quarta-feira, novembro 15, 2006

Vou gritar-te uma coisa mesmo muito óbvia ao ouvido

Ontem à noite, no telejornal da Sic, constatei alegremente que a escritora portuguesa que mais vezes usa a palavra "imenso" (Margarida Rebelo Pinto) lançou mais uma compilação das suas crónicas.
Até aqui nada de mais: hey, eu não tenho nada contra a literatura light: nem toda a gente gosta de andar sempre a comer pain au chocolat. Às vezes um Bollycao compensa perfeitamente. Já um afiambrado nem por isso... mas este assunto está demasiado conversado e a qualidade ou falta dela na escrita de quem quer que seja, incluindo a minha, não está aqui em causa. É por isso que não me vou calar.

Ora a nova obra da literatura portuguesa chama-se "Vou contar-te um segredo", e apenas este pormenor apela a toda a minha atenção, que é uma coisa que só por si se deixa apelar por quase tudo o que mexe, especialmente títulos de livros em português. Assim, vou agora assumir um tom mais... intelectual. Para entenderem melhor a minha análise por favor imaginem-me com um grande bigode, sentado num sofá do século XIX, com um cachimbo numa mão, um copo de conhaque noutra e um charuto noutra.
Sim, leram bem, visualizem-me com um charuto numa terceira mão. Imaginar-me crítico literário não me impede de me imaginar como super herói mutante com três braços e correspondentemente com três mãos também, pois não? Acho bem. É que assim tenho no total quinze dedos para folhear páginas e páginas de inúmeros livros, para poder perceber melhor as coisas. É inteligência sem intelecto.
Adiante.


Ponto número um: o livro chama-se "Vou contar-te um segredo". É chique a valer, nomeadamente porque nem sequer é original. "Vou contar-te um segredo" resulta da tradução literal de um documentário sobre Madonna, "I'm going to tell you a secret". "Vou contar-te um segredo" é quase como se Margarida Rebelo Pinto começasse a cantar e dançar cheia de coreografias. "Vou contar-te um segredo" não se usa em Portugal, em detrimento do "Óve lá ó nha badalhoca". "Vou contar-te um segredo" parece que é coisa que só os estrangeiros dizem. E meus caros, como todos nós sabemos, tudo o que é estrangeiro é bom. Ainda mais se for traduzido.


Ponto número dois: há um ponto de ruptura no tipo de escrita da autora. Reparem que o sujeito poético parece falar para o leitor na segunda pessoa. Pese embora tratar uma pessoa por tu ser uma piroseira, um horror, o apelo parece ser mais interessante. É que toda a gente sabe que se quiser ser bem tem que tratar tudo e todos na terceira pessoa. O menino, a menina, o senhor do pão, o senhor Alberto, o senhor pénis, por aí. Tutear o possível comprador do livro não só é uma excelente estratégia de marketing como também uma maneira de mostrar ao mundo que se está mais acessível no diálogo. Parabéns.


Ponto número três: "Vou contar-te um segredo"? Que segredo, Margarida Rebelo Pinto? Que o livro tem folhas? Será que já não é super caturreiro apaixonar-se, sei lá, por um estranho e encontrar o amor num lugar insuspeito? Será que os homens afinal já não são todos uns filhos da p*ta nem uns c*br**s do c*r*lh*? E p*rque raio é q*e esto* a usar *steriscos n* meio das p*lavras, h*?


Resumindo, recomendo a leitura desta nova e empolgante obra. Contudo já devem ter a noção dos meus limites e por isso têm que me dar um certo desconto no que toca a recomendações literárias. Afinal de contas eu também recomendo o meu blogue. E já que estou numa de Professor Marcelo, também recomendo a leitura dos panfletos das testemunhas de Jeová, dos anúncios íntimos do Correio da Manhã e do jornal Destak. Ah, e também do título do jornal Sol (aquilo também é só uma palavra). Leiam, leiam, leiam, porque é a ler que a gente aprendemos a esquerevêr.

quarta-feira, novembro 08, 2006

L'état humain

Há quem diga que a minha geração é sobreprotegida e eu começo a concordar, embora relutantemente. Hoje à tarde descobri que no piso mais inferior do hospital de Santa Maria não funcionam as arrecadações do material de limpeza. Conseguem acreditar nisto? Eu fartava-me de ver as senhoras a irem lá abaixo buscar caixas muito grandes, mais nada me ocorria na cabeça. Foi graças à minha colega Carolina Palmela que fiz a extraordinária descoberta:

Eu: "-Olha, não te enganes a descer as escadas, senão ainda vais lá para baixo para as arrecadações dos materiais de limpeza. "
Carolina: "-Hã? Ah, sim limpezas, limpezas..."
Eu: "-Pois... qual é a piada? Não é lá que estão os produtos todos, as vassouras e essas coisas?"
Carolina: "-Não... David, lá em baixo funciona a morgue. O máximo que me pode acontecer ao descer as escadas é ver um morto."
Eu: "-O quê? A morgue? A morgue não funciona no hospital!"
Carolina: "-'Tás-te a passar? Claro que funciona... não me digas que nem sequer sabes o que é aquela chaminé..."
Eu: "-Aquela grande que deita fumo muito preto?"
Carolina: "-Sim..."
Eu: "-Sim, é a chaminé da cantina!"
Carolina: "-A cantina que existe ENTERRADA A 20 METROS DE PROFUNDIDADE?"
Eu: "-Então é o quê?"
Carolina: "-David... é o crematório."
Eu: "-O QUÊ? ELES TÊM UM CREMATÓRIO? Ó MEU DEUS!"
(Até à data ainda não cheguei a saber se a palavra "eles" se referia aos mortos ou à equipa do F. C. Porto.)


O meu mundo desabou. Completa e atrozmente. Ao ouvir estas palavras fiquei tão ou ainda mais atónito do que um deputado recém-eleito ao descobrir que afinal também existem serviços sociais na Assembleia da República.
Não sei o que fazer.
Nem o que pensar.

Será que sou um nadinha inocente demais para a minha condição de ser humano? Será que pertenço a uma geração que não tem bem a noção da presença da morte no quotidiano? Vou investigar e assim que obtiver respostas hei-de gritá-las ao Mundo inteiro. Isto logo assim que descobrir de que raio de gesso especial é que são feitos os ossos das aulas de Anatomia.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Inspiração Perigosa

Nelly Furtado deu uma breve entrevista à MTV Portugal na secção de artista do mês. Para quem não sabe o que é um Nelly Furtado, trata-se de uma cantora luso-canadiana. Isto quer dizer que a senhora em questão a cantar em português é um bocado para o coxa. Mas também não se pode ser bom a tudo, não é?
Ao que parece, Nelly afirma que ganhou a inspiração para o seu mais sexy álbum de sempre a brincar aos Legos com o filho. E eu acredito, ao contrário do que muita gente que colecciona cromos do Bollycao possa pensar.
De facto, acho que a ideia em si é bastante concebível. Quantos de nós não já se sentiram incrivelmente lascivos e sexy ao manusear brinquedos de crianças? Quantos? Exactamente: aqueles de nós que neste momento estão fechados na prisão e que, à medida que escrevo, levam tau tau por comportamento desviante. Mas não deixa de ser um pensamento refrescante. Uma brincadeirinha de criança, diga-se.

Afinal, eu até acho que a boneca da Anita me tem andado a fazer olhinhos ultimamente, aquela oferecida. Ainda vou ter de a mandar para o circo, ou para a quinta, ou para as compras, ou para a escola, ou para sei lá onde ela já andou. Vadia.

domingo, setembro 24, 2006

É pá mas o que é isto, pá?

A amada TVI resolveu neste dia passar um especial Big Brother com os melhores momentos da série que mudou a maneira de se fazer dinheiro em televisão. Esperem, eu disse o melhor? Pois, queria antes dizer... hum, os highlights. O estrangeirismo é sempre a forma mais subtil para mentir, não é?
O incrível neste especial é o facto de ter re-aprendido as mil e uma formas de insultar e humilhar alguém. Tenho a dizer que desejar que uma pessoa seja enviado para a entidade que a pariu, e sendo a profissão dessa senhora apanhar caruma com as costas, não é uma coisa pouco poética. É um quadro vivo.
Aliás, todo o processo de se mandar alguém à merda é um fenómeno que recorre a inúmeros artifícios de linguagem. As maneiras mais devastadoras não são para todos: até para a vilipendiação há elitismos, vistas bem as coisas. Com tanta evolução linguística, tem-se vindo a formar a hipótese da dificuldade de resolver os problemas com os meus inimigos (se é que tenha algum) eficientemente.

É pá, mas um pontapé mesmo no pescoço resolve tudo.
Obrigado, lixo televisivo!

terça-feira, setembro 19, 2006

Digam... AAAARGH!

Mudei de curso. Assim logo de repente porque me deu na real gana (ainda bem que na Internet o tempo só é controlado por mim).
Se a grande ordem cósmica o permitir um dia vou ser médico. Há quem diga que sim, há quem diga que não, há quem ria tanto que faça um bocadinho de chichi pelas calças abaixo. E sim, outras pessoas já me perguntaram qual a especialidade que gostava mais de seguir, e a minha pessoa respondeu o que qualquer outra pessoa de rapaz de 19 anos responderia: "a ginecologia parece ser um ramo interessante".
Mas comecei lentamente a mudar as ideias e já me decidi: ginecologia é boa mas farta, eu quero é ser um médico curandeiro, como o senhor do vídeo. E o que é que uma critaura dessas faz? Fácil: o médico curandeiro é o senhor que cura úrsulas, trabeculoses, hepatitasá... Ora vejam.



Mais alguma dúvida é só telefonar para o sítio onde curam a carne das vacas loucas, que é uma doença muito perigosa. Estou lá em part-time.

quinta-feira, agosto 31, 2006

E agora...

Plutão deixou de ser um planeta. Isso é porque a Simara já não é um asteróide?

segunda-feira, julho 31, 2006

A gaja duplicada

A pré-adolescente que acaba de se encontrar com o seu reflexo, num espelho em casa, tem no seu bilhete de identidade um nome pouco vulgar, nada menos que Kátia Alexandra Conceição, denominação que lhe tem causado algum pudor ao longo dos anos, especialmente entre os demais jovens que pensam que Cascais é que é fáchon. Com o Kátia e com o Alexandra até podia conviver a certo ponto, mas era o Conceição que mais armaguras lhe provocava, Conceição era nome de avó, ou de toureira, vá lá, daquelas que são bué antiquadas, Conceição não era bom o suficiente para combinar com Kátia Alexandra, Kátia para os amigos, Káti Beijinhos para o namorado. Surprendentemente, não era Rúben Flávio quem assolava o pensamento de Kátia Alexandra Conceição naquele momento, espantava-se a cara da moça ao ver à sua frente uma rapariga que, mais que sua gémea, poderia até ser o seu duplicado e lhe respondia exactamente com o mesmo tom, exactamente com o mesmo sotaque e exactamente com as mesmas palavras. E ainda que Kátia Alexandra Conceição não se apercebesse que estava a conversar consigo mesma, não deixava de lhe parecer intrigante uma semelhança tão grande. Como se chama, Kátia Alexandra Conceição, Impossível, esse é o meu nome, Também é o meu, e verá que não só nos nomes somos iguais, Como assim, Olhe em frente, somos a imagem no espelho uma da outra, É deveras impressionante, E também respondemos com as mesmas palavras, ao mesmo tempo, Eia. Kátia Alexandra Conceição 1 e Kátia Alexandra Conceição 2 estavam ambas embasbacadas com tamanha verosimilhança, não poderiam deixar passar esta oportunidade de reflexão, por mais despropositada que fosse. É difícil de acreditar nesta nossa igualdade, olhe que até na roupa, Os saldos da Bershka são sempre os mesmos, Pois é, faz pensar o que é afinal a identidade pessoal, Como nas novelas, Sim, e nos filmes, Que filmes gosta mais, Aqueles com actores americanos, Eu também, são os mais giros, Pois é, é a vida, Sim, cá estamos, Fresquinho, não, É a mudança da temperatura, Muito interessante, marcamos encontro, Sim, amanhã à mesma hora, porque depois tenho que ir ter com o Rúben Flávio, Quem é Rúben Flávio, mais uma cópia sua, minha, nossa, Não, é o meu namorado, O seu namorado também se chama Rúben Flávio, Sim, Sua cabra, nem acredito que até o gajo me roubastes, Olha, não tenho culpa de ser mais boa que tu, Estúpida, a ver se te espetas no chão e partes a cara toda, Então adeus, Adeus ó vai-te embora. Kátia Alexandra Conceição resolveu abandonar definitivamente o espelho e ir contar, estupefacta, o seu encontro ao namorado, por SMS porque tinha mensagens grátis, com muito drama e muitos LOLs à mistura.

terça-feira, julho 25, 2006

Cá se fazem, cá se pagam.

Esta é uma ode ao tipo que me anda a deixar mensagens anónimas pouco construtivas. Pensei no teu caso e resolvi falar sobre ti, mas em verso, não vá a depreciação estragar o momento. Cumprimentos à família.

A bichanesa anónima

Certa bichanesa sorri à janela,
coitada dela
mais pálida que uma aguarela.

Sorri ao amigo,
qual dama mais afamada,
ama o menino
e por menina quer ser tratada!

Trinca aqui e ali,
carninha dura gosta esta donzela,
morde aqui e belisca acolá,
sabe a leitinho esta nossa princesa.

Ai, como o amor é bonito,
nem o pequeno petiz é daí afamado,
lindo senhorito apessoado,
és do outro lado???

Certa bichanesa sorri à janela,
coitada dela
mais pálida que uma aguarela!

segunda-feira, julho 24, 2006

Die Verwandlung

Certa manhã, quando Tiago André acordou de um sonho inquietante, deu consigo metamorfoseado num monstruoso beto surfista. Estava deitado de costas, e ao tentar mexer o corpo constatou, horrorizado, que tinha queimaduras solares de terceiro grau por toda a pele e um fato de mergulho colado na virilha. Levou as mãos à cabeça e sentiu o cabelo abespinhado. Olhou à sua esquerda para o vidro da janela, viu que o seu cabelo normalmente moreno e bem cuidado estava agora louro-amarelado e com um corte algo efeminado. Entrou em pânico.
"O que é que me aconteceu?", pensou. Não era um sonho. O seu quarto, dantes original e de bom gosto, estava agora cheio de posters do Jack Johnson da Bravo e cartazes em jeito de tributo a tudo o que eram derivados de imitações de Bob Marley. À sua frente encontrava-se uma longboard roubada sabe lá Deus onde, com florzinhas havaianas a enfeitar. Olhou à sua direita, para a mesa de cabeceira e viu o seu bilhete de identidade. Não conseguiu ler bem, contudo Tiago André teve o horrível pressentimento de que já não se chamava Tiago André mas sim Tiago Maria. Agora já podia ser escuteiro também. Soltou um grito, desesperado, e por fim tentou acalmar-se. A sua família não o podia ver assim. Assim que os seus pais olhassem para a parede pintada com uma folha de Cannabis sativa com a legenda Legalize, sabendo bem que Tiago André, agora Tiago Maria, não passava de um tosco que se queria armar em fixe, iriam ficar boquiabertos. E assim que reparassem no seu novo estilo, iriam deixar de o tratar como um ser humano e passar a discriminá-lo pelo cordeiro portuguesinho que se havia tornado.
Tinha conseguido converter-se numa cópia maricas de si mesmo. Estava condenado.
Tiago Maria decidiu então saltar pela janela e enfiar-se no casting mais próximo para os Morangos com Açúcar. De entre os trágicos finais possíveis, este seria de todos o mais justo.

sexta-feira, julho 07, 2006

"Coisa dji póbri"

Como já tive oportunidade de expressar diversas vezes neste blogue, gosto muito da produção nacional a nível televisivo. Chamem-me um viciado no surrealismo, mas eu devoro telenovelas, especialmente as da TVI: para mim elas arrumam os Monty Python a um canto.
Depois da minha insignificante análise da Floribella, chegou a vez de uma aproximação profunda ao universo de Tempo de Viver, a nova aposta do canal televisivo que tantas maravilhas nos dá como o programa do Goucha.
Diz que o novo conto popular mistura terrorismo internacional com a luta de classes em Portugal. Sei que no meio disto tudo entram os ataques do 11 de Setembro em Nova Iorque, de acordo com a novela morreu lá UMA pessoa, cuja mala perdida é muito importante para o enredo, e que mais tarde vai reaparecer. Enfim, são coisas da vida, não são? Gostava de poder dizer mais sobre este assunto tão pertinente. A verdade é que não há nada para dizer. Pulp Fiction, alguém? Enfim, vamos mas é falar da minha Maria Laurinda.

Que coisa é essa, Maria Laurinda? - perguntam agora vocês. - É um secador de cabelo? Isso come-se? E eu digo: Não, é uma pessoa. E ao mesmo tempo também não é um secador de cabelo. Se bem que a parte do comer tem bastante sentido. A Maria Laurinda, ou Laura, como prefere que lhe tratem os seus amigos do country club, é uma mazona. Menina rica mimada, poderão pensar ao princípio... mas nem por isso: a família dela é pobrezinha e por isso Maria Laurinda faz-se passar por rainha da Sabóia, de forma a não se identificar com a gentinha. Claro que isto tudo faz sofrer o seu clã, sempre com a lágrima ao canto do olho: afinal de contas isto é uma coisa à portuguesa.
A verdade é que a Maria Laurinda manipula as pessoas. A Maria Laurinda é cínica. A Maria Laurinda não olha a meios para atingir os fins. A Maria Laurinda é terrível. E os diálogos dela também. Melhor, todos os diálogos de Tempo de Viver são terríveis, daí meterem muito medo e eu gostar tanto da Maria Laurinda.

Atenção: o trabalho da actriz Margarida Vila-Nova, que interpreta o papel desta personagem, não está aqui posto em causa. O cruzar e descruzar de pernas numa cena pseudo sensual encabeçada pela Benedita Pereira é que talvez possam estar. Pelo menos um bocadinho. É que há um filme, pouco conhecido talvez, chamado Instinto Fatal. Estão a ver qual é? É aquele com aquela actriz americana também pouco conhecida, a Sharon Stone, sabem? É que há lá uma cena que é algo parecida. Mas os americanos também imitam tudo. Até vão ao futuro para imitar melhor, vejam lá bem.
Numa nota final sobre o enredo, vi uma cena em que um senhor bem posto na vida se agarrou ao jardineiro (como já expressei antes, é um tema da moda) e depois à Maria Laurinda, no fim de fugir à mulher. Perceberam alguma coisa? Eu também não. Isso, mais do que a mala perdida nas Twin Towers, é outro grande mistério.

Enfim, quanto mais episódios vejo, mais me apercebo de que a guerra entre estações televisivas afinal não é só de audiências: também roda à volta de ideologias. A Floribella diz que é rica em sonhos e pobre em ouro, mas não importa. Já a Maria Laurinda prefere morrer do que ter de trabalhar num supermercado. Estou cerebralmente exausto de tentar seguir estes dois marcos intelectuais antagónicos. Afinal o que é que é bom? Marx, neste momento , deve estar a dar voltas no túmulo. E a pensar que "coisa dji póbri" é esta, também.

terça-feira, junho 27, 2006

Intelectualidade VIII

Neste momento estou num dos PC's públicos da minha faculdade. Vim consultar o meu e-mail, mas qual não foi o meu espanto quando reparei que estava acompanhado por um pacote de iogurte vazio com uma colher a sair de lá. Está mesmo à minha frente, ao lado do monitor.
Que bom.

Por um lado, é sempre agradável verificar que os marrões do departamento de Matemática se andam a alimentar bem. Por outro lado, o pensamento de que alguém antes de mim se alambazou ao mesmo tempo que pôs as mãos neste teclado é terrífico. Acho que vou parar de escrever agora. Ai vou vou.

terça-feira, maio 30, 2006

E ainda dizem mal da esquerda portuguesa?

NASCE PARTIDO DOS PEDÓFILOS NA HOLANDA

BRUXELAS, 30 MAI (ANSA) - O primeiro partido declaradamente pedófilo, que nasce hoje na Holanda com o objetivo de liberar a pornografia infantil e as relações sexuais entre adultos e crianças, se chamará NVD (Amor ao próximo, Liberdade e Diversidade).
"Educar as crianças significa também acostumá-las ao sexo. Proibir deixa as crianças mais curiosas", afirmou Ad Van den Berg, 62 anos, fundador do partido, em entrevista ao jornal holandês Algemeen Dagblad.
Segundo Van den Berg, a imagem dos pedófilos foi desonrada pelo escândalo do assassino de crianças belga Marc Dutroux e acredita que, ao se lançar na política, esta pode, ao contrário, melhorar.
No programa do NVD não há apenas pornografia infantil. O partido propõe a extinção do Senado e das funções do primeiro-ministro, a legalização de todas as drogas, leves e pesadas, e a prisão perpétua para os assassinos reincidentes.
O partido, em seu site na Internet, afirma que qualquer pessoa que tiver completado 16 anos deveria poder interpretar filmes pornôs e que a maioridade sexual deveria ser abaixada para 12 anos. (ANSA)

30/05/2006 10:23
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Wow. A sério. Não sei muito bem no que pensar, ou em que sentido dar à coisa. A verdade é que nem quero imaginar como é que eles se vão entreter nos plenários. Nunca o jogo da apanhada foi tão assustador.

domingo, abril 30, 2006

¿Dónde Está Usted, Flor?

Eu gosto muito de mudar de nacionalidade. Às vezes sabe bem poder dizer que no meu país não mandam os cientistas para o catano nem se comem coisas tão inverosímeis como folhados mistos. É por isso que esta semana fui argentino durante 2 minutos e 57 segundos: este foi exactamente o tempo de vida que perdi a observar um episódio na novela infanto-juvenil importada para a Sic(k), Floribella. E aí vi que outras vezes ser português não é assim tão assustador. Só ocasionalmente.
Mesmo assim, não vou fazer como o resto da populaça blogueira e criticar a saga da mocinha que parece uma versão morcona da Agatha Ruiz de La Prada, nem pensar. Eu, como bom jovem que sou, venho até glorificar esta tremenda produção televisiva. Já era finalmente tempo dos miúdos pararem de ouvir as baboseiras dos Morangos com Açúcar para começarem a interessar-se por coisas muito mais maduras como cristais mágicos, fadas do vento e trânsito das classes sociais. Acho que todos estes são pontos fulcrais que precisavam de ser sobranceiramente abordados.

Pelo que conheço, Floribella conta a história de uma menina pobrezinha mas feliz que trabalha para uma família rica. Alto: logo aqui somos transportados para um imaginário altamente original a nível de enredo. Isto é daqueles que nem sabemos se a personagem aterra no chão se se desequilibrar. A própria protagonista é curiosa: reparem que, mesmo tendo sotaque do Norte, a gaiata não manda as pessoas para o caraças por lhe chamarem trinca-espinhas. Isto é muito peculiar visto que parece ter havido uma falha por parte dos argumentistas, mesmo que eles falem espanhol. Eu sou magrinho e odeio de morte quem me chame trinca-espinhas, quanto mais outros nomes. Se fosse à Flor com certeza mandaria a boazona convencida que namora com o dono da mansão ir para uma certa parte anatómica, ainda que isso obrigasse a um tom ligeiramente brejeiro.

Todavia penso que o elemento principal da novela da Sic é a caracterização: aquela gente se se vira para um lado vê flores, se se vira para outro vê arcos-íris. Cores, luzes e alucinações. Não há meio termo, mas também é assim que as coisas também devem ser lá para América do Sul. A estabilidade política, como tudo, deve ter um preço. Pelos vistos na Argentina também.
Resumindo e concluindo: com esta iniciativa tão inovadora e aparvalhadamente colorida, das duas uma: ou o povo luso começa a sofrer massivamente de epiplepsia, ou vira gay. O prognóstico é reservado. Mas a novela, essa dá todos os dias. Por supuesto.

terça-feira, abril 25, 2006

Porque sim

A cada ano que passa, mais tristes parecem ficar as comemorações do Dia da Liberdade. Tudo o que se exagera acaba por fartar, mas há coisas que não devo esquecer. Se por um lado é verdade que já foi há 32 anos e eu nem sequer projecto era, por outro é sempre bom lembrar-me da causa que justificou a liberdade de expressão que sempre me pareceu tão natural. E como qualquer outra, a revolução trouxe coisas muito boas e coisas honestamente estúpidas. Mas o que é o meu blogue face às conquistas de Abril? Fico na dúvida, contudo sei que enquanto homem de barba rija (até no peito), o cravo é a única florzinha que não me envergonho nada de ostentar. Uma rosa é muito cheirosa. Um lírio... que nome do catano. Agora um cravo... sempre.

segunda-feira, abril 17, 2006

É preciso ver

as coisas como é. Mas ninguém quer, há que ter cabeça e eles coiso, mergulham.
Este vídeo não é recente, mas acho que pode ter sempre lugar neste blog. Afinal é disto que nós portugueses, quer queiramos quer não, somos feitos. Fado, Fátima e... hum, Zé Toino? Absorvam a poesia desta conversa amena.


Voz do Povo, voz de Deus. E do Pai Natal também.

sábado, março 25, 2006

Originalizar o Original

Já fui alvo de muitas críticas, umas boas, outras más, outras meio amaricadas porque não se percebe se são boas ou são más. A única coisa que começo a reparar é que o estilo de escrita determina imediatamente a quantidade e o tipo de prestígio que vamos ter. E toda a gente sabe que o prestígio é uma coisa tão boa. Por isso hoje vou ser cativante e mudar a minha esquizofrénica arte literária, sem sequer pensar primeiro no assunto. Vejamos exemplos.

Por exemplos,
Primeiro temos as pessoas que ganham muitos prémios porque escolheram arrotar para os pontos finais, sim eu disse arrotar,é que eu sou muito ilustrativo. E isto só me faz lembrar aquele dia em que me vi ao espelho, passados três quartos de hora para as três da tarde deste vinte e cinco de março de dois mil e seis e os meus olhos, tão bonitos que são de tão escuros que parecem, observavam languidamente o meu reflexo naquele vidro reflector que me mostra a vida, tal e qual como ela não é; Ah David, estás mais velho, diz-me a minha irmã, está parva hoje a minha irmã, Não estou nada, só estou mais crescido, respondo eu, Está bem, mas tens mais barba, Pois, também não sou assim tão subdesenvolvido, Olha o que é o almoço?, Sei lá, estou cá com uma determinada larica, Sim mas a gente por muito que sofra nunca diz a palavra larica, é pá soa mal, Ah diz sim, Não diz não, Diz sim, Não diz não, Vai dar uma curva, Olha vai tu, respondo eu, ou será a minha irmã? Não sei, eu já perdi um bocado o rumo da conversa porque comecei a escrever tudo numa frase, demorada e com muitos advérbios de modo, que é para perceberem que eu sou muito inteligente e assim posso fazer o que me apetecer das regras de pontuação; não, não estou a imitar ninguém, estou só a ser original.

Depois temos a chamada repetição esquizofrénica. Aquela que se repte quase de oração em oração
como uma bufa intelectual.

Quem me dera poder ser quando me apetecesse, livre e barulhento
como uma bufa intelectual.

Lembro-me de como as coisas eram quando eu era pequeno. Tudo era tão simples. Todo o mundo resumia-se a mim e aos naperons da sala de jantar da casa da minha avó. Os naperons são coisas tão bonitas. Mas agora ninguém gosta deles. É uma pena. Porque com eles eu desprendia-me e voava, voava na minha interminável imaginação
como uma bufa intelectual.

Este fluxo narrativo é no mínimo catártico. Ao mesmo tempo vejam só quão literário começa a fica este post à medida que eu emprego expressões profundas como "fluxo narrativo" e "bufa".

Mas eu podia.
Talvez um dia.
Escrever poesia.
Amar é sentir.
Sentir é picar.
Picar é aleijar.
Aleijar o lingrinhas.
Do nosso coração.
Isto não é um poema.
São frases muito curtinhas.
Seguidas de parágrafos.
Como se vê.
Nos blogues poéticos.
Que lá porque o Fernando Pessoa.
Não rimava sempre.
Não quer dizer.
Que tenhamos de escrever textos inteirinhos.
Só assim.
Vazios.

Ok, eu rendo-me, em última análise é-me impossível surpreeder a minha vasta gama de três leitores sem imitar alguém ou algumas coisas. Excepto no que toca ao emprego (e enfim, projecção) de "bufas intelectuais", obviamente isso é meu. Pode ser ligeiramente idiota, vá lá, mas é meu.
Apesar de tudo, honestamente não sei o que me vai acontecer enquanto pseudoescritor. Talvez um dia me ponha a discretear sobre malta super caturreira, divorciada e com montes de amigos que se encontram no Lux e se divertem imenso e comece a pensar que isto realmente não é para mim.
Better luck next time.

quarta-feira, março 15, 2006

PC = Personal Challenge

Há pessoas que acham muita piada aos computadores. Quem me ler agora deve estar a pensar que eu endoideci e resolvi começar a falar de mim próprio, mas desengane-se. Parece que há algo de misteriosamente fascinante numa coisa que funciona à base de se carregar em botões, e eu muito honestamente não percebo porquê.
A verdade é que eu já não confio tanto nas maquinetas como dantes: sem dúvida que são ferramentas úteis, mas na minha opinião têm vindo a transformar-se em autênticos monstros. Coisas ambulantes, sedentas de carnificina,tal e qual como o Chucky (o boneco assassino) ou o George Bush (o assassino abonecado).
Todavia, como a culpa não morre solteira, há um responsável pelo meu mais recente transtorno com o mundo cibernético. Há sempre um responsável para tudo. Até para o onanismo. Esse responsável é o sistema operativo das janelas.O Windows está para o PC assim como o Cornudo está para os cães do Inferno. Não há melhor analogia para uma entidade que me faz coisas que não há direito. Irei agora a um exemplo concreto:

No outro dia estava eu em puro engate no MSN Messenger quando o meu PC aparentemente se meteu de cama: tinha ocorrido um erro fatal, nada mais nada menos. Fiquei em estado de choque: a situação parecia gravíssima, ou ela me bloqueava ou eu ficaria com deixas más para o resto da vida. Isso não aconteceu (ainda), mas aquela coisa (o computador) disse que era fatal. Ora "Fatal", meus senhores, é um termo com um certo grau de seriedade. Utilizamos a palavra "fatal" numa situação em que queremos falar de homens de barba rija, estilo: "O David tem um olhar sedutor fatal. É por causa da fatalidade do seu bom aspecto." Isto é moderadamente aceitável. Agora ouvir ou ler "fatal" de uma coisa que não come, não bebe, não respira e acima de tudo não faz sexo é um autêntico abuso de linguagem. Estas coisas são para serem medidas antes de serem usadas! Senão vejamos: os computadores foram inventados para nos ajudarem. O que eles supostamente fazem é prestar auxílio. Não foram inventados para se armarem em aquilo que tecnicamente se designa de maricas, com "erros fatais" e campainhas de alerta.
Eu bem imagino o que se deve passar naquele cérebro artificial e tecnologicamente dramático...

"-Ai, olha só para mim, tenho tantos programas a correr... a RAM está saturadíssima, que horror! Acho que vou ter um erro fatal! Ai meu Deus! Pronto, já foi, tenho que reiniciar. Agora deixa-me só retocar aqui a "maquilhage"."

E é assim que se passa um vulgar crash com a tecnologia moderna. Depois não querem que as novas gerações sejam como as de antigamente: cheias de simplicidade, valores morais e bem lá no fundo, sexualidade reprimida.
Os técnicos de computação por mim iam trabalhar no campo, para verem quanto custa a vida ante de se lembrarem de fazer máquinas melodramáticas. Até já os imagino a podar as terras, ao mesmo tempo que matam a sede através do cantil comunitário e cantam lindas canções de programador. Ali cheios de pujança a dançar o fadango. Desta maneira já adivinho o meu computador a expressar-se contra o que está mal:

"-Ocorreu um erro, porra! Mas que jeitos? Agora é começar tudo de novo! Ah Quim, passa aí o tintol!"

Faz-te um homem, Informática. Aprende comigo, olha que eu não duro para sempre.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

É o quê pá? V

É só impressão minha ou o Carnaval da Mealhada não é o Carnaval mais brasileiro de Portugal mais sim o Carnaval com mais dançarinas de porte amplo e com mais seios arrepiados de Portugal?
E ainda quiseram seis escolas de samba. Com o bom tempo que se fez sentir em pleno Inverno, provavelmente rentabilizariam mais a coisa se tivessem pago ao Pai Natal para vir dançar o "Mamãe eu quero".

sábado, fevereiro 11, 2006

O macaco avariado

Se há alturas em que eu tenho vergonha por pertencer à espécie humana, há com certeza outras em que eu me sinto absolutamente orgulhoso de ser catalogado como Homo sapiens sapiens. Tirando a parte do Homo claro, a ambiguidade da linguagem é uma coisa extraordinariamente irritante.
A verdade é que a nossa superioridade é notável, até porque toda a gente diz que os seres mais evoluídos de todos são os humanos. Isto no fundo é em si já um bocado para o egoísta. com certza que as baleias de bossa, por exemplo, dizem que são elas as que merecem ser donas do planeta, o que é perfeitamente ridículo, visto que nenhum animal com bossa no nome merece seja o que for.

De qualquer das formas, os últimos acontecimentos vividos à custa de umas certas caricaturas nuns determinados jornais dinamarqueses fizeram-me mesmo mudar de opinião em relação ao funcionamento da Natureza. E eu estou feliz por ver que afinal a minha espécie está muito mais próxima das outras do que eu pensava.

Quero então deixar aqui a pergunta: após milhares de milhões de anos de evolução, quais são os únicos seres vivos que se querem provocar e exterminar uns aos outros à conta de bonecada? Pondo de parte os fãs de O Meu Odioso e Inacreditável Noivo só restamos nós, as pessoas. E é essa extraordinária capacidade que nos distingue da parafernália dos animais ditos irracionais. Ditos, claro, não sei bem é por quem.

É que já pensaram nas dimensões que esta coisa dos cartunes está a tomar? Francamente tudo isto me assustou, principalmente a parte de descobrir que afinal na língua portuguesa se escreve cartune e não cartoon. Já estão como os blogues e os blogs.
Mesmo assim, será possível enfurecer assim tanto alguém por causa de um desenho ou de uma descrição a puxar para o parvo? A mim há coisas que me tiram muito mais do sério. Palhaços, por exemplo. A generalidade das gentes acha imensa piada àqueles traquinas que se fazem de estúpidos. Eu nunca me rio com palhaços. Os palhaços enervam-me já desde criancinha. Todavia, eu não acho que seja razão para eu querer matá-los, até porque nem conheço pessoalmente o sr. George W. Bush.

Cá para mim há aqui uma certa mensagem subjacente à destruição de embaixadas por parte de fanáticos e à contínua provocação dos media. É sem dúvida uma coisa bem arquitectada, senão vejamos: com o passar do tempo, temos andado a ficar cada vez mais civilizados; mais vestidinhos, a viver mais tempo, a fazer sexo mais imaginativo. Tudo isto é puxar um bocado o limite: é que acima de tudo somos animais. Faz-nos falta grunhir, faz-nos falta fazer cocó onde bem nos apetecer, faz-nos falta andar por aí a dar pancada a quem não gostamos. Sobretudo faz-nos falta não dizer mais vezes a palavra cocó. Por isso há pessoas que se preocupam com isso. Eu acho muito bem que os jornais continuem a chatear os religiosos e que os fanáticos continuem a querer destruir os símbolos dos países que indirectamente os ofenderam. Assim é como se fosse sempre um lembrete para as nossas origens. E não é a primeira vez, o mesmo já aconteceu com a invenção da pólvora, da energia nuclear e claro, da pornografia.

Na minha humilde opinião, o próximo passo para o nosso desenvolvimento é definitivamente misturarmo-nos outra vez com a bicharada. Não duvidem muito disso. Com este ritmo, mais cedo ou mais tarde chegaremos ao nosso derradeiro objectivo. E aí o Homem vai provavelmente etender que não passa de um macaco avariado, que por acaso sabe resolver puzzles por vontade própria.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

I think I Broke my Back Mountain

Parece que o grande nomeado para os Óscares deste ano é o filme realizado por Ang Lee, O segredo de Brokeback Mountain. Traduzindo em língua corrente, o filme dos cowboys gay. Como seria de esperar, a comunidade norte-americana está chocada, nomedamente aquela que acha que George W. Bush tem na verdade uns discursos realmente profundos. Essa malta então deve andar derreada.

Devo confessar que não vi o filme, principalmente porque já estou farto de westerns, mas mesmo assim não posso deixar de o comentar. É que as críticas dizem que é estúpido por parte das pesoas dizerem mal de O segredo de Brokeback Mountain sem sequer se terem dirigido uma sala de cinema para o verem. Como eu sou estúpido, posso escrever sobre o que muito bem entender. E esta é de certeza uma oportunidade que não vou deixar passar.

Por um lado, esta mostra da realidade americana pode-nos deixar muito mais esclarecidos. Pelo menos toda a gente entende agora porque é que nas histórias os índios fugiam sempre dos cowboys cada vez que os viam. Chamem-lhes um figo.
Por outro, não me surprende mesmo nada se isto dos relatos de relações homossexuais começar a pegar. Qualquer dia ainda até teremos finais gay nas telenovelas....

Ah esperem...

Já temos?

Hum... pelos vistos isto foi mais rápido do que eu pensava. De qualquer das formas, aqui ficam mais algumas ideias para guiões de futuros ganhadores dos prémios da Academia. Senhores realizadores, e que tal para um próximo trabalho vosso adaptarem romances que falem de:

-Uma história de amor sobre dois militares gay em missão no Iraque;
-Uma história de amor sobre duas empregadas de Mc Donald's lésbicas;
-Uma história de amor sobre dois guardas florestais gay;
-Uma história de amor sobre duas educadoras de infância lésbicas;
-Uma história de amor sobre dois dinossauros gay;
-Uma história de terror... mas o vilão é gay;
-Uma história de amor sobre dois oficiais das finanças gay;
-Uma história de amor sobre um gay e uma lésbica;
-Uma história de amor sobre um casal heterossexual, mas em jeito de revista à portuguesa (e portanto...) .

Por muito recorrentes que possam parecer, assim sim, terão enredos prestigiantes.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

The sick, talking lady on my bus way home

There's a sick, talking lady
On my bus way home.
She's looking kind of shady,
Like a very drunk gnome.

And she's breathing on my neck.
What the heck, what the heck?

Her throat is totally sore
But that sure is no stopper.
I've never seen it before,
Her mind has gone popper.

And she's coughing on my neck.
What the heck, what the heck?

She doesn't stop complaining
She says she's getting old
She says she's really sick
'Cause she's got this winter cold

And she's sneezing on my neck.
What the heck, what the heck?

We got stuck in a traffic jam,
I suffered for the longest one hour.
I just don't know who I am!
I feel my brain is going to sour.

And she's burping on my neck.
What the heck, what the heck?

As you can imagine, I got a new episode
Regarding public transportation.
This kind of stuff is not meant to bode
Well on my stupid reputation.

She was driving me crazy
Her head I wanted to pluck
So I turned around to her and said:
"Lady, WHAT THE F***?"

I am just too embarrassed to write what I experienced today in portuguese. However, before I finish this I feel that I need to write something in my mother tongue.
At least something original.
Obstipação.
There you go.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Carnival Sádico

Escrevi este post com o intuito de, pela primeira vez, poder utilizar esta expressão numa opinião moderadamente estúpida.

Carnival Sádico.

Veio-me mesmo agora à cabeça e espero que nunca mais saia. Este é o termo que define com exactidão a mistura entre uma manifestação gay e um filme de Joaquim César Monteiro. É no mínimo estonteante.

sábado, janeiro 21, 2006

Eu voto. E você?

Hoje é um dia mítico. É aquele dia em que ninguém sabe muito bem o que fazer, pois todos estamos muito compenetrados na nossa reflexão política. Eu não gosto deste conceito. Verdade seja dita, eu gosto cada vez menos da reflexão política e cada vez mais da reflexão acerca dos fartos e generosos seios de Carmen Electra, por exemplo. Graças a Deus ninguém proíbe a propaganda disso.
Pelo contrário, hoje é supostamente proibido falar de candidatos presidenciais, já que amanã vamos a votos. E a mim até apetecia cumprir isso. Acho que os inúmeros três leitores do meu blogue merecem isso. Por essa razão não digo nomes, nunca me engano e raramente tenho dúvidas. Agora tenho é que deixar o meu ponto de vista.
Se há temas que estão sempre em voga nos artigos de opinião como este são com certeza coisas como religião, economia, um reality show da treta que esteja a passar na TV e política.
De facto, em relação ao (des) governo do nosso belo país, toda a gente tem sempre um ponto de vista para dar. No entanto, e analisando bem as coisas, parece-me que eu sou uma excepção. Digamos apenas que a minha noção de regime político não é grande coisa: desde que aos 8 anos escrevi numa redacção que se podia ganhar as eleições a Rei, especialmente no país das fadas, comecei a desconfiar de alguma coisa que eu achasse muito certa. Feitas bem as contas é melhor não opinar em demasia, a Cautela é amiga da Prudência. E o Prestígio é padrinho da Discrição, que é casada com o irmão da Justiça.
A verdade é que eu adoro a época das campanhas eleitorais, porque as pessoas andam juntinhas com as cores iguais, mandam piropos defendendo o seu partido/candidato e fazem uma chiadeira infernal com os automóveis. Onde é que já vi isto? Ah, no futebol, sim. Mas há qualquer coisa de... não direi diferente, direi mesmo foleiro que caracteriza a altura. E há dois importantes sinais que nos podem indicar que dentro em breve iremos a votos.
O primeiro é que toda a gente nos cafés muda de súbito o estilo da conversa. O que dantes era um simples: “Ó Jéssica Susana, já comestes o pastel?”, agora é mais requintado, muito menos burgesso, algo como: “Jéssica S., o que pensa da alteração sistemática dos objectivos propostos por cada um dos candidatos?” É um fenómeno parecido com pegarem no Ali G. e transformarem-no no Papa.
O segundo indicador é mais óbvio: por tudo o que é estrada de Portugal estão espalhadas resmas de cartazes a mostrar o pretendente à cadeira do poder. Basicamente é uma espécie de Miss Calendário Da Oficina do Zé Tóino, mas com miúdas mais feias.
Realmente, eu não sei como é que os responsáveis pela publicidade das campanhas ainda não se aperceberam que ninguém olha para a foto de um senhor velhinho a vender ideias (com todo o respeito e mais algum que eu tenho em relação aos diversos candidatos). O dia que resolverem pôr a Paris Hilton a expor a sua “generosidade” pelos caminhos da nossa nação, aí sim eu vou às urnas. Não faço a mínima ideia acerca de partido algum, mas nela eu voto de certeza. E nos fartos e generosos seios de Carmen Electra também. Vive la democracie!

terça-feira, janeiro 17, 2006

Onde é que a gente íamos?

É um facto consumado: ando sem ideias. Mesmo assim, nas minhas últimas e muito pouco interessantes divagações, facilmente constatei que todo um revolucionário fenómeno intelectual começa a insurgir na nossa terrinha à beira-mar plantada.
Lembram-se da estética pela anti-estética? Não? Quero dizer, eu lembro, foi uma expressão extremamente poética que um professor meu uma vez utilizou para dizer muito elegantemente que o meu trabalho de grupo estava uma porcaria. Uma porcaria muito grande.

O que acontece é o mesmo que se passou com a estética pela anti-estética. Aliás, é muito mais científico do que isso, não fosse eu um homem dedicado a essa área.
Tal como a matéria (protões positivos, electrões negativos) tem como oposição a anti-matéria (protões negativos, electrões positivos), a intelectualidade (cérebro cheio de coisas etéreas) começa a ter a anti-intelectualidade (cérebro cheio de coisas que saem no 24 Horas). Um dos expoentes máximos deste novo movimento é, na minha humilde opinião, esse grupo de grandes comentadoras e analistas socio-políticas que são as senhoras que aparecem no programa do Manuel Luís Goucha, numa rubrica denominada Conversas de Quintal. Senão vejamos:

Todas elas são anafadinhas, sinal de que não devem fazer muito pela vida.
Todas elas dizem portantos.
Não raramente enunciam certas e determinadas coisas, chave essencial para se manter um diálogo que se queira pseudo-anti-intelectualóide.
Já disse que elas dizem portantos?
Do Lat. quintu, num. ord., o que numa série de cinco ocupa o último lugar; s. m., cada uma das cinco partes iguais em que se dividiu um todo; barril que é a quinta parte da pipa;
Aquilo é um arraial da palavra portantos. É quase sinistro.

Com tudo isto e muito mais que não me apetece escrever facilmente concluo que, prontos, a anti-intelectualidade não só existe como prolifera no nosso serviço público.


Como nós não soubéssemos já disso.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Intelectualidade VII

Hoje aconteceu-me algo de tão perfeito que mais adjectivos seriam absolutamente desnecessários.
Ia eu todo contente estrada fora pelo Monte de Caparica quando ouvi uma explosão: a mala que transportava (daquelas com rodinhas atrás) ficou de súbito sem fecho.
De acordo com todas aquelas regras particularmente desinteressantes da Física Clássica, começaram a sair, ou melhor, a jorrar os conteúdos da minha bagagem. O meu centro de reflexão neste post não é o porquê desse acontecimento mas sim o que saiu. Escrevi então algo mais elaborado a caminho de casa:

Hoje andava bem pelo Serrado
Com a mala bem aviada
Dei-lhe um guinete apertado
Saltou tudo de lambada

E eu chorei a minha alma pelo que caiu

Porque poderiam ter sido camisas bem dobradinhas
Porque poderiam ter sido t-shirts mais fashion
Porque poderiam ter sido até os meus cadernos
Mas não foram

Não foram coisas chiques
Foram coisas corriqueiras
mais propriamente BMT

Boxers
Meias
Tupperwares
Muitos tupperwares
que encheram a estrada nacional

Fez-se poesia.