domingo, abril 30, 2006

¿Dónde Está Usted, Flor?

Eu gosto muito de mudar de nacionalidade. Às vezes sabe bem poder dizer que no meu país não mandam os cientistas para o catano nem se comem coisas tão inverosímeis como folhados mistos. É por isso que esta semana fui argentino durante 2 minutos e 57 segundos: este foi exactamente o tempo de vida que perdi a observar um episódio na novela infanto-juvenil importada para a Sic(k), Floribella. E aí vi que outras vezes ser português não é assim tão assustador. Só ocasionalmente.
Mesmo assim, não vou fazer como o resto da populaça blogueira e criticar a saga da mocinha que parece uma versão morcona da Agatha Ruiz de La Prada, nem pensar. Eu, como bom jovem que sou, venho até glorificar esta tremenda produção televisiva. Já era finalmente tempo dos miúdos pararem de ouvir as baboseiras dos Morangos com Açúcar para começarem a interessar-se por coisas muito mais maduras como cristais mágicos, fadas do vento e trânsito das classes sociais. Acho que todos estes são pontos fulcrais que precisavam de ser sobranceiramente abordados.

Pelo que conheço, Floribella conta a história de uma menina pobrezinha mas feliz que trabalha para uma família rica. Alto: logo aqui somos transportados para um imaginário altamente original a nível de enredo. Isto é daqueles que nem sabemos se a personagem aterra no chão se se desequilibrar. A própria protagonista é curiosa: reparem que, mesmo tendo sotaque do Norte, a gaiata não manda as pessoas para o caraças por lhe chamarem trinca-espinhas. Isto é muito peculiar visto que parece ter havido uma falha por parte dos argumentistas, mesmo que eles falem espanhol. Eu sou magrinho e odeio de morte quem me chame trinca-espinhas, quanto mais outros nomes. Se fosse à Flor com certeza mandaria a boazona convencida que namora com o dono da mansão ir para uma certa parte anatómica, ainda que isso obrigasse a um tom ligeiramente brejeiro.

Todavia penso que o elemento principal da novela da Sic é a caracterização: aquela gente se se vira para um lado vê flores, se se vira para outro vê arcos-íris. Cores, luzes e alucinações. Não há meio termo, mas também é assim que as coisas também devem ser lá para América do Sul. A estabilidade política, como tudo, deve ter um preço. Pelos vistos na Argentina também.
Resumindo e concluindo: com esta iniciativa tão inovadora e aparvalhadamente colorida, das duas uma: ou o povo luso começa a sofrer massivamente de epiplepsia, ou vira gay. O prognóstico é reservado. Mas a novela, essa dá todos os dias. Por supuesto.

terça-feira, abril 25, 2006

Porque sim

A cada ano que passa, mais tristes parecem ficar as comemorações do Dia da Liberdade. Tudo o que se exagera acaba por fartar, mas há coisas que não devo esquecer. Se por um lado é verdade que já foi há 32 anos e eu nem sequer projecto era, por outro é sempre bom lembrar-me da causa que justificou a liberdade de expressão que sempre me pareceu tão natural. E como qualquer outra, a revolução trouxe coisas muito boas e coisas honestamente estúpidas. Mas o que é o meu blogue face às conquistas de Abril? Fico na dúvida, contudo sei que enquanto homem de barba rija (até no peito), o cravo é a única florzinha que não me envergonho nada de ostentar. Uma rosa é muito cheirosa. Um lírio... que nome do catano. Agora um cravo... sempre.

segunda-feira, abril 17, 2006

É preciso ver

as coisas como é. Mas ninguém quer, há que ter cabeça e eles coiso, mergulham.
Este vídeo não é recente, mas acho que pode ter sempre lugar neste blog. Afinal é disto que nós portugueses, quer queiramos quer não, somos feitos. Fado, Fátima e... hum, Zé Toino? Absorvam a poesia desta conversa amena.


Voz do Povo, voz de Deus. E do Pai Natal também.

sábado, março 25, 2006

Originalizar o Original

Já fui alvo de muitas críticas, umas boas, outras más, outras meio amaricadas porque não se percebe se são boas ou são más. A única coisa que começo a reparar é que o estilo de escrita determina imediatamente a quantidade e o tipo de prestígio que vamos ter. E toda a gente sabe que o prestígio é uma coisa tão boa. Por isso hoje vou ser cativante e mudar a minha esquizofrénica arte literária, sem sequer pensar primeiro no assunto. Vejamos exemplos.

Por exemplos,
Primeiro temos as pessoas que ganham muitos prémios porque escolheram arrotar para os pontos finais, sim eu disse arrotar,é que eu sou muito ilustrativo. E isto só me faz lembrar aquele dia em que me vi ao espelho, passados três quartos de hora para as três da tarde deste vinte e cinco de março de dois mil e seis e os meus olhos, tão bonitos que são de tão escuros que parecem, observavam languidamente o meu reflexo naquele vidro reflector que me mostra a vida, tal e qual como ela não é; Ah David, estás mais velho, diz-me a minha irmã, está parva hoje a minha irmã, Não estou nada, só estou mais crescido, respondo eu, Está bem, mas tens mais barba, Pois, também não sou assim tão subdesenvolvido, Olha o que é o almoço?, Sei lá, estou cá com uma determinada larica, Sim mas a gente por muito que sofra nunca diz a palavra larica, é pá soa mal, Ah diz sim, Não diz não, Diz sim, Não diz não, Vai dar uma curva, Olha vai tu, respondo eu, ou será a minha irmã? Não sei, eu já perdi um bocado o rumo da conversa porque comecei a escrever tudo numa frase, demorada e com muitos advérbios de modo, que é para perceberem que eu sou muito inteligente e assim posso fazer o que me apetecer das regras de pontuação; não, não estou a imitar ninguém, estou só a ser original.

Depois temos a chamada repetição esquizofrénica. Aquela que se repte quase de oração em oração
como uma bufa intelectual.

Quem me dera poder ser quando me apetecesse, livre e barulhento
como uma bufa intelectual.

Lembro-me de como as coisas eram quando eu era pequeno. Tudo era tão simples. Todo o mundo resumia-se a mim e aos naperons da sala de jantar da casa da minha avó. Os naperons são coisas tão bonitas. Mas agora ninguém gosta deles. É uma pena. Porque com eles eu desprendia-me e voava, voava na minha interminável imaginação
como uma bufa intelectual.

Este fluxo narrativo é no mínimo catártico. Ao mesmo tempo vejam só quão literário começa a fica este post à medida que eu emprego expressões profundas como "fluxo narrativo" e "bufa".

Mas eu podia.
Talvez um dia.
Escrever poesia.
Amar é sentir.
Sentir é picar.
Picar é aleijar.
Aleijar o lingrinhas.
Do nosso coração.
Isto não é um poema.
São frases muito curtinhas.
Seguidas de parágrafos.
Como se vê.
Nos blogues poéticos.
Que lá porque o Fernando Pessoa.
Não rimava sempre.
Não quer dizer.
Que tenhamos de escrever textos inteirinhos.
Só assim.
Vazios.

Ok, eu rendo-me, em última análise é-me impossível surpreeder a minha vasta gama de três leitores sem imitar alguém ou algumas coisas. Excepto no que toca ao emprego (e enfim, projecção) de "bufas intelectuais", obviamente isso é meu. Pode ser ligeiramente idiota, vá lá, mas é meu.
Apesar de tudo, honestamente não sei o que me vai acontecer enquanto pseudoescritor. Talvez um dia me ponha a discretear sobre malta super caturreira, divorciada e com montes de amigos que se encontram no Lux e se divertem imenso e comece a pensar que isto realmente não é para mim.
Better luck next time.

quarta-feira, março 15, 2006

PC = Personal Challenge

Há pessoas que acham muita piada aos computadores. Quem me ler agora deve estar a pensar que eu endoideci e resolvi começar a falar de mim próprio, mas desengane-se. Parece que há algo de misteriosamente fascinante numa coisa que funciona à base de se carregar em botões, e eu muito honestamente não percebo porquê.
A verdade é que eu já não confio tanto nas maquinetas como dantes: sem dúvida que são ferramentas úteis, mas na minha opinião têm vindo a transformar-se em autênticos monstros. Coisas ambulantes, sedentas de carnificina,tal e qual como o Chucky (o boneco assassino) ou o George Bush (o assassino abonecado).
Todavia, como a culpa não morre solteira, há um responsável pelo meu mais recente transtorno com o mundo cibernético. Há sempre um responsável para tudo. Até para o onanismo. Esse responsável é o sistema operativo das janelas.O Windows está para o PC assim como o Cornudo está para os cães do Inferno. Não há melhor analogia para uma entidade que me faz coisas que não há direito. Irei agora a um exemplo concreto:

No outro dia estava eu em puro engate no MSN Messenger quando o meu PC aparentemente se meteu de cama: tinha ocorrido um erro fatal, nada mais nada menos. Fiquei em estado de choque: a situação parecia gravíssima, ou ela me bloqueava ou eu ficaria com deixas más para o resto da vida. Isso não aconteceu (ainda), mas aquela coisa (o computador) disse que era fatal. Ora "Fatal", meus senhores, é um termo com um certo grau de seriedade. Utilizamos a palavra "fatal" numa situação em que queremos falar de homens de barba rija, estilo: "O David tem um olhar sedutor fatal. É por causa da fatalidade do seu bom aspecto." Isto é moderadamente aceitável. Agora ouvir ou ler "fatal" de uma coisa que não come, não bebe, não respira e acima de tudo não faz sexo é um autêntico abuso de linguagem. Estas coisas são para serem medidas antes de serem usadas! Senão vejamos: os computadores foram inventados para nos ajudarem. O que eles supostamente fazem é prestar auxílio. Não foram inventados para se armarem em aquilo que tecnicamente se designa de maricas, com "erros fatais" e campainhas de alerta.
Eu bem imagino o que se deve passar naquele cérebro artificial e tecnologicamente dramático...

"-Ai, olha só para mim, tenho tantos programas a correr... a RAM está saturadíssima, que horror! Acho que vou ter um erro fatal! Ai meu Deus! Pronto, já foi, tenho que reiniciar. Agora deixa-me só retocar aqui a "maquilhage"."

E é assim que se passa um vulgar crash com a tecnologia moderna. Depois não querem que as novas gerações sejam como as de antigamente: cheias de simplicidade, valores morais e bem lá no fundo, sexualidade reprimida.
Os técnicos de computação por mim iam trabalhar no campo, para verem quanto custa a vida ante de se lembrarem de fazer máquinas melodramáticas. Até já os imagino a podar as terras, ao mesmo tempo que matam a sede através do cantil comunitário e cantam lindas canções de programador. Ali cheios de pujança a dançar o fadango. Desta maneira já adivinho o meu computador a expressar-se contra o que está mal:

"-Ocorreu um erro, porra! Mas que jeitos? Agora é começar tudo de novo! Ah Quim, passa aí o tintol!"

Faz-te um homem, Informática. Aprende comigo, olha que eu não duro para sempre.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

É o quê pá? V

É só impressão minha ou o Carnaval da Mealhada não é o Carnaval mais brasileiro de Portugal mais sim o Carnaval com mais dançarinas de porte amplo e com mais seios arrepiados de Portugal?
E ainda quiseram seis escolas de samba. Com o bom tempo que se fez sentir em pleno Inverno, provavelmente rentabilizariam mais a coisa se tivessem pago ao Pai Natal para vir dançar o "Mamãe eu quero".

sábado, fevereiro 11, 2006

O macaco avariado

Se há alturas em que eu tenho vergonha por pertencer à espécie humana, há com certeza outras em que eu me sinto absolutamente orgulhoso de ser catalogado como Homo sapiens sapiens. Tirando a parte do Homo claro, a ambiguidade da linguagem é uma coisa extraordinariamente irritante.
A verdade é que a nossa superioridade é notável, até porque toda a gente diz que os seres mais evoluídos de todos são os humanos. Isto no fundo é em si já um bocado para o egoísta. com certza que as baleias de bossa, por exemplo, dizem que são elas as que merecem ser donas do planeta, o que é perfeitamente ridículo, visto que nenhum animal com bossa no nome merece seja o que for.

De qualquer das formas, os últimos acontecimentos vividos à custa de umas certas caricaturas nuns determinados jornais dinamarqueses fizeram-me mesmo mudar de opinião em relação ao funcionamento da Natureza. E eu estou feliz por ver que afinal a minha espécie está muito mais próxima das outras do que eu pensava.

Quero então deixar aqui a pergunta: após milhares de milhões de anos de evolução, quais são os únicos seres vivos que se querem provocar e exterminar uns aos outros à conta de bonecada? Pondo de parte os fãs de O Meu Odioso e Inacreditável Noivo só restamos nós, as pessoas. E é essa extraordinária capacidade que nos distingue da parafernália dos animais ditos irracionais. Ditos, claro, não sei bem é por quem.

É que já pensaram nas dimensões que esta coisa dos cartunes está a tomar? Francamente tudo isto me assustou, principalmente a parte de descobrir que afinal na língua portuguesa se escreve cartune e não cartoon. Já estão como os blogues e os blogs.
Mesmo assim, será possível enfurecer assim tanto alguém por causa de um desenho ou de uma descrição a puxar para o parvo? A mim há coisas que me tiram muito mais do sério. Palhaços, por exemplo. A generalidade das gentes acha imensa piada àqueles traquinas que se fazem de estúpidos. Eu nunca me rio com palhaços. Os palhaços enervam-me já desde criancinha. Todavia, eu não acho que seja razão para eu querer matá-los, até porque nem conheço pessoalmente o sr. George W. Bush.

Cá para mim há aqui uma certa mensagem subjacente à destruição de embaixadas por parte de fanáticos e à contínua provocação dos media. É sem dúvida uma coisa bem arquitectada, senão vejamos: com o passar do tempo, temos andado a ficar cada vez mais civilizados; mais vestidinhos, a viver mais tempo, a fazer sexo mais imaginativo. Tudo isto é puxar um bocado o limite: é que acima de tudo somos animais. Faz-nos falta grunhir, faz-nos falta fazer cocó onde bem nos apetecer, faz-nos falta andar por aí a dar pancada a quem não gostamos. Sobretudo faz-nos falta não dizer mais vezes a palavra cocó. Por isso há pessoas que se preocupam com isso. Eu acho muito bem que os jornais continuem a chatear os religiosos e que os fanáticos continuem a querer destruir os símbolos dos países que indirectamente os ofenderam. Assim é como se fosse sempre um lembrete para as nossas origens. E não é a primeira vez, o mesmo já aconteceu com a invenção da pólvora, da energia nuclear e claro, da pornografia.

Na minha humilde opinião, o próximo passo para o nosso desenvolvimento é definitivamente misturarmo-nos outra vez com a bicharada. Não duvidem muito disso. Com este ritmo, mais cedo ou mais tarde chegaremos ao nosso derradeiro objectivo. E aí o Homem vai provavelmente etender que não passa de um macaco avariado, que por acaso sabe resolver puzzles por vontade própria.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

I think I Broke my Back Mountain

Parece que o grande nomeado para os Óscares deste ano é o filme realizado por Ang Lee, O segredo de Brokeback Mountain. Traduzindo em língua corrente, o filme dos cowboys gay. Como seria de esperar, a comunidade norte-americana está chocada, nomedamente aquela que acha que George W. Bush tem na verdade uns discursos realmente profundos. Essa malta então deve andar derreada.

Devo confessar que não vi o filme, principalmente porque já estou farto de westerns, mas mesmo assim não posso deixar de o comentar. É que as críticas dizem que é estúpido por parte das pesoas dizerem mal de O segredo de Brokeback Mountain sem sequer se terem dirigido uma sala de cinema para o verem. Como eu sou estúpido, posso escrever sobre o que muito bem entender. E esta é de certeza uma oportunidade que não vou deixar passar.

Por um lado, esta mostra da realidade americana pode-nos deixar muito mais esclarecidos. Pelo menos toda a gente entende agora porque é que nas histórias os índios fugiam sempre dos cowboys cada vez que os viam. Chamem-lhes um figo.
Por outro, não me surprende mesmo nada se isto dos relatos de relações homossexuais começar a pegar. Qualquer dia ainda até teremos finais gay nas telenovelas....

Ah esperem...

Já temos?

Hum... pelos vistos isto foi mais rápido do que eu pensava. De qualquer das formas, aqui ficam mais algumas ideias para guiões de futuros ganhadores dos prémios da Academia. Senhores realizadores, e que tal para um próximo trabalho vosso adaptarem romances que falem de:

-Uma história de amor sobre dois militares gay em missão no Iraque;
-Uma história de amor sobre duas empregadas de Mc Donald's lésbicas;
-Uma história de amor sobre dois guardas florestais gay;
-Uma história de amor sobre duas educadoras de infância lésbicas;
-Uma história de amor sobre dois dinossauros gay;
-Uma história de terror... mas o vilão é gay;
-Uma história de amor sobre dois oficiais das finanças gay;
-Uma história de amor sobre um gay e uma lésbica;
-Uma história de amor sobre um casal heterossexual, mas em jeito de revista à portuguesa (e portanto...) .

Por muito recorrentes que possam parecer, assim sim, terão enredos prestigiantes.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

The sick, talking lady on my bus way home

There's a sick, talking lady
On my bus way home.
She's looking kind of shady,
Like a very drunk gnome.

And she's breathing on my neck.
What the heck, what the heck?

Her throat is totally sore
But that sure is no stopper.
I've never seen it before,
Her mind has gone popper.

And she's coughing on my neck.
What the heck, what the heck?

She doesn't stop complaining
She says she's getting old
She says she's really sick
'Cause she's got this winter cold

And she's sneezing on my neck.
What the heck, what the heck?

We got stuck in a traffic jam,
I suffered for the longest one hour.
I just don't know who I am!
I feel my brain is going to sour.

And she's burping on my neck.
What the heck, what the heck?

As you can imagine, I got a new episode
Regarding public transportation.
This kind of stuff is not meant to bode
Well on my stupid reputation.

She was driving me crazy
Her head I wanted to pluck
So I turned around to her and said:
"Lady, WHAT THE F***?"

I am just too embarrassed to write what I experienced today in portuguese. However, before I finish this I feel that I need to write something in my mother tongue.
At least something original.
Obstipação.
There you go.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Carnival Sádico

Escrevi este post com o intuito de, pela primeira vez, poder utilizar esta expressão numa opinião moderadamente estúpida.

Carnival Sádico.

Veio-me mesmo agora à cabeça e espero que nunca mais saia. Este é o termo que define com exactidão a mistura entre uma manifestação gay e um filme de Joaquim César Monteiro. É no mínimo estonteante.

sábado, janeiro 21, 2006

Eu voto. E você?

Hoje é um dia mítico. É aquele dia em que ninguém sabe muito bem o que fazer, pois todos estamos muito compenetrados na nossa reflexão política. Eu não gosto deste conceito. Verdade seja dita, eu gosto cada vez menos da reflexão política e cada vez mais da reflexão acerca dos fartos e generosos seios de Carmen Electra, por exemplo. Graças a Deus ninguém proíbe a propaganda disso.
Pelo contrário, hoje é supostamente proibido falar de candidatos presidenciais, já que amanã vamos a votos. E a mim até apetecia cumprir isso. Acho que os inúmeros três leitores do meu blogue merecem isso. Por essa razão não digo nomes, nunca me engano e raramente tenho dúvidas. Agora tenho é que deixar o meu ponto de vista.
Se há temas que estão sempre em voga nos artigos de opinião como este são com certeza coisas como religião, economia, um reality show da treta que esteja a passar na TV e política.
De facto, em relação ao (des) governo do nosso belo país, toda a gente tem sempre um ponto de vista para dar. No entanto, e analisando bem as coisas, parece-me que eu sou uma excepção. Digamos apenas que a minha noção de regime político não é grande coisa: desde que aos 8 anos escrevi numa redacção que se podia ganhar as eleições a Rei, especialmente no país das fadas, comecei a desconfiar de alguma coisa que eu achasse muito certa. Feitas bem as contas é melhor não opinar em demasia, a Cautela é amiga da Prudência. E o Prestígio é padrinho da Discrição, que é casada com o irmão da Justiça.
A verdade é que eu adoro a época das campanhas eleitorais, porque as pessoas andam juntinhas com as cores iguais, mandam piropos defendendo o seu partido/candidato e fazem uma chiadeira infernal com os automóveis. Onde é que já vi isto? Ah, no futebol, sim. Mas há qualquer coisa de... não direi diferente, direi mesmo foleiro que caracteriza a altura. E há dois importantes sinais que nos podem indicar que dentro em breve iremos a votos.
O primeiro é que toda a gente nos cafés muda de súbito o estilo da conversa. O que dantes era um simples: “Ó Jéssica Susana, já comestes o pastel?”, agora é mais requintado, muito menos burgesso, algo como: “Jéssica S., o que pensa da alteração sistemática dos objectivos propostos por cada um dos candidatos?” É um fenómeno parecido com pegarem no Ali G. e transformarem-no no Papa.
O segundo indicador é mais óbvio: por tudo o que é estrada de Portugal estão espalhadas resmas de cartazes a mostrar o pretendente à cadeira do poder. Basicamente é uma espécie de Miss Calendário Da Oficina do Zé Tóino, mas com miúdas mais feias.
Realmente, eu não sei como é que os responsáveis pela publicidade das campanhas ainda não se aperceberam que ninguém olha para a foto de um senhor velhinho a vender ideias (com todo o respeito e mais algum que eu tenho em relação aos diversos candidatos). O dia que resolverem pôr a Paris Hilton a expor a sua “generosidade” pelos caminhos da nossa nação, aí sim eu vou às urnas. Não faço a mínima ideia acerca de partido algum, mas nela eu voto de certeza. E nos fartos e generosos seios de Carmen Electra também. Vive la democracie!

terça-feira, janeiro 17, 2006

Onde é que a gente íamos?

É um facto consumado: ando sem ideias. Mesmo assim, nas minhas últimas e muito pouco interessantes divagações, facilmente constatei que todo um revolucionário fenómeno intelectual começa a insurgir na nossa terrinha à beira-mar plantada.
Lembram-se da estética pela anti-estética? Não? Quero dizer, eu lembro, foi uma expressão extremamente poética que um professor meu uma vez utilizou para dizer muito elegantemente que o meu trabalho de grupo estava uma porcaria. Uma porcaria muito grande.

O que acontece é o mesmo que se passou com a estética pela anti-estética. Aliás, é muito mais científico do que isso, não fosse eu um homem dedicado a essa área.
Tal como a matéria (protões positivos, electrões negativos) tem como oposição a anti-matéria (protões negativos, electrões positivos), a intelectualidade (cérebro cheio de coisas etéreas) começa a ter a anti-intelectualidade (cérebro cheio de coisas que saem no 24 Horas). Um dos expoentes máximos deste novo movimento é, na minha humilde opinião, esse grupo de grandes comentadoras e analistas socio-políticas que são as senhoras que aparecem no programa do Manuel Luís Goucha, numa rubrica denominada Conversas de Quintal. Senão vejamos:

Todas elas são anafadinhas, sinal de que não devem fazer muito pela vida.
Todas elas dizem portantos.
Não raramente enunciam certas e determinadas coisas, chave essencial para se manter um diálogo que se queira pseudo-anti-intelectualóide.
Já disse que elas dizem portantos?
Do Lat. quintu, num. ord., o que numa série de cinco ocupa o último lugar; s. m., cada uma das cinco partes iguais em que se dividiu um todo; barril que é a quinta parte da pipa;
Aquilo é um arraial da palavra portantos. É quase sinistro.

Com tudo isto e muito mais que não me apetece escrever facilmente concluo que, prontos, a anti-intelectualidade não só existe como prolifera no nosso serviço público.


Como nós não soubéssemos já disso.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Intelectualidade VII

Hoje aconteceu-me algo de tão perfeito que mais adjectivos seriam absolutamente desnecessários.
Ia eu todo contente estrada fora pelo Monte de Caparica quando ouvi uma explosão: a mala que transportava (daquelas com rodinhas atrás) ficou de súbito sem fecho.
De acordo com todas aquelas regras particularmente desinteressantes da Física Clássica, começaram a sair, ou melhor, a jorrar os conteúdos da minha bagagem. O meu centro de reflexão neste post não é o porquê desse acontecimento mas sim o que saiu. Escrevi então algo mais elaborado a caminho de casa:

Hoje andava bem pelo Serrado
Com a mala bem aviada
Dei-lhe um guinete apertado
Saltou tudo de lambada

E eu chorei a minha alma pelo que caiu

Porque poderiam ter sido camisas bem dobradinhas
Porque poderiam ter sido t-shirts mais fashion
Porque poderiam ter sido até os meus cadernos
Mas não foram

Não foram coisas chiques
Foram coisas corriqueiras
mais propriamente BMT

Boxers
Meias
Tupperwares
Muitos tupperwares
que encheram a estrada nacional

Fez-se poesia.

quinta-feira, novembro 10, 2005

É o quê pá? IV

É disto que eu gosto. No outro dia, estava eu em amena cavaqueira com os meus colegas, quando uma miúda do meu curso disse uma coisa absolutamente aterradora.

A verdade é que eu mostrava-me chocado com o facto de ter descoberto que, feitas bem as contas, até Coca-Cola vendiam na Festa do Avante. Esta foi a observação que tive de volta:

"-Dah? Se calhar é a patrocinadora, não?"

Juro que nesse mesmo instante soou no interior da minha cabeça o jingle que dá no final dos sketches de "Os Batanetes".

segunda-feira, outubro 31, 2005

Diário de Caloiro II

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2005 - Dia D
20:14
Neste momento estou ensopado, constipado e convenhamos, algo desconfortável. Mas eu explico porquê. Até posso explicar o porquê de neste momento o meu cabelo se assemelhar mais a uma bilis de porco.

Ok, estamos na manhã de hoje. Eu dirijo-me para a faculdade a pé (as minhas mãos, graças a Deus, já não cheiram a banha de porco), entro muito bem pelos portões dentro e encontro todas as pessoas que são do meu curso encostadas à parede e matematicamente numeradas. Junto-me a elas e reparo que o meu curso é essencialmente constituído por raparigas. Com uma percentagem razoável de giras. Já estou mais feliz. Graças a Deus pelo par cromossómico XX.

Estávamos nós tão contentes a ser marcados como peças bovinas e a ser tratados como tal, quando nos informaram que teríamos que dar um passeiozinho. Demos as mãos num puro acto de ioga e equilíbrio (sim, porque cada um de nós tinha que dar a mão ao que ia na frente com esta a passar por entre as pernas), e lá fomos nós.
Passadas duas horas de muita gritaria a roçar o obsceno e de muita mistela bebida, tivemos direito a uma refeição na cantina. Mas atenção, porque tivemos que comer dois bifes com puré só com uma faca. Devo dizer que momentaneamente senti-me uma versão humilhada mas bastante realista de Batusai, o esquartejador.

Passados mais alguns episódios envolvendo comida e miúdas giras (esta era só mesmo para captar a atenção... estas coisas funcionam), lá nos fomos pintar à creche mais próxima. Levaram-nos para um recinto cheio de miúdos de cinco anos e eles próprios fizeram questão de nos salganharem o corpo todo com as suas tintas removíveis com água. E eu entretanto fiz uma descoberta fantástica. As criancinhas de tenra idade têm na verdade um cruel instinto assassino. E perverso. Provas? Primeiro, elas não tinham sido ensinadas. Segundo, deixo aqui o meu diálogo com uma dessas criaturas do Inferno:

"-Olá! Então como te chamas?"
"-Cala-te! Abaixa-te!"
"-Oh, pronto, eu baixo-me! Então o que me vais pintar?"
"-Prossora, dá-me o verde!"
...
(silêncio enquanto que o puto me suja todo)
...

Cá está. Foi uma situação algo embaraçosa, mas o negócio não ficou por aqui. Como já tinha dito, as tintas eram removíveis com água, e os veteranos aperceberam-se disso. Solução? Levámos com dois quilos de laca, batôm e pó de talco em cima. Ah pois. E não nos queixámos.

Passada uma hora, iniciu-se um aconchegador desfile de oito quilómetros até Almada. Agora aqui é que me faltam palavras para descrever as duas horas e meia mais turtuosas dam minha vida. Estão a ver aquele filme, A Paixão de Cristo? Estão a ver aquela pequena cena em que é o próprio Messias a levar cacetada até ao calvário? Pronto, nós estávamos mais ou menos assim, mas sem cruz às costas, vestidos com batas e com latas atadas às pernas. E a gritar :"Ó LEGI, chupa aqui!", claro está. Eu acho que Jesus não gritava coisas dessas pelo caminho, por isso esta foi mesmo a parte mais inovadora, acho eu.
Chegados a Almada, demos um pulinho para a fonte. Aí é que eu gostei de estar no desfile: éramos para aí uns setecentos caloiros a mergulhar alegremente naquelas águas. Digamos também que aquilo não eram exactamente águas. Na realidade, a fórmula química daquela estranha substância era nada mais nada menos do que H2Cócó.
De qualquer das formas, aquele era um cenário verdadeiramente peculiar. Tambores de um lado, cânticos do outro, mais parecia uma revolução. Mas sem florzinhas.

Assim, encharcado e pintado, apanhei um autocarro para casa e cá estou eu a escrever no meu quarto. Apercebo-me agora de quem tem que lavar estas roupas sou eu, e isso faz-me mesmo sentir homesick.
Que cheiro é este? O outro colega de casa está a cozinhar pombo. Agora sim estou deprimido.


E pronto, este foi o relato dos meus primeiros dias enquanto reles, insignificante e mísero caloiro. Claro que as praxes não se resumiram a isto, mas devo dizer que no geral gostei. Afinal de contas fiquei a conhecer muitas pessoas e isso é sempre bom. Devo também dizer que fiz um esforço hercúleo para tentar entender a minha letra e copiar esta blasfémia toda.
Agora é vida nova. Tudo novo. Mas as ideias, essas mudam. E estão sempre cá, estúpidas como sempre!

domingo, outubro 30, 2005

Intelectualidade VI

Ele há jogos de palavras muito subtis:


in O Mirante 28 Out. 2005, edição Lezíria do Tejo


Mais comentários para quê?

sexta-feira, outubro 14, 2005

Diário de Caloiro I

Finalmente, após todas estas semanas de intensa adaptação universitária, tive tempo para escrever qualquer coisinha de mais consistente neste blogue de ideias completamente incongruentes.
O que se passou, e infelizmente ainda se passa, é que eu ando a tomar parte naquele tão afamado ritual de acolhimento para os recém-chegados do ensino secundário, les praxes. Para quem não sabe ou ainda não se apercebeu da minha falta no liceu de Almeirim, entrei agora para a faculdade. Não, não assaltei o bar da escola e fugi com o stock de folhados mistos, vim mesmo para Lisboa. Por isso sinto que tenho algo a dizer sobre os acontecimentos que ocorrem nas mais recentes três semanas da minha vida.
Eu não podia estar mais em desacordo com aquelas pessoas que dizem que praxe é hierarquia. De facto, vou usar este intrépido blogue para desmascarar essa insinuação: praxe não é, nem nunca sonhará sequer ser hierarquia. Praxe é simplesmente humilhação e subversão de todos os valores eticamente aceitáveis. Praxe é meter uma grande rolha na boca dessa gorda senhora que é a dignidade humana. Contudo, praxe é diferente de muitas coisas que as pessoas possam pensar. Praxe não é, por exemplo, uma sandes de queijo. E isso é que a distingue de muita coisa neste mundo.
Por essa mesma razão, publico agora e aqui o meu diário de sofrimento, comdamente separado em vários posts, que eu tenho mais que fazer.

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2005 - Dia das inscrições:
23:30
Hoje, vai-se lá saber porquê, fui a primeira pessoa a inscrever-se. Quero dizer, aquilo era por ordem de chegada e eu por acaso cheguei em primeiro. Além de me marcarem como uma mera peça bovina (e isto é ser humilde), ensinaram-me um método linguístico completamente novo. Cada vez que me dirigissem a palavra, a única coisa que poderia afirmar era um poético grunhido. Mais nada. Mas o pior nem foi isso. Eu estava com a minha família, e a família normalmente apoia o coitadinho que está a sofrer. Sim, isso era o que se esperava. Aconteceu? NÃO. Enuqanto eu rastejava de joelhos a venerar veteranos e veteranas, a malta do meu fundo genético ainda se ria com a minha humilhação. Ó meu Deus.

A partir daí fiquei mais conhecido por BAAAH. Ou por cunhas, também vai-se lá saber porquê.
À tarde fui à procura de casa. Grande sorte, calhei num apartamente bem aceitável, no fim de ver bastantes e cujos hábitos de higiene muito ficavam a dever à palavra detergente. Tenho um quarto só para mim, e estou a partilhar a casa com mais dois tipos, ainda não sei quem são. Com um bocado de sorte não cheiram mal dos pés.


Domingo, 25 de Setembro de 2005 - Dia da chegada
22:15
Os tipos que moram comigo cheiram mal dos pés. Vá lá, estamos em quartos separados e eu já enchi o meu com aqueles ambientadores que a minha mãe trouxe de casa. Neste momento estou na minha cama e tudo o resto cheira-me a sabão de limpeza. Que frescura. Sou um tipo esquisito.
Há aqui um café ao pé da minha casa. Vou lá ver os ambientes.

01:30
As praxes já começaram. Conheci vários caloiros que como eu estão a morar ao pé da faculdade. O ambiente estava óptimo no café, até aparecerem uns veteranos com um ar inconfortavelmente tendente para o assassino. Obrigaram os meus recentes amigos a carregar móveis de madeira maciça do segundo andar para o rés-do-chão, e a mim a lavar 50 kgs de loiça que mais pareciam ter participado num ritual de sacrifício humano em tempos que já lá vão. Descobri depois de todo o meu empenho e coragem que o veterano abusador em questão era de Matemática, e sendo eu de Engenharia Química e Bioquímica, ele não estava autorizado praxar-me, segundo umas regras invisíveis que uns tipos com anos a mais por lá fizeram.
Quero matar alguém, mas não hoje que estou cheio de sono. Vou pôr isso na minha agenda. Mas não agora, que não me quero lembrar da fatídica limpeza de pratos.

02:03
As minha unhas ainda cheiram a banha de porco. Meu Deus, tenho que ir lavá-las pela trigésima vez. Bolas.

sábado, outubro 08, 2005

Intelectualidade V

Se há facto que que eu sempre julguei certo é que não se pode criticar a liberdade estilística assim à papo-seco. Se a oralidade difere da escrita, então o comezinho afasta-se e muito do puro trabalho intelectual.
A ver estes exemplos que encontrei apenas no espaço de uma semana, tenho que gritar a alto e bom som para todo o mundo me ouvir:

Ele há coisas poéticas.



in panfleto aleatório


in O Mirante 28 Set. 2005, edição Lezíria do Tejo


Ça, c'est beau.

quarta-feira, setembro 21, 2005

É o quê pá? III

Os nossos militares andam profundamente revoltados com o Presidente da República por não permitir que estes façam greve e mais, por promulgar várias medidas que não estão nada a favor dos responsáveis pela defesa nacional.

Na mesma semana, a TVI lança mais um reality show com "figuras públicas portuguesas", desta vez a brincarem à tropa.

A pergunta que deixo no ar é pura e simplesmente esta:

Não querem bater mais no ceguinho?

terça-feira, setembro 13, 2005

Expressão Escrita

Imagina como foi a vida da fadazinha do país do Sol

Uma vez, num certo país chamado País das Neves, havia uma fada que era um pouco tonta porque em vez de facetar os cristais de gelo que a rainha das fadas lhe mandava facetar preferia ir patinar nos lagos gelados com os seus patins de prata até que um dia deixou derreter os cristais com um pálido raio de Sol.
Zangada, a fada-rainha expulsou a pobre fada do País das Neves.
Então, a fadazinha partiu levando consigo os seus véus, os patins de prata e a varinha de condão.
Passou por picos nevados, florestas brancas até que chegou a um país que já não devia ser o País das Neves pois só havia verduras.
Então, ela foi-se apresentar à fada Rainha daquele país e contou-lhe a sua triste história.
-Está bem, podes ficar. - disse a fada Rainha. - Mas terás por companhia a fadazinha Rosa. Ela ensinar-te-á tudo o que aqui há.
-Concordo em absoluto, Sua Majestade!
Então, a fadazinha Rosa conseguiu habituá-la na sua vida no País do Sol.
Como a fadazinha se habituou depressa conseguiu ganhar as eleições à rainha do País do Sol.
Então, a antiga rainha disse-lhe:
-Parabéns fadazi... rainha fada. Tu mereces porque te esforçaste!
Então, a nova fada Rainha viveu o resto da sua vida feliz a comandar o País do Sol.

David Trincão, 5 de Março de 1997 (8 anos)


Isso mesmo. A criança doentia que escreveu isto foi nada mais nada menos do que eu mesmo, tirando a parte da criança, claro está. A imaginação dos mais novos, particulamente a minha, é perturbante. Bem, por onde devo começar?
Estilisticamente este texto é incomparável, nomeadamente na anaforização da palavra então e na insistência do uso de facetar, que é um verbo que não se ouve todos os dias. Como vi a melhor oportunidade para o poder utilizar, fiz questão de o fazer duas vezes seguidas, que era para deixar a coisa bem sublinhada.
Depois há um certo mistério latente em como o pálido raio de sol chegou ali e derreteu os cristais sem mais nem menos. Mas como eu tinha 8 anos, muito provavelmente achei que era melhor cortar no suspense para não estragar a progressão da narrativa.

Gostaria contudo de dar especial destaque à felicidade da fadazinha aquando na cadeira do poder e para a minha fantástica noção do sistema político vigente numa monarquia:
Como a fadazinha se habituou depressa conseguiu ganhar as eleições à rainha do País do Sol.
Cá está. Dez anos depois vejam só no que deu.