A verdade é que eu mostrava-me chocado com o facto de ter descoberto que, feitas bem as contas, até Coca-Cola vendiam na Festa do Avante. Esta foi a observação que tive de volta:
"-Dah? Se calhar é a patrocinadora, não?"
Um blogue que era muito diferente de todos os outros blogues que fazem rir, na medida em que não fazia rir. Este blogue já não vive porque eu dei-lhe um tiro. A sua bela carcaça, contudo, conservou-se para efeitos de leitura.
"-Dah? Se calhar é a patrocinadora, não?"
Ele há coisas poéticas.
Não querem bater mais no ceguinho?
Como a fadazinha se habituou depressa conseguiu ganhar as eleições à rainha do País do Sol.Cá está. Dez anos depois vejam só no que deu.
"Filho, eu não trabalho em serviço."
É o colete retro-reflector pendurado no assento do condutor.
Eu confesso que até admiro uma artista como a Madonna. Agora o que eu nunca faria era aconselhá-la a cantar em português. É que por estes lados, se as pessoas vêem alguém a dizer que pretende dançar com o seu bebé, comentam. E as pessoas de cá são muito linguarudas.
Admito também que a parte da pedra ácida é um bocadinho rebuscada, mas era para dar mais ênfase à questão. O que sinceramente não consigo assimilar é a concepção da hierarquia social aqui presente. Só há burguesia, e depois o rebelde.
Reparem que na cantiga de José Malhoa temos quatro figuras fulcrais: a malta, o padre, "ela" que tem de ser apertada, e o sujeito lírico. Em Music só temos a burguesia e o rebelde. O bebé e o DJ também existem, mas esses não contam porque não interessam na luta de classes.
Mas se queremos aprofundar ainda mais as diferenças, há que ter em conta os versos seguintes de Aperta, aperta com ela:
E aqui está. Esta é uma das mais significativas produções musicais no âmbito da lírica portuguesa, e a meu ver transmite-nos mensagens tão inesquecíveis como o padre que "ajudou". Não sabemos bem o quê, nem como, mas o padre ajudou.
José Malhoa não está a insinuar que era tão tanso que teve que ser o pároco da sua localidade a encorajá-lo a fazer-se à moça, certo?
Eu espero que não, por isso é melhor fazer que não entendo que o padre não ajudou. Deu uma dica, pronto.
Agora, meus senhores e minhas senhoras, Ashlee Simpson:
Pois é, mas ver a irmão mais nova de Jessica Simpson a querer fazer lá lá é no mínimo supreendente. E confesso que me agrada a ideia da gata vadia: é... arrojada. Acho que me vou tornar fã de Ashlee Simpson.
De qualquer das formas, após a análise destes pequenos excertos de algumas músicas que se podem ouvir no quotidiano, posso concluir que o povo português é extramamente previsível: não estou a ser, nem quero ser anti-patriótico, mas não sei se já repararam que nós temos um comportamento igualzinho não só nos sons que ouvimos, mas também na roupa que vestimos, na comida que compramos, nos detergentes que usamos, e até nos amigos com quem andamos. Roda tudo à volta do invólucro, quando na realidade é exactamente a mesma coisa por dentro.
Quero dizer, com os amigos já é um bocadinho diferente.
Mas na pornografia não, por exemplo.
A pornografia é um ramo artístico em que eu acho que as discriminações mais se aplicam. Afinal, porque é que Giovana, a colegial, é melhor que Sheyla, a garota gulosona? Hã?
É porque a última, por ser gulosa, deve ser obesa? Isto tem que se interpretar tudo no seu contexto, não pode ser assim.
Depois deste desesperado momento de esquizofrenia sexual, acabo assim este post sobre música. Tudo a ver, não acham?
Este blogue está cada vez mais enriquecedor. Começa-se com José Malhoa, acaba-se com ídolos do Sexy Hot. Até era capaz de continuar, mas é melhor parar, que isto já vai muito à frente.
Concluindo, cada vez que ouvirem uma musiquinha, seja ela ligeira, seja ela pop, atentem na letra. Poderão encontrar mensagens úteis para a vida. Eu aprendi a apertar com ela.
...
Meu Deus, falar em apertar com ela no fim de se falar de sexo, já é abusivo, no mínimo. Over and out.
"Os gatos vadios é daqueles animais que a gente podemos fazer coisas."
"No outro dia apareceu-me lá um gato vadio e eu envenenei-o. Foi bué da
fixe."
"no meio das vinhas, aquilo devia lá ter cobras..."
"o gato 'tava a sangrar pela pilota, e tomates, nicles"
O bacalhau quer alho.
É o melhor tempero.
Quem comer alho
Fica rijo como um pêro.
Mas porquê?
Qual é o sentido disso?
O Quê?
Trinta por uma linha.
Meus amigos, e que maior exemplar do verdadeiro
espírito Etnografídico que o célebre "Come-as
Todas"?
Foi uma conversa interessante de se ouvir, foi.
Não há hipótese. É tiro e queda. Aprendam que ele não dura sempre. E viva a Etnossexualidade!