já imaginaram como seria a comunicação deste senhor em casa, com a família?
"Querida, pus a roupa na máquina."
"João, já fizeste os T.P.C.?"
"Possa, Maria, já te disse para não ouvires a música tão alto!"
Nada disso. O mais parecido que se ouviria seria mais um

"Clack Clack"

Imaginemos agora que o Sr. Pica vai a um café. Em vez de pedir uma sandes de manteiga e fiambre, como qualquer um dos mais comuns dos mortais (a menos que seja como eu e não veja algum sentido em untar um lacticínio em cima do resto do que outrora fora uma perna de mamífero), faria

"Clack Clack"

Ele queria um bagacito, "Oh fáchavore" está completamente fora de questão.

"Clack Clack"

e é se queres.
Será que o dinheiro dele também anda todo picadinho? Era um bocado estranho o Sr. Pica ir ao banco. Ainda o acusavam de cultivar traças para venda ilegal.
Esperem, há quem cultive traças para venda ilegal? Pois, calculo que não. Adiante.
Então e se as traças estiverem em vias de extinção? Podia ser daqueles tipos que se metem nos aviões com ovos de papagaio atados à cintura. Só que em vez de ovos de ave rara, eram ovos de insecto. Hum. Ok, esqueçam.

Mas voltemos à pacata vida do indivíduo em casa. Como é que ele discute? Afinal toda a gente se zanga. No entanto, nem todos devem brigar da mesma maneira. Será que ele fura as cuecas da esposa até ao esfarelamento? Isso até o podia tornar uma versão picadora do Eduardo Mãos-de-tesoura. Em vez de cortar, furava...
Isto, meus caros, é assustador, tremendamente assustador. Acho que o Johnny Depp ia perder uma boa quantidade de fãs.

Bem, para contrariar, há que notar que no relato da minha viagem, o Sr. Pica atendeu o telemóvel. Ele afinal sabe falar, acho. Se calhar usa é essa maravilhosa linguagem, a que eu tão pertinentemente apelidei de Clackês, numa situação em que ambos os interlocutores não se conhecem muito bem.

Sr. Pica #1: "Ah, com este já clacko há cinco meses, já é da minha confiança. Vou-lhe dizer olá!"
Sr. Pica #1: "Então colega, como vai isso? Dê cá um bacalhau!"

Sr. Pica #2:"Clack Clack"

"Bolas, este não quer nada comigo!"- Deve indagar o Sr. Pica #1. Mas, alas, vinga-se!

Sr. Pica #1: "Clack Clack"? Há 20 semanas a levar com a sua cara todos os dias e você só me sabe fazer "Clack Clack"? Sua ingrata! Só gostava é que soubesse que a sua mulher anda a fazer clacks ao prédio inteiro!"

Ainda bem que só oiço o Sr. Pica a falar Clackês, nem imagino o que seria do Universo conhecido se esta intrigante linguagem não existisse, e se estas misteriosas conversas fossem trazidas para o quotidiano dos viajantes ferroviários! Por isso, a próxima vez que entrarem num comboio, dêem graças a Deus pela invenção da máquina de picar bilhetes.

Clack Clack

quinta-feira, dezembro 02, 2004

A obra continua...

É verdade, já não actualizo este belo espaço cibernético há uns bons tempos. Mas tudo tem uma explicação: a escola. Os malditos dos professores não deixam as minhas ideias fluirem como deve de ser, e por isso não consigo escrever! O que é afinal mais importante, a indominável teoria das orbitais moleculares, ou as fantásticas explicações teóricas concebidas por mim, moi, je, acerca de coisas bem mais pertinentes, como as pastilhas elásticas? Ora essa...
Bem, mas para compensar tudo isso, envolvi-me numa nova forma artística. Eu e o Edu resolvemos mostrar a todos estes amadores do EJay o que é a vanguarda da música techno, produzindo e interpretando os mais diversos temas, tais como os garantidos êxitos "Oh Pessoal!" e "Bananes et Amendoins", sempre com a louca batida de quem não tem mais nada para fazer. Um CD está em marcha, e garanto-vos, quando o ouvirem, vão vibrar. Infelizmente, não vibrar no sentido de dançar alegremente, mas vibrar mais no sentido mandar o discman contra a própria cabeça, num acesso de loucura.
Enfim, o trabalho está intitulado por mim como Gandas Malucos Sound Project(©), e a Tracklist pode ser vista na barra de lado do blog. Se quierem ouvir algum hit é só pedirem, a mim, David, ou ao Eduardo.
All web contents copyrighted © 2004 Ganda Maluco, inc.. Gandas Malucos Sound Project TM is a copyright of Ganda Maluco, all rights reserved.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Poesia de bolso

Em tempos passados ou nem por isso, nada era mais romântico do que o cavalheiro, possante, elegante e dedicado; recitar, ou mandar numa carta perfumada, um soneto ou simplemente, uns quantos versos soltos, para a sua amada. As miúdas ficavam doidas. Isto se no geral o elogio verbal incluísse uma rosa ou um presente, e no particular, se esse mesmo presente fosse caro.
Hoje em dia, se não contarmos o facto do presente caro, as coisas mudaram um bocadinho. Um bocadinho, mas não tanto. Digamos que se adaptaram aos tempos modernos. O que era cortês agora é antiquado e o que neste momento é considerado apaixonante é... desculpem, mas tenho mesmo que dizer isto... foleiro.


São as fantásticas mensagens SMS com versos pré-fabricados!



Quem não consegue dar de caras com uma boa mão cheia delas? Pois, pois não , não são apenas uma mão cheia, são mais de três sacos de batatas e ainda um alguidar de guardar farturas. Isto tudo de poesia SMS.
O que devem estar a pensar neste momento, para além do facto do que raio será um alguidar para guardar farturas, e se isso sequer faz algum sentido, é que na TV está muito na moda passar publicidade para recebermos, no conforto dos nosso dispositivos celulares, um belo poema para o enviarmos a quem mais nos apetecer. Exemplos há muitos, este é um bastante conhecido.
Com os olhos eu te vejo
Com a boca eu te chamo
Com os lábios eu te beijo
Com o coração eu te amo


Ah, tão bonito. E não fica por aqui, porque no outro dia resolvi pedir uma fantástica mensagem SMS com versos pré-fabricados e 5 minutos depois deparava-me com esta adição à literatura portuguesa, ali mesmo, no meu ecran do telemóvel.

As crianças pedem jogos
Os prisioneiros liberdade
E a ti, meu amor,
Só te peço felicidade

Isto, caso não tenham reparado, era uma declaração de amor. Para mim. O que me força a concluir que estes tipos estão completmanete doidos. Então eu vou mandar isto para alguma miúda? Por acaso já viram alguém na sua pefeita consciência e sanidade mental perguntar à sua cara metade, em vez de "Vem comigo ao cinema!" ou "Queres ir dar uma volta?", "Olha, desculpa, dás-me felicidade?"
Quanto ao resto do mundo eu não sei, mas se eu fossa À rapariga fugia dali a sete pés.
Eu não quero ser desmancha-prazeres, mas quem deixa sair os seus sentimentos cá para fora desta maneira só pode ser... tanso. Ainda por cima oferece uma vista um bocadinho egoísta do mundo. As crianças não pedem só jogos. Também pedem Action-Men. E o Dr. X. Isso tecnicamente não são jogos. São figuras de acção.

De qualquer das formas, todas estas são quadras muito inspiradoras. E tudo o que dá inspiração, faz saltar qualquer coisa cá de dentro. Hmm.. esperem... estou a sentir qualquer coisa a aparecer aqui no antebraço direito... Parece estar a aumentar e a pulsar cada vez mais forte... Ah, já sei! É a minha incrível e denotável

veia poética!!



É verdade, no fim de ver tanta poesia pós-modernista, resolvi eu mesmo tentar inventar alguns destes versos tão quentes e profundos.
Vamos lá a um exemplo: a homenagem de um jovem apaixonado a uma moçoila bem especial. Estou mesmo a ver o cenário. Ele à porta da casa dela com um ramo de malmequeres, e ela com o buço por fazer... Agora convertam isto para SMS! Soberbo!
Atenção, não se esqueçam, fui eu que escrevi isto! É a minha propriedade intelectual! Se não gostarem venham-me bater. Ok, claro que não estou a falar a sério. Basta dizerem que não gostam. Com gentileza, sim?

És linda como uma donzela
Mais pura que um cristal
Tens pezinhos de gazela
E uma halitose fatal


Lindo! Maravilhoso! A subtileza! O encanto! A descrição de uma autêntica femme-fatale! Esperem, esperem, vêem aí mais poesia!

Tua cara é uma luz
O teu amor é um espectro
És a tipa que me seduz
Tens nádegas de meio metro


Isto sim é leitura de classe. Mais inovador é impossível! Até existe a presença dos sentidos!

Meu amor te amo tanto
Passa para cá uma beijoca
Não me deixes é em pranto
Tua boca sabe a ranhoca


Vamos que ele não gosta dos cozinhados dela. Sempre podia mandar uma mensagem assim:

Não estou nada contente
Tua paixão é muito forte
Saí da casa de banho
Com umas cólicas de morte


Ou então numa de break up:

Meu coração está quebrado
Por tudo o que não faças
Meu amor está magoado
E tu, vai PÓ CARAÇAS!


Depois há sempre aqueles estilo e-mail em cadeia, que envolvem sempre anjinhos e segredos piegas, com coisas meio para o abrasileiradas. Estou mesmo aqui já a ver um:

Um anjo bom caiu adormecido
Ele me quis dar um abraço
Não por te ter conhecido
Mas porque aleijou o baço.


Oh pá. Já estou a sentir a veia a fraquejar. Que pena. Contudo, ainda vou tentar esticar um bocadinho mais o sentido artístico deste artigo. Vou pôr uma coisa mais do estilo contraditório, uma daquelas estrofes que parece muito constante ao principio mas que no fim tem aquela chave de ouro que nos faz ressaltar com muita emoção. Tipo assim:

O meu cãozinho ladrou
A comida estava fria
Teu amor me rebentou
Agora o animalzinho sofre porque me deixaste desamparado com dois filhos para criar e agora ainda por cima ando as costas todas apanhadas por causa desta maldita mudança do tempo.


Pronto, é melhor não lhe dar muito. Mesmo assim, pensem lá bem é se precisam mesmo de tanto teatro em SMS. É que para gastar dinheiro desnecessariamente já temos o serviço de fofocas por mensagem.

As SMS foleiras
Derretem qualquer coração
Agora gasta o teu dinheiro
Que é para veres o que é "bão"


Ok, definitivamente a veia poética acabou de desaparecer. Paciência. Mas é romântico, admitam lá!

terça-feira, outubro 12, 2004

Aviso: Perigo para a saúde pública!

Há coisas neste mundo que sinceramente... são perigosas. A sério. Há gente que se atira dos edifícios, gente que viaja para os países mais pobres para ajudar os doentes, gente que vive e dorme com cobras venenosas, e gente que trabalha com explosivos. Em todas estas ocupações há situações de risco. Todavia, hoje em dia, há cada vez mais gente que, apercebendo-se ou não disso, é vítima de atentados brutalíssimos aos tímpanos, estupidamente imperceptíveis e que, em muitos casos, os podem levar à loucura. À loucura ou então à compra do disco daqueles que, a meu rigoroso e científico ver, são uma ameaça à saúde humana. Quer dizer, no fundo é tudo loucura, mas pronto. Quem, afinal, são eles? Meus caros, são os viris e discretíssimos...


O-Zone!


Acreditem ou não, estes(as) meninos(as) já venderam mais de 30 mil discos e mantêm-se nos tops há mais de 4 semanas, em primeiro lugar! Principalmente, pelo seu turtuoso tema Dragostea Din Tei. Não são os Pixies, não é a Madonna. São os O-Zone.
Eu, como sou muito curioso, e também porque já não podia com os ouvidos, resolvi pensar quais os factores envolvidos neste tão famoso fenómeno de popularidade. Pensei, pensei, e então concluí que os podíamos resumir em algumas caracteríticas. Querem ser famosos? Então sigam as dicas. Vão ver que daqui a três meses têm a vossa música a tocar em tudo o que é lugarejo com aparelhagem.
TUNTZ TUNTZ PUNTZ! Não se assustem, isto é o lugarejo com aparelhagem a tocar a vossa música.
Ora então aqui vai:
-> Têm de ter ar enfeminado. Quantas mais poses gay, melhor.
-> Gel, muuuito gel. E fios. E pulseiras. E anéis.
-> Um guarda roupa cujas peças parecem ter sido roubadas do armário da vossa irmã. Meus amigos, isto é essencial. Usar e abusar das calças à boca de sino, principalmente daquelas que se colam à parte traseira, é um must.
-> Vestir camisinhas com um decote generoso, e não se esquecer dos floridos, cores berrantes e motivos coloridos. Mesmo que não haja cor, se forem justas a coisa vai lá na mesma.
-> Inventar uma canção cuja letra seja completamente imperceptível. O romeno funciona muito bem, mas o que garante o sucesso é sem sombra de dúvida um bom "Ma-ia-hii, Ma-ia-huu, Ma-ia-hoo, Ma-ia-haa".
-> Não saber cantar. Saber isso sim gemer. E gesticular.
-> Desconhecer o significado da expressão "instrumentos musicais". Se querem sucesso, mas sucesso de vender 30 mil discos, tem de ser tudo à base de sons sintetizados. Nada de guitarras, de pianos, de baterias.
Já agora, nunca quiseram saber em que raio consiste a letra do Dragostea din Tei? Mas do que é que eles falam? Da guerra, da solidariedade, da preservação do ambiente? Sim, já que se chamam O-Zone, bem que lhes ficava pertinente lutarem contra o efeito de estufa e tudo mais. Contra os CFC's. Mas não.
Pois bem, aqui fica a tradução verídica e factual da canção. Leiam a vossa própria conta e risco. Aviso-vos de antemão: atenção, porque isto foi MESMO verificado. Dragostea Din Tei em português é...

Ma ia hi
Ma ia hoo
Ma ia ha
Ma ia haa
Ma ia hi
Ma ia hoo
Ma ia ha
Ma ia haa
Ma ia hi
Ma ia hoo
Ma ia ha
Ma ia haa
Ma ia hi
Ma ia hoo
Ma ia ha
Ma ia haa

(Não, isto são só gemidos sem significado algum. Eu bem que disse. Estas coisas resultam.)

Alô
Olá
Sou eu, um fora da lei
e por favor aceita o meu amor e felicidade

Alô
Alô
Sou eu outra vez Picasso
Eu telefonei-te
E eu sou duro
Mas eu quero que tu saibas
Que não peço nada teu

(Serei o único ser humano a duvidar da sexualidade desta poesia neo modernista?)

Tu queres partir mas
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes
Não podes levar-me
A imagem da tua cara
E o amor da árvore de tília
Lembram-me os teus olhos


(Amor da árvore de tília... chazinho, alguém?)

Eu telefono
Para te dizer
O que sinto agora
Alô
Meu amor,
Sou eu
Felicidade

Alô
Alô
Sou eu outra vez Picasso
Eu telefonei-te
E eu sou duro
Mas eu quero que tu saibas
Que não peço nada teu

Tu queres partir mas
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes
Não podes levar-me
A imagem da tua cara
E o amor da árvore de tília
Lembram-me os teus olhos

Tu queres partir mas
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes
Não podes levar-me
A imagem da tua cara
E o amor da árvore de tília
Lembram-me os teus olhos


(Mas será que Dragostea Din Tei é mesmo árvore de tília?)

Ma ia hi
Ma ia hoo
Ma ia ha
Ma ia haa
Ma la hi
Ma la hoo
Ma la ha
Ma ia haa
Ma ia hi
Ma ia hoo
Ma ia ha
Ma ia haa
Ma ia hi
Ma ia hoo
Ma ia ha
Ma ia haa

(Mais gritinhos...)

Tu queres partir mas
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes
Não podes levar-me
A imagem da tua cara
E o amor da árvore de tília
Lembram-me os teus olhos


(A fantástica árvore de tília contra-ataca.)

Tu queres partir mas
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes levar-me
Não podes, não podes
Não podes levar-me
A imagem da tua cara
E o amor da árvore de tília
Lembram-me os teus olhos



E, pronto, como vêm, é uma letra bastante viril. Principalmente quando cantada por três tipos em cima de um avião. Agora não digam que eu não avisei.
Mas agora a sério: Árvore de Tília? Meu Deus... Estamos perdidos, absolutamente perdidos.

domingo, setembro 26, 2004

EMBORA BAILHAR?!

Se há coisa que me dá mais gosto são aquelas pequenas grandes relíquias do nosso tempo. Não há nada que as consiga substituir. Afinal de contas, o que vão presenciar dentro de breves momentos é, verdadeiramente, uma jóia do mundo moderno...



É melhor não dizer mais nada, não queira eu estragar a "apresentação publicitaria" àquele "autocarro de grande turismo". Nem muito menos arruinar a fantástica "conpanhia" para o divertidíssimo "bailhe" de almoço.
Marcante, definitivamente, marcante.

sexta-feira, setembro 24, 2004

Etnografídeos - Uma potencial subespécie humana?

Todos nós, bem lá no fundo, representamos um bocadinho dos nossos valores gerais, das nossas culturas, das nossas personalidades, dos nossos fetiches... ups, estou a ir longe demais, não estou? Não interessa; o que quero dizer é que no fundo toda a gente que povoa este alegre mundo é, de certa forma, influenciada pelo que há à sua volta. Um homem rodeado de poemas pode tornar-se poeta, e uma mulher rodeada de bombeiros pode tornar-se bombeira. Ok, nem todos são assim; os palhaços, esses, já nascem assim, desgraçados. Nunca gostei de palhaços. Cheiram a couves.
Bem, de qualquer das formas, há seres humanos que têm menos facilidade em transpor cá para fora as suas personalidades, e há outros que simplesmente... pois, exageram. Não que isso seja mau, é claro. Afinal, maneiras de ser diferentes são o que dá toda a música à sociedade. Só que quando se fala em certas pessoas da minha turma... bem, aí tudo o que a sociedade pode fazer é queixar-se de uma valente dor de tímpanos. Ou talvez mesmo dar em doida. Estão a imaginar a sociedade a correr desaustinada pela rua a bater em todos os postes de electricidade? Eu estou. É sinal que acabou de ter um close encounter com...

A Secção Etnográfica da minha Turma!

Arranjei um nome temporário, porque este alegre grupo de jovens adora impingir-nos, todos os dias, com melhor e o pior (e quando digo pior digo o mais horrivelmente imaginável) dos sítios de onde provêm. Não o podem negar.
"Olha, obrigadinho, até parece que tu mesmo vens de uma grande metrópole", é o que poderão estar a pensar neste momento. Pronto é verdade, mas pelo menos não sou eu que, para falar com alguém que esteja ao meu lado, grito num tom que parece que o Mundo vai acabar. Bem, mas isso já se vê lá mais para a frente.

Primeiro, aquela estranha sociedade gosta de se pôr à parte do resto da turma, tanto nos intervalos como em tudo. Começa logo por aí, porque até parece que são assim tão diferentes que não se podem relacionar com o outros. Ora isto força-me a concluir que de certeza há qualquer coisa por detrás disto. Talvez sejam um grupo secreto, tipo uma máfia, só que em vez de vir da Sicília, vem de Fazendas de Almeirim. Muito estranho. Mas, depois de muito pensar, conclui que só posso justificar este facto com a presença de um termo a sério - os Etnografídeos.
Eles falam em código. Estou a falar a sério. Uma coisa é ouvirmos os velhotes cá de região, todos na sua maioria falam com sotaque. Agora o que eu penso é que a Secção Etnográfica, como comunidade aparte da espécie humana, usa essa linguagem como forma de comunicação. É uma observação biológica notável, principalmente quando nos encontramos perto destes espécimes. Por isso, vou agora continuar num tom mais científico. Vejamos exemplos:

1º- Uma pessoa que gosta de ter tudo só para si é ínguista;
2º- Os filhos dos nossos pais são os nossos irmões;
3º- Aquelas coisas a seguir às aulas são os intervais;
4º- Uma exclamação bastante utilizada é pronunciada iátão!;
5º- Uma construção frásica comum é o típico: A gente opois fomos-s'imbora;
6º- Aquele animalzinho que a gente costuma comer no Natal é o pirúm;
7º- Quando prestamos atenção a uma coisa que estamos a ver, estamos a alservar;
8º- Se quisermos impor silêncio, é só exclamar: Tejem calades!

Se os meus amigos observadores se entretiverem através de um simples diálogo com esta tribo, poderão rapidamente concluir que a actividade considerada de maior high-profile dentro da subespécie é, definitivamente, o tuning de carros, e que os adereços mais chics são os típicos fios de ouro com as pulseiras de prata, que muitas vezes ostentam dentes perdidos na infância. Este hábito é reminiscente às primeiras épocas da vida humanam, A única diferença é que em vez de serem caninos de Smilodons são molares com cáries.
De qualquer das formas, a identificação de um Etnografídeo pode ser feita à distância devido ao seu grito de localização: trata-se de tentar manter um diálogo quando os seus interlocutores estão a 400 metros de distância entre si. Para isto, servem-se de amplificadores naturais de voz, expansores já instalados nas cordas vocais, que aumentam o seu berro exponencialmente. Por vezes a comunicação torna-se difícil, devido aos naturais atrasos da propagação das ondas de som no próprio ar. Uma conversa utilizando o grito de localização pode ter por tema as horas da "carreira", ou até mesmo a que horas é a aula de Matemática. "Rais partem o home!" é o final da discussão, caso o tema tenha sido o último mencionado.
Finalmente, esta misteriosa tribo é bastante dada à bisbilhotice e adora falar quando podia estar calada.

Portanto, já repararam que eu escrevi esta tese só mesmo para me vingar de certas e determinadas pessoas (eheheh!). Para terminar, gostaria apenas de transcrever uma frase dedicada a mim, que uma Etnografídea convicta proferiu numa lendária aula de T.L.B. do ano passado:


"Oh Davide... ah, este rapá deve ter batide com a cabeça na
Internete, ô lá o qué aquile! Tá tonte!"


Bater com a cabeça na Internet é positivo. Esta nova subspécie humana é bastante interessante. E fui eu que a identifiquei. O meu nome devia estar num Hall of Fame. Por isso não se esqueçam: se quiserem ser científicos, refiram-se a esta subspécie como:
Homo sapiens ethnographydius, Trinc. 2004

And that, as they say, is that.

terça-feira, setembro 14, 2004

E agora... Magia!

Desde há milhares de anos que a Humanidade tenta resolver várias situações controversas procurando para isso usar e abusar das artes proibidas. Falo-vos de feitiços. Há feitiços de levitação, feitiços de cura, feitiços de ataque, feitiços de feitiço...enfim, muita coisa.
No entanto, neste estranho Universo paralelo da metafísica residem encantamentos tão mortíferos e poderosos que nenhum ser alguma vez os conseguiu compreender. Pelos vistos ninguém mesmo os consegue perceber, porque também não vejo nos jornais que o mistério foi resolvido. É por isso que aqui estou, e em nome da verdade e do conhecimento venho apresentar a minha nova teoria. Vou falar-vos de:

OS PODEROSOS FEITIÇOS DE AMOR DAS REVISTAS DE ADOLESCENTES ILUDIDAS!
Elas andam sedentas de magia e de conhecer rapazes, e estão tão desesperadas que, para chegarem a um encontro, resolvem utilizar técnicas extremamente infalíveis. Ora vamos lá ver um exemplo:



Atenção meninas, que têm que escolher o limão com o vosso coração. Não se lancem assim num qualquer, armadas em lambonas. Evitem isto:
"-Olha aquele limão, vou já fazer o círculo de amor nele ."
Nem pensem, garotas. Tem que ser:
"-Ah, no fim de correr todas as mercearias da cidade, finalmente vejo um refrescante limão que o meu coração me diz para fazer o círculo de amor, e se espetarem lá dois corações de cartolina, para que absorvam o sumo e a magia."
Nem mais. A parte de deixar um limão a dar o seu sumo e magia a dois corações de cartloina durante uma noite é interessante. Para a próxima pego num marcador azul, faço um círculo de amor e espremo o limão. Assim, estou tecnicamente a beber sumo mágico. Até posso ficar com poderes especiais. Já me estou a imaginar como o Fantástico Homem-Citrino.
Ah, e já agora, o limão também é para pôr dentro da carteira ou bolsinha? Deve ficar tudo um bocado pegajoso no fim, mas pronto.
Próximo!



Claro que só com o cheirinho, ficas livre de feitiços. E de falar com pessoas. E, eventualmente, de ver pessoas até. Para toda a vida!! Mas óptimo, aguenta! Pelo menos tens a certeza que o Conde Drácula nunca te atormentará...
Eu cá dispenso pregar um colar de alhos na parede do meu quarto. Acho que um poster da Christina Aguilera fica ligeiramente melhor.



Bem, primeiro que tudo, aquele encantamento já podia ser revisto por alguém que consiga contruir uma coisa que rime.
Depois, devo dizer que é um bocado vontade tua de sujar o quarto andar a borrifar a sola dos sapatos antes de saires de casa. Mesmo que seja com água de pétalas abençoada pela Lua.
É óbvio, no fim de te verem a chegar à escola com um rasto de poças de água atrás de ti, como é que queres que te invejem? A alternativa disto é deixares crescer o buço.



Definitivamente, este sim, é o Rei dos feitiços. Aliás, se os encantamentos fossem música, este era o Fred Astaire.
Tomar banho com um imã? Simplesmente poderoso. Isto quer dizer que, mesmo que não faças a depilação e tenhas mais crateras na cara que as luas de Marte, irás atrair todos os tipos que se aproximarem. Tornar-te-ás num buraco negro de desejos! E tudo graças à água magnética.
Agora vê lá é se um belo dia esqueces-te de onde puseste o íman e ainda o vestes juntamente com as cuecas...


Concluindo, este pode muito bem tornar-se um manual de magia bem poderoso, mas pelo menos descodificado por mim. Tenham mas é cuidado com os encantamentos, que nunca se sabe quando um feitiço se pode virar contra o feiticeiro... e atenção com as cuecas magnéticas!

quinta-feira, setembro 09, 2004

Le passage des tristes, 2ª parte : O Ataque dos Sul Americanos!

No último post vimos a descrição do malfadado Passeio dos Tristes. Por isso hoje quero dar a conhecer ao Mundo uma ameaça global e apresentar mais uma teoria da destruição. Mas antes disso tudo, se ainda não leram a primeira parte, façam-no agora.
Ah, e continuo a achar que pôr o título em francês dá sempre um ar muito mais sui generis. E também porque me apetece. O blog é meu, ora essa.

Então é assim:
Eles vêm do Chile, da Bolívia, do Equador, Peru ou Colômbia, não interessa. As odes aos Andes são a sua especialidade e ao mesmo tempo a sua arma secreta, não se deixem enganar. A sua presença no Passeio dos Tristes tem uma razão: o domínio do planeta. É arriscado dizer isto principalmente porque nunca se sabe se um dia eles irão mesmo concretizar o seu plano e, se apanharem este blog, vou assar na fogueira.
Quem são eles afinal de contas? São aqueles grupos de músicos sul-americanos que se dispõem em rodinhas e tocam os mais variados medleys em pan-pipes. Um favorito é o tema do Titanic.
As pessoas estão muito bem a tomar café quando, aparentemente vindo do nada, eis que se começa a ouvir a música. As pessoas aproximam-se, muitas vezes usando o Andar do Desespero ( ver a 1ª parte!) para se deslocarem, e formam o tal círculo, a Rodinha Hipnotizante. Ali ficam, a olhar seis pessoas a tocar pan pipes e um banjo. É um momento muito poético, sim senhora. E elas gostam muito, principalmente quando um miúdo de sete anos se arma em engraçadinho, cai e estatela a cara no chão, e o gelado que andava a lamber salta cinco metros e aterra mesmo em cima de um par de ténis novos, e o raio da criança desata a chorar num berreiro infernal. Digamos que são momentos muito peculiares.

Mesmo assim, está na hora de apresentar a minha mais recente tese:
Os Sul Americanos Querem Conquistar o
Mundo!
É claro! Ainda não reparam nisso? E eles andam-no a fazer em vários passos!
Primeiro, projectam as Rodinhas Hipnotizantes, onde se põe a tocar as pan pipes. As pessoas no Passeio dos Tristes aproximam-se e ali ficam especadas a ver uma coisa que era suposto ouvirem, e ao mesmo tempo uma senhora vestida "tradicionalmente" vende magníficos CD's da banda em questão. "Tradicionalmente" porque às vezes elas aparacem com top e saia travada da Bershka, mas é tradicional na mesma. De alguma forma o há-de ser.
Os infelizes dos compradores levam o CD para casa e ao ouvirem e verem as bonitas ilustrações da América do Sul, pensam: "- Olha, isto é tão engraçado, havemos de ir lá um dia destes."
E um dia daqueles metem-se num avião e lá vão para os Andes. É lá que segundo a minha investigação, existe uma fábrica de músicos que são clonados e enviados para vários países, entre eles Portugal. Eles transformam as pessoas para ficarem todas iguais umas às outras e seguem várias terapias químicas e biológicas para se tornarem exímias tocadoras de pan pipes. Depois é só decorar e enviar.
É claro que deve estar tudo muito bem escondidinho na cadeia montanhosa, que é para ninguém desconfiar. Afinal, porque é que acham que aquilo é tão grande? Ah pois é.
Eu até já estou a imaginar uma conversa entre dois locais:

Inocente Local:
"- Epá, tanta gente a sair da montanha e a tocar música. Aquilo é o quê?"

Responsável Pela Fábrica:
"- Onde? Eu não vejo nada! Não é nada! Olha para ali! Está ali a Madonna! Olha a Madonna!"

E pronto, a partir daí é só os sul-americanos continuarem a multiplicar-se, e a pouco e pouco, encher o planeta e governá-lo como eles quiserem. Ah, e quem não tem oportunidade de ir aos Andes, vai lá pela imaginação, que o efeito é o mesmo.
Resumindo e concluindo, pode-se dizer que o Passeio dos Tristes, além de servir de habitat para inúmeras espécies, umas raras, outras nem tanto (ainda não me esqueci da sueca dos postais!), é também palco para uma invasão global. É por isso um sítio deveras misterioso e com os seus riscos.
Talvez num futuro próximo a Humanidade consiga compreendê-lo totalmente, ou não...

And that, as they say, is that.

sábado, setembro 04, 2004

Recordação do Pão, Vinho e Companhia

Querem melhor que isto?

Olhem que não é para todos...

terça-feira, agosto 24, 2004

Le passage des tristes, 1ª parte : O Cenário

Toda a gente que passa uma temporada na praia gosta com certeza de, quando se faz noite, ir dar uma voltinha ou duas no sítio onde se está. Isto é como quem diz vai beber um cafezinho, uma imperialzinha ou até mesmo um bagacinho com quinze vodkazinhos em cima e enfim, apanhar uma bebedeirazinha de caixãozinho à cova. Não interessa, o importante é andar, ou em pé ou a rebolar pelo chão. O lugar onde tudo isto se passa é mundialmente conhecido por O Passeio dos Tristes, e eu resolvi apelidar humildemente de Le Passage des Tristes, porque um nome em francês dá ar que eu sei muita coisa. E até fica mais chic, diga-se de passagem.
O que é certo amigos, é que a qualquer sítio que formos no Algarve, o ambiente é sempre, sempre o mesmo: existe uma avenida à beira-mar plantada, carregada de lojas, que por sua vez estão carregadas dos mesmos souvenirs, com as mesmas mensagens, por todo o lado, e assim sucessivamente. À procura de um postal com uma sueca a fazer topless e a dizer: That's the way I like it in the Algarve? Nada temam, se não há num sítio há em para aí mais 246, fora as versões com espanholas ou turcas a tomar o lugar de miúdas marotas. Não que isso seja mau,claro. É sempre bom sabermos que no Algarve a estrangeirada gosta de andar assim. Ou nem por isso.
Contudo, o que verdadeiramente caracteriza este passeio não são apenas os estabelecimentos: são as pessoas que lá caminham. Como assim? Bem, não têm propriamente ar de deprimidas, mas possuem algo tão secretamente devastador e mortal, que nenhum ser humano é capaz de olhar e não ficar abalado: é O Andar do Desespero!
Querem saber como é? Eu digo, mas prometo que não me responsabilizo pelas consequências caso queiram efectuar esta técnica.

Então é assim:
1º- Mete-se o pé direito à frente; (Temos que começar por algum ponto, não é?)
2º- Olha-se o passeio com olhinhos de carneiro mal morto;
3º- Mete-se o pé esquerdo à frente e dá-se um passo.
4º- Olha-se para o céu, para as lojas, para a sueca que acabou de passar (até pode ser aquela do postal!), não interessa, olha-se, simplesmente, com um sorriso simples e uma expressão de cachorrinho perdido.Oooh!

Estão a ver? Digam lá se as pessoas não parecem umas desgraçadinhas a andar assim! Aí está a razão do Andar do Desespero, e ainda por cima, vemos isto mais vezes do que nos apercebemos! É assustador, não é?
Miúdos a rebolar e a berrar pelo chão fora, velhotas a comerem gelado e a dizer mal de toda a gente, e claro, os tipos que gostam de andar com a bela da camisa desfraldada, exibindo nos pelos do peito o preciosso crucifixo, ao mesmo tempo que coçam a barriga redonda como o Mundo, são elementos bem presentes no Passeio dos Tristes. Uma vez perguntei a um senhor desses se era menino ou menina, e se dava muitos pontapés, mas só depois percebi que aquela protuberância junto ao cinto era a sua barriga de cerveja. Ele não gostou muito. E eu, pronto, fiquei com a dúvida esclarecida.
No entanto, todas estas personagens são só a casca, o embrulho, o palco, para algo bastante mais implacável, que nenhuma lógica ou filosofia em algum tempo poderão compreender...

Não percam a 2ª parte, porque nós também não!

quarta-feira, agosto 18, 2004

A Pipoqueira

Voltei outra vez da praia, e com muito que dizer. Vou falar agora em algo que, segundo a minha mais recente teoria, é o objecto mais infeliz do Mundo, tal como a iogurteira e a máquina de fazer sumos.
Falo-vos, é claro, da Máquina de fazer Pipocas, ou Pipoqueira, para quem gosta que o nome das máquinas acabe em -eira. Quem não acha graça quando vê o milhozinho a rebentar para se fazerem pipocas com sal, caramelo ou manteiga? Sim é muito giro, por isso é que compramos esses pacotinhos, para as fazermos no microondas. No microondas. Ou então numa panela. Meus caros, nunca, nunca, nunca, numa máquina de fazer pipocas. A menos que sejam sádicos, claro.
Por isso, podem imaginar o meu espanto quando, chegado um belo dia a casa, me deparo com um objecto daquele calibre. Ali estava ela, a olhar-me fixamente num ar que metia dó...

-Então, o que achas?, perguntaram-me.
O que é que eu achei? Achei que a pobre coitada da máquina ia levar uma vida danada, e o olhar de tristeza que ela me fez logo quando saiu da caixa dizia tudo.

-É giro. Vai ser engraçado.
Enfim, vidas.

Ora bem, então a minha tese é a seguinte: a máquina de fazer pipocas tem uma esperança média de vida de cerca de 4 dias. Passo a explicar:

1º Dia:
A Rainha do Lar prepara acaloradamente e cuidadosamente as magníficas pipocas, para pormos mel, porque à última da hora é que toda a gente se apercebeu que o caramelo acabou em casa, e que já não há mais. Todos comem, ai daquele que se recusar. É novo, inaugura-se,todos ficam contentes, pronto.

2º Dia:
As pipocas são comidas só pelos mais velhos da casa, porque os outros não estão com muita vontade. A pessoa mais nova pode dar-se ao luxo de inventar uma valente dor de barriga, que em 68,7% dos casos funciona como desculpa.

3º Dia:
Só a mãe é que as prepara e as come. Se não for a mãe, é o elemento caseiro que serve de Eterno Mártir dos Restos. Coitadinha, é sempre a sacrificada...

4º Dia:
O aparelho é mandado para o caraças!

E pronto, assim é o destino das máquinas de fazer pipocas. São encerradas na dispensa e ali ficam até o tempo as apagar deste mundo cruel. Por isso, se não querem dar um fim tão triste à vida de um objecto caseiro, nunca comprem nem iogurteiras, nem sumeiras, nem pipoqueiras. Tenham misericórdia para com o mundo dos electrodomésticos sem utilidade!

And that, as they say, is that.

sexta-feira, julho 09, 2004

O Sr. Kalashnikov

No meu ostentíssimo trabalho de férias enquanto monitor num A.T.L. pelo segundo ano consecutivo deu-me a conhecer um senhor bastante peculiar.
Não, a personagem aqui retratada não é nenhum trabalhador de Leste a cumprir o seu trabalho: é português e bem português.Como é isto possível? Passo a explicar:
É português porque supostamente nasceu em Portugal;
É bem português porque aconchega as partes baixas com o dedo mindinho, depois de o ter usado para "escarrapitar" a cera dos ouvidos e os macacos do nariz.

E agora vem a pergunta:
Oh meu Ganda Maluco, então porque é que resolveste começar a chamar Sr. Kalashnikov, uma arma automática tão conhecida por ser usada pelas tropas afegãs a esta pura alma lusitana?

Meus amigos, este senhor não é brincadeira alguma. Ele foi motorista do A.T.L. durante um só dia, e conseguiu deixar todos os miúdos com terríveis pesadelos até ao fim do ano. E quando digo miúdos incluo-me a mim mesmo, claro.
Tenham medo, tenham mesmo muito medo. Ele é mau, não deixa ninguém sentar-se de lado, mexer naquelas mesinhas das cadeiras, e ai de alguém que seja apanhado a conversar! Ok, podem pensar que é fácil cumprir estas regras, mas metam-se numa viagem de 2 horas para o Badoca Park com 22 miúdos com idades entre os 6 e 9 anos que vão ver o que é bom para a saúde.

O seu utensílio preferido é o espelho. Além de gostar de se ver com aquele bigode manhoso também gosta de ver quem está a infringir as suas preciosas leis:
"Olha para isto! Olha para isto! Está ali um a beber água, está ali outro a falar com o companheiro do lado, e, AH!... olhem só aquele a olhar para o lado de fora da janela!!! Que vergonha, que vergonha!!!"
E assim foi ocupando a sua santa vidinha durante a santa viagenzinha de 2 horas ao Safari.

Quando parávamos numa estação de serviço, para trazer o chinfrim todo cá para fora, ouvíamos sempre um discurso razoável e coerente, como este:
"Pois... isto aqui não há respeito nenhum! Vocês lá em casa fazem o que querem mas aqui só fazem o que eu mando!Olhem que eu vos ponho a todos lá fora!E olhem que eu posso muito bem deixar-vos aqui para os vossos paizinhos vos irem buscar...

(E logo a seguir, a frase mortal, aquela coisa que nos fazia tremer do primeiro ao último cabelo):

"-Eu tenho autorização da Câmara Municipal de Almeirim para vos pôr a todos no olho da rua!"


Tremeram de medo? Eu quando ouvi podem crer que tremi. E muito. Quase que fiz chichi pelas calças. Ok, não fiz, mas que meteu medo meteu.

Concluindo, este ser das Trevas é, tal como o funcionário da biblioteca da escola, um dos motores para o fim da Humanidade tal como a conhecemos. Tenham cuidado a próxima vez que entrarem num autocarro da Câmara Municipal de Almeirim. A sério, tenham cuidado.

Mais tarde, os miúdos do A.T.L. quiseram-se juntar à minha nobre causa, e ajudaram-me a retratar esta maléfica personagem. Contemplem a incrível Obra de Arte que é O Retrato do Sr. Kalashnikov!

Cliquem aqui!!

sexta-feira, julho 02, 2004

O Barão da Tróia - O Pesadelo Jornalístico!

Com a subida da auto-estima nacional, há-de haver sempre alguém que gosta de estar do contra. Ok, pronto, isso há sempre, mas de certeza não tão temperamental como o Barão da Tróia. É que nem podia ser o Zé da Tróia, tinha logo que ser o Barão da Tróia! E depois os outros é que gostam de protagonismo.
Antes de tudo: quem é este lendário comentador? Não faço a mínima ideia, mas acho que se ele ler isto, também não o quero conhecer. Deve ser estranho.
Apesar de tudo, sei algumas coisas sobre ele:
1º- Escreve no mítico jornal O Almeirinense, mesmo na última página;
2º- Tem um Blog;
3º- Diz mal das pessoas a torto e a direito;
4º- Diz mal do governo a torto e a direito;
5º- Diz mal da sociedade a torto e a direito;
6º- Diz mal ... hum... dessas coisas todas... pois, a torto e a direito;
7º- Acho que já estão a começar a entender a ideia.

Ora vamos lá tentar imaginar o quotidiano deste homem que pensa ser o alter-ego satânico do Vasco Pulido Valente!

E agora, algo de nunca antes visto de inédito neste desastroso blog, é um...


MOMENTO MÁGICO DE REFLECÇÃO!

O senhor acorda, muito contente com a sua vida, e mal olha pela janela, vê um carro a passar. "Hmm, vou dizer mal dos condutores portugueses." - pensa ele, enquanto mastiga os seus cereais matinais.
"É pá, estes cereais estão moles. Vou dizer mal da comida."

E assim o dia se vai passando. Encontra uma árvore murcha: "Vou dizer mal da manutenção das reservas ambientais.". Vai à biblioteca: "Bem, vou dizer mal das pessoas que não estão aqui.". Vê uma garrafa de Coca-Cola: "Vou dizer mal do consumismo.". Passa por um tarado: "Vou dizer mal da masturbação.". Mas depois pensa: "Hum, espera lá..."
Não interessa quem ou o quê, esta misteriosa entidade assombra qualquer um.

Só gostava era de o ver a chamar a todas as pessoas aquilo que escreve sobre elas.
-"Olá caros concidadãos! Eu acho que vocês são um bando de anormais!"
-"Oh Excelentíssimo Senhor Político, eu penso que você é um lorpa."

Sim, ele em tempos empregou mesmo esta terrível palavra: "Um lorpa"? Há quantos anos é que não oiço tal designação? Acho que ele gosta de usar estas assim para não andar sempre a repetir "estúpido", "imbecil", ou mesmo "parvo" porque isso são as coisas que ele mais diz nas suas palestras.
Ah, e pontos finais nem vê-los, a pessoa adormece a metade das frases. Aquela escrita é toda muito avant la lettre, pensam o quê? É por isso que já sabemos que vamos ficar aborrecidos mesmo antes de começarmos a ler. Isto há cada inovação...

E pronto, acabo aqui a minha descriçãozinha, já com a consciência que se o tipo descobre isto, o Ganda Maluco vai ser um blog assassinado na última página do jornal da terra, ou em mais um post do seu intrépido blog. Sem direito a homenagem, como os filhos dos papás orgulhosos por os verem a jogar futebol como suplentes num clube qualquer.
Oh, o horror!