quarta-feira, janeiro 24, 2007
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Portugal... isn't that spanish for referendums?
Eu digo referendos porque aparentemente o nosso país facilmente se aborrece se estiver muito tempo sem votar. Verdade seja dia, desde que o Big Brother acabou, a variedade também já não é muita. Hoje em dia já não há Vanessas Flavianas que dizem muitas vezes "prontos" para expulsar de casa e isso ressente-se na sociedade. O mero contribuinte dirige-se às cabines e mete uma cruz para escolher um dos três: o governo, o presidente ou o aborto. Até eu que só exerço o meu dever de cidadão há pouco mais de um ano já me habituei a isto. Honestamente, já chateia.
É por isso que este ano escolho o aborto.
Ok, ok... estou a ser muito severo, é?
Pumba, viram? O outro lado também não perdeu pela demora. Exactamente, o mais engraçado nisto tudo é que temos dois lados. Este lado, o não, e o outro, que é a alternativa. Parece tudo tão fixo e limpinho, não é? Esperem até chegarem os eufemismos... aí vêem que o contrário de não nem é sim nem é o o resto... é aquilo mais ainda.
Vamos lá ver exemplos do que o comum dos leitores poderá pensar e a sua consciência político-social replicar:
1)Sou contra o aborto.
"Ai não digas aborto que soa a morte. E ambos sabemos que se queres ser dos escuteiros não podes falar de morte. Diz antes pró-vida!"
Pronto, pronto, sou pró-vida.
2)Sou a favor do aborto.
"Ai não digas a favor do aborto porque a favor disso não é pessoa alguma e parece mal. Diz antes que és a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas."
Iupi, sou a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas.
"Ai esse nome é muito comprido. Faz como os americanos e vira pró-escolha, que é para não seres contra-vida."
Ai o caraças. Sou pró-escolha.
Agora, caro leitor, reflicta em dois pontos que me parecem essenciais: o primeiro é o facto de a voz da sua consciência político-social começar com um "ai" antes de cada frase. A minha opinião é que isso é um recalcamento qualquer e é melhor consultar um psicanalista. O segundo ponto prende-se com o ser-se contra ou ser-se a favor. Para quê só duas posições se temos aqui tanta terra para semear? Porque não o "Sim, desde que o bebé seja homossexual" ou o "Não, desde que o bebé não vá integrar no suposto Jet Set português"? Urge este tipo de esclarecimento, até porque o que deste país está a precisar é mais um degradé de opiniões acéfalas. Pelo que sei, aquela cena em Lisboa não chega.
quarta-feira, novembro 15, 2006
Vou gritar-te uma coisa mesmo muito óbvia ao ouvido
quarta-feira, novembro 08, 2006
L'état humain
Eu: "-Olha, não te enganes a descer as escadas, senão ainda vais lá para baixo para as arrecadações dos materiais de limpeza. "
Carolina: "-Hã? Ah, sim limpezas, limpezas..."
Eu: "-O quê? A morgue? A morgue não funciona no hospital!"
Carolina: "-'Tás-te a passar? Claro que funciona... não me digas que nem sequer sabes o que é aquela chaminé..."
Eu: "-Aquela grande que deita fumo muito preto?"
Carolina: "-Sim..."
Eu: "-Sim, é a chaminé da cantina!"
Carolina: "-A cantina que existe ENTERRADA A 20 METROS DE PROFUNDIDADE?"
Eu: "-Então é o quê?"
Carolina: "-David... é o crematório."
Eu: "-O QUÊ? ELES TÊM UM CREMATÓRIO? Ó MEU DEUS!"
O meu mundo desabou. Completa e atrozmente. Ao ouvir estas palavras fiquei tão ou ainda mais atónito do que um deputado recém-eleito ao descobrir que afinal também existem serviços sociais na Assembleia da República.
Não sei o que fazer.
Nem o que pensar.
Será que sou um nadinha inocente demais para a minha condição de ser humano? Será que pertenço a uma geração que não tem bem a noção da presença da morte no quotidiano? Vou investigar e assim que obtiver respostas hei-de gritá-las ao Mundo inteiro. Isto logo assim que descobrir de que raio de gesso especial é que são feitos os ossos das aulas de Anatomia.
sábado, novembro 04, 2006
sexta-feira, outubro 06, 2006
Inspiração Perigosa
Ao que parece, Nelly afirma que ganhou a inspiração para o seu mais sexy álbum de sempre a brincar aos Legos com o filho. E eu acredito, ao contrário do que muita gente que colecciona cromos do Bollycao possa pensar.
De facto, acho que a ideia em si é bastante concebível. Quantos de nós não já se sentiram incrivelmente lascivos e sexy ao manusear brinquedos de crianças? Quantos? Exactamente: aqueles de nós que neste momento estão fechados na prisão e que, à medida que escrevo, levam tau tau por comportamento desviante. Mas não deixa de ser um pensamento refrescante. Uma brincadeirinha de criança, diga-se.
Afinal, eu até acho que a boneca da Anita me tem andado a fazer olhinhos ultimamente, aquela oferecida. Ainda vou ter de a mandar para o circo, ou para a quinta, ou para as compras, ou para a escola, ou para sei lá onde ela já andou. Vadia.
domingo, setembro 24, 2006
É pá mas o que é isto, pá?
O incrível neste especial é o facto de ter re-aprendido as mil e uma formas de insultar e humilhar alguém. Tenho a dizer que desejar que uma pessoa seja enviado para a entidade que a pariu, e sendo a profissão dessa senhora apanhar caruma com as costas, não é uma coisa pouco poética. É um quadro vivo.
Aliás, todo o processo de se mandar alguém à merda é um fenómeno que recorre a inúmeros artifícios de linguagem. As maneiras mais devastadoras não são para todos: até para a vilipendiação há elitismos, vistas bem as coisas. Com tanta evolução linguística, tem-se vindo a formar a hipótese da dificuldade de resolver os problemas com os meus inimigos (se é que tenha algum) eficientemente.
É pá, mas um pontapé mesmo no pescoço resolve tudo.
Obrigado, lixo televisivo!
terça-feira, setembro 19, 2006
Digam... AAAARGH!
Se a grande ordem cósmica o permitir um dia vou ser médico. Há quem diga que sim, há quem diga que não, há quem ria tanto que faça um bocadinho de chichi pelas calças abaixo. E sim, outras pessoas já me perguntaram qual a especialidade que gostava mais de seguir, e a minha pessoa respondeu o que qualquer outra pessoa de rapaz de 19 anos responderia: "a ginecologia parece ser um ramo interessante".
Mas comecei lentamente a mudar as ideias e já me decidi: ginecologia é boa mas farta, eu quero é ser um médico curandeiro, como o senhor do vídeo. E o que é que uma critaura dessas faz? Fácil: o médico curandeiro é o senhor que cura úrsulas, trabeculoses, hepatitasá... Ora vejam.
Mais alguma dúvida é só telefonar para o sítio onde curam a carne das vacas loucas, que é uma doença muito perigosa. Estou lá em part-time.
quinta-feira, agosto 31, 2006
segunda-feira, julho 31, 2006
A gaja duplicada
terça-feira, julho 25, 2006
Cá se fazem, cá se pagam.
Certa bichanesa sorri à janela,
coitada dela
mais pálida que uma aguarela.
Sorri ao amigo,
qual dama mais afamada,
ama o menino
e por menina quer ser tratada!
Trinca aqui e ali,
carninha dura gosta esta donzela,
morde aqui e belisca acolá,
sabe a leitinho esta nossa princesa.
Ai, como o amor é bonito,
nem o pequeno petiz é daí afamado,
lindo senhorito apessoado,
és do outro lado???
Certa bichanesa sorri à janela,
coitada dela
mais pálida que uma aguarela!
segunda-feira, julho 24, 2006
Die Verwandlung
"O que é que me aconteceu?", pensou. Não era um sonho. O seu quarto, dantes original e de bom gosto, estava agora cheio de posters do Jack Johnson da Bravo e cartazes em jeito de tributo a tudo o que eram derivados de imitações de Bob Marley. À sua frente encontrava-se uma longboard roubada sabe lá Deus onde, com florzinhas havaianas a enfeitar. Olhou à sua direita, para a mesa de cabeceira e viu o seu bilhete de identidade. Não conseguiu ler bem, contudo Tiago André teve o horrível pressentimento de que já não se chamava Tiago André mas sim Tiago Maria. Agora já podia ser escuteiro também. Soltou um grito, desesperado, e por fim tentou acalmar-se. A sua família não o podia ver assim. Assim que os seus pais olhassem para a parede pintada com uma folha de Cannabis sativa com a legenda Legalize, sabendo bem que Tiago André, agora Tiago Maria, não passava de um tosco que se queria armar em fixe, iriam ficar boquiabertos. E assim que reparassem no seu novo estilo, iriam deixar de o tratar como um ser humano e passar a discriminá-lo pelo cordeiro portuguesinho que se havia tornado.
Tinha conseguido converter-se numa cópia maricas de si mesmo. Estava condenado.
Tiago Maria decidiu então saltar pela janela e enfiar-se no casting mais próximo para os Morangos com Açúcar. De entre os trágicos finais possíveis, este seria de todos o mais justo.
sexta-feira, julho 07, 2006
"Coisa dji póbri"
Depois da minha insignificante análise da Floribella, chegou a vez de uma aproximação profunda ao universo de Tempo de Viver, a nova aposta do canal televisivo que tantas maravilhas nos dá como o programa do Goucha.
Diz que o novo conto popular mistura terrorismo internacional com a luta de classes em Portugal. Sei que no meio disto tudo entram os ataques do 11 de Setembro em Nova Iorque, de acordo com a novela morreu lá UMA pessoa, cuja mala perdida é muito importante para o enredo, e que mais tarde vai reaparecer. Enfim, são coisas da vida, não são? Gostava de poder dizer mais sobre este assunto tão pertinente. A verdade é que não há nada para dizer. Pulp Fiction, alguém? Enfim, vamos mas é falar da minha Maria Laurinda.
Que coisa é essa, Maria Laurinda? - perguntam agora vocês. - É um secador de cabelo? Isso come-se? E eu digo: Não, é uma pessoa. E ao mesmo tempo também não é um secador de cabelo. Se bem que a parte do comer tem bastante sentido. A Maria Laurinda, ou Laura, como prefere que lhe tratem os seus amigos do country club, é uma mazona. Menina rica mimada, poderão pensar ao princípio... mas nem por isso: a família dela é pobrezinha e por isso Maria Laurinda faz-se passar por rainha da Sabóia, de forma a não se identificar com a gentinha. Claro que isto tudo faz sofrer o seu clã, sempre com a lágrima ao canto do olho: afinal de contas isto é uma coisa à portuguesa.
A verdade é que a Maria Laurinda manipula as pessoas. A Maria Laurinda é cínica. A Maria Laurinda não olha a meios para atingir os fins. A Maria Laurinda é terrível. E os diálogos dela também. Melhor, todos os diálogos de Tempo de Viver são terríveis, daí meterem muito medo e eu gostar tanto da Maria Laurinda.
Atenção: o trabalho da actriz Margarida Vila-Nova, que interpreta o papel desta personagem, não está aqui posto em causa. O cruzar e descruzar de pernas numa cena pseudo sensual encabeçada pela Benedita Pereira é que talvez possam estar. Pelo menos um bocadinho. É que há um filme, pouco conhecido talvez, chamado Instinto Fatal. Estão a ver qual é? É aquele com aquela actriz americana também pouco conhecida, a Sharon Stone, sabem? É que há lá uma cena que é algo parecida. Mas os americanos também imitam tudo. Até vão ao futuro para imitar melhor, vejam lá bem.
Numa nota final sobre o enredo, vi uma cena em que um senhor bem posto na vida se agarrou ao jardineiro (como já expressei antes, é um tema da moda) e depois à Maria Laurinda, no fim de fugir à mulher. Perceberam alguma coisa? Eu também não. Isso, mais do que a mala perdida nas Twin Towers, é outro grande mistério.
Enfim, quanto mais episódios vejo, mais me apercebo de que a guerra entre estações televisivas afinal não é só de audiências: também roda à volta de ideologias. A Floribella diz que é rica em sonhos e pobre em ouro, mas não importa. Já a Maria Laurinda prefere morrer do que ter de trabalhar num supermercado. Estou cerebralmente exausto de tentar seguir estes dois marcos intelectuais antagónicos. Afinal o que é que é bom? Marx, neste momento , deve estar a dar voltas no túmulo. E a pensar que "coisa dji póbri" é esta, também.
terça-feira, junho 27, 2006
Intelectualidade VIII
Que bom.
Por um lado, é sempre agradável verificar que os marrões do departamento de Matemática se andam a alimentar bem. Por outro lado, o pensamento de que alguém antes de mim se alambazou ao mesmo tempo que pôs as mãos neste teclado é terrífico. Acho que vou parar de escrever agora. Ai vou vou.
terça-feira, maio 30, 2006
E ainda dizem mal da esquerda portuguesa?
NASCE PARTIDO DOS PEDÓFILOS NA HOLANDA
BRUXELAS, 30 MAI (ANSA) - O primeiro partido declaradamente pedófilo, que nasce hoje na Holanda com o objetivo de liberar a pornografia infantil e as relações sexuais entre adultos e crianças, se chamará NVD (Amor ao próximo, Liberdade e Diversidade).
"Educar as crianças significa também acostumá-las ao sexo. Proibir deixa as crianças mais curiosas", afirmou Ad Van den Berg, 62 anos, fundador do partido, em entrevista ao jornal holandês Algemeen Dagblad.
Segundo Van den Berg, a imagem dos pedófilos foi desonrada pelo escândalo do assassino de crianças belga Marc Dutroux e acredita que, ao se lançar na política, esta pode, ao contrário, melhorar.
No programa do NVD não há apenas pornografia infantil. O partido propõe a extinção do Senado e das funções do primeiro-ministro, a legalização de todas as drogas, leves e pesadas, e a prisão perpétua para os assassinos reincidentes.
O partido, em seu site na Internet, afirma que qualquer pessoa que tiver completado 16 anos deveria poder interpretar filmes pornôs e que a maioridade sexual deveria ser abaixada para 12 anos. (ANSA)30/05/2006 10:23
© Copyright ANSA. Todos os direitos reservados.
Wow. A sério. Não sei muito bem no que pensar, ou em que sentido dar à coisa. A verdade é que nem quero imaginar como é que eles se vão entreter nos plenários. Nunca o jogo da apanhada foi tão assustador.
domingo, abril 30, 2006
¿Dónde Está Usted, Flor?
Pelo que conheço, Floribella conta a história de uma menina pobrezinha mas feliz que trabalha para uma família rica. Alto: logo aqui somos transportados para um imaginário altamente original a nível de enredo. Isto é daqueles que nem sabemos se a personagem aterra no chão se se desequilibrar. A própria protagonista é curiosa: reparem que, mesmo tendo sotaque do Norte, a gaiata não manda as pessoas para o caraças por lhe chamarem trinca-espinhas. Isto é muito peculiar visto que parece ter havido uma falha por parte dos argumentistas, mesmo que eles falem espanhol. Eu sou magrinho e odeio de morte quem me chame trinca-espinhas, quanto mais outros nomes. Se fosse à Flor com certeza mandaria a boazona convencida que namora com o dono da mansão ir para uma certa parte anatómica, ainda que isso obrigasse a um tom ligeiramente brejeiro.
Todavia penso que o elemento principal da novela da Sic é a caracterização: aquela gente se se vira para um lado vê flores, se se vira para outro vê arcos-íris. Cores, luzes e alucinações. Não há meio termo, mas também é assim que as coisas também devem ser lá para América do Sul. A estabilidade política, como tudo, deve ter um preço. Pelos vistos na Argentina também.
terça-feira, abril 25, 2006
Porque sim

segunda-feira, abril 17, 2006
É preciso ver
Este vídeo não é recente, mas acho que pode ter sempre lugar neste blog. Afinal é disto que nós portugueses, quer queiramos quer não, somos feitos. Fado, Fátima e... hum, Zé Toino? Absorvam a poesia desta conversa amena.
Voz do Povo, voz de Deus. E do Pai Natal também.
sábado, março 25, 2006
Originalizar o Original
Por exemplos,
Primeiro temos as pessoas que ganham muitos prémios porque escolheram arrotar para os pontos finais, sim eu disse arrotar,é que eu sou muito ilustrativo. E isto só me faz lembrar aquele dia em que me vi ao espelho, passados três quartos de hora para as três da tarde deste vinte e cinco de março de dois mil e seis e os meus olhos, tão bonitos que são de tão escuros que parecem, observavam languidamente o meu reflexo naquele vidro reflector que me mostra a vida, tal e qual como ela não é; Ah David, estás mais velho, diz-me a minha irmã, está parva hoje a minha irmã, Não estou nada, só estou mais crescido, respondo eu, Está bem, mas tens mais barba, Pois, também não sou assim tão subdesenvolvido, Olha o que é o almoço?, Sei lá, estou cá com uma determinada larica, Sim mas a gente por muito que sofra nunca diz a palavra larica, é pá soa mal, Ah diz sim, Não diz não, Diz sim, Não diz não, Vai dar uma curva, Olha vai tu, respondo eu, ou será a minha irmã? Não sei, eu já perdi um bocado o rumo da conversa porque comecei a escrever tudo numa frase, demorada e com muitos advérbios de modo, que é para perceberem que eu sou muito inteligente e assim posso fazer o que me apetecer das regras de pontuação; não, não estou a imitar ninguém, estou só a ser original.
Depois temos a chamada repetição esquizofrénica. Aquela que se repte quase de oração em oração
como uma bufa intelectual.
Quem me dera poder ser quando me apetecesse, livre e barulhento
como uma bufa intelectual.
Lembro-me de como as coisas eram quando eu era pequeno. Tudo era tão simples. Todo o mundo resumia-se a mim e aos naperons da sala de jantar da casa da minha avó. Os naperons são coisas tão bonitas. Mas agora ninguém gosta deles. É uma pena. Porque com eles eu desprendia-me e voava, voava na minha interminável imaginação
como uma bufa intelectual.
Este fluxo narrativo é no mínimo catártico. Ao mesmo tempo vejam só quão literário começa a fica este post à medida que eu emprego expressões profundas como "fluxo narrativo" e "bufa".
Mas eu podia.
Talvez um dia.
Escrever poesia.
Amar é sentir.
Sentir é picar.
Picar é aleijar.
Aleijar o lingrinhas.
Do nosso coração.
Isto não é um poema.
São frases muito curtinhas.
Seguidas de parágrafos.
Como se vê.
Nos blogues poéticos.
Que lá porque o Fernando Pessoa.
Não rimava sempre.
Não quer dizer.
Que tenhamos de escrever textos inteirinhos.
Só assim.
Vazios.
Ok, eu rendo-me, em última análise é-me impossível surpreeder a minha vasta gama de três leitores sem imitar alguém ou algumas coisas. Excepto no que toca ao emprego (e enfim, projecção) de "bufas intelectuais", obviamente isso é meu. Pode ser ligeiramente idiota, vá lá, mas é meu.
Apesar de tudo, honestamente não sei o que me vai acontecer enquanto pseudoescritor. Talvez um dia me ponha a discretear sobre malta super caturreira, divorciada e com montes de amigos que se encontram no Lux e se divertem imenso e comece a pensar que isto realmente não é para mim.
Better luck next time.
quarta-feira, março 15, 2006
PC = Personal Challenge
A verdade é que eu já não confio tanto nas maquinetas como dantes: sem dúvida que são ferramentas úteis, mas na minha opinião têm vindo a transformar-se em autênticos monstros. Coisas ambulantes, sedentas de carnificina,tal e qual como o Chucky (o boneco assassino) ou o George Bush (o assassino abonecado).
No outro dia estava eu em puro engate no MSN Messenger quando o meu PC aparentemente se meteu de cama: tinha ocorrido um erro fatal, nada mais nada menos. Fiquei em estado de choque: a situação parecia gravíssima, ou ela me bloqueava ou eu ficaria com deixas más para o resto da vida. Isso não aconteceu (ainda), mas aquela coisa (o computador) disse que era fatal. Ora "Fatal", meus senhores, é um termo com um certo grau de seriedade. Utilizamos a palavra "fatal" numa situação em que queremos falar de homens de barba rija, estilo: "O David tem um olhar sedutor fatal. É por causa da fatalidade do seu bom aspecto." Isto é moderadamente aceitável. Agora ouvir ou ler "fatal" de uma coisa que não come, não bebe, não respira e acima de tudo não faz sexo é um autêntico abuso de linguagem. Estas coisas são para serem medidas antes de serem usadas! Senão vejamos: os computadores foram inventados para nos ajudarem. O que eles supostamente fazem é prestar auxílio. Não foram inventados para se armarem em aquilo que tecnicamente se designa de maricas, com "erros fatais" e campainhas de alerta.
Eu bem imagino o que se deve passar naquele cérebro artificial e tecnologicamente dramático...
"-Ai, olha só para mim, tenho tantos programas a correr... a RAM está saturadíssima, que horror! Acho que vou ter um erro fatal! Ai meu Deus! Pronto, já foi, tenho que reiniciar. Agora deixa-me só retocar aqui a "maquilhage"."
E é assim que se passa um vulgar crash com a tecnologia moderna. Depois não querem que as novas gerações sejam como as de antigamente: cheias de simplicidade, valores morais e bem lá no fundo, sexualidade reprimida.
Os técnicos de computação por mim iam trabalhar no campo, para verem quanto custa a vida ante de se lembrarem de fazer máquinas melodramáticas. Até já os imagino a podar as terras, ao mesmo tempo que matam a sede através do cantil comunitário e cantam lindas canções de programador. Ali cheios de pujança a dançar o fadango. Desta maneira já adivinho o meu computador a expressar-se contra o que está mal:
"-Ocorreu um erro, porra! Mas que jeitos? Agora é começar tudo de novo! Ah Quim, passa aí o tintol!"
Faz-te um homem, Informática. Aprende comigo, olha que eu não duro para sempre.