sexta-feira, julho 07, 2006

"Coisa dji póbri"

Como já tive oportunidade de expressar diversas vezes neste blogue, gosto muito da produção nacional a nível televisivo. Chamem-me um viciado no surrealismo, mas eu devoro telenovelas, especialmente as da TVI: para mim elas arrumam os Monty Python a um canto.
Depois da minha insignificante análise da Floribella, chegou a vez de uma aproximação profunda ao universo de Tempo de Viver, a nova aposta do canal televisivo que tantas maravilhas nos dá como o programa do Goucha.
Diz que o novo conto popular mistura terrorismo internacional com a luta de classes em Portugal. Sei que no meio disto tudo entram os ataques do 11 de Setembro em Nova Iorque, de acordo com a novela morreu lá UMA pessoa, cuja mala perdida é muito importante para o enredo, e que mais tarde vai reaparecer. Enfim, são coisas da vida, não são? Gostava de poder dizer mais sobre este assunto tão pertinente. A verdade é que não há nada para dizer. Pulp Fiction, alguém? Enfim, vamos mas é falar da minha Maria Laurinda.

Que coisa é essa, Maria Laurinda? - perguntam agora vocês. - É um secador de cabelo? Isso come-se? E eu digo: Não, é uma pessoa. E ao mesmo tempo também não é um secador de cabelo. Se bem que a parte do comer tem bastante sentido. A Maria Laurinda, ou Laura, como prefere que lhe tratem os seus amigos do country club, é uma mazona. Menina rica mimada, poderão pensar ao princípio... mas nem por isso: a família dela é pobrezinha e por isso Maria Laurinda faz-se passar por rainha da Sabóia, de forma a não se identificar com a gentinha. Claro que isto tudo faz sofrer o seu clã, sempre com a lágrima ao canto do olho: afinal de contas isto é uma coisa à portuguesa.
A verdade é que a Maria Laurinda manipula as pessoas. A Maria Laurinda é cínica. A Maria Laurinda não olha a meios para atingir os fins. A Maria Laurinda é terrível. E os diálogos dela também. Melhor, todos os diálogos de Tempo de Viver são terríveis, daí meterem muito medo e eu gostar tanto da Maria Laurinda.

Atenção: o trabalho da actriz Margarida Vila-Nova, que interpreta o papel desta personagem, não está aqui posto em causa. O cruzar e descruzar de pernas numa cena pseudo sensual encabeçada pela Benedita Pereira é que talvez possam estar. Pelo menos um bocadinho. É que há um filme, pouco conhecido talvez, chamado Instinto Fatal. Estão a ver qual é? É aquele com aquela actriz americana também pouco conhecida, a Sharon Stone, sabem? É que há lá uma cena que é algo parecida. Mas os americanos também imitam tudo. Até vão ao futuro para imitar melhor, vejam lá bem.
Numa nota final sobre o enredo, vi uma cena em que um senhor bem posto na vida se agarrou ao jardineiro (como já expressei antes, é um tema da moda) e depois à Maria Laurinda, no fim de fugir à mulher. Perceberam alguma coisa? Eu também não. Isso, mais do que a mala perdida nas Twin Towers, é outro grande mistério.

Enfim, quanto mais episódios vejo, mais me apercebo de que a guerra entre estações televisivas afinal não é só de audiências: também roda à volta de ideologias. A Floribella diz que é rica em sonhos e pobre em ouro, mas não importa. Já a Maria Laurinda prefere morrer do que ter de trabalhar num supermercado. Estou cerebralmente exausto de tentar seguir estes dois marcos intelectuais antagónicos. Afinal o que é que é bom? Marx, neste momento , deve estar a dar voltas no túmulo. E a pensar que "coisa dji póbri" é esta, também.

7 comentários:

♥ k disse...

Correcção: a super hiper mega boa telenovela que falas podia ser a "Dei-te quase tudo" mas é a "Tempo de viver"... enfim.. tão originais que é impossivel não as confundir, não é?

Desculpa lá qualquer coisinha.

besitos * * * * * * k

Davidptrincao disse...

Toda a razão te dou eu. O erro já está emendado, não fossem as pessoas confundir esta história com a dos irmãos que não são irmãos mas ela está grávida e agora não se sabe quem é o pai.
Obrigado e volta sempre!

Thiago disse...

Adorei esta análise!!

Maya disse...

Epah! lindo.. antes de mais nada devo so dizer que no deite quase tudo a rapariga gravida (alias sgdo o qe sei ja teve o filho) nao e irma do suposto irmao,mas sim irma do homem com qem vai, ou ja casou. mas tb n interessa, pq o tema aqui é o tempo de viver nao é assim? eu so digo uma coisa, eu Adoro a Maria Laurinda/Laura. (pronto adoro o papel da senhora actriz) e podes dizer mt mal, mas se fores a ver bem, retrata mt bem a sociedade em qe vivemos hoje em dia. mentiras, falsidades, hipocrisia, cinismo, gayzisses, ou neste caso seria melhor dizer Bizisses? So faltava as lesbiquices mas sabe-se la nao é.. tambem devo acrescentar que nao referiste um factor importante: Esta novela tem a boa ou má particularidade de falar no swing. Sim, ha um casal que muito estranhamente sai todas as sextas feiras e nunca dizem onde vao.. mas segundo o que sei (talvez das revistas Maria, deveras pedagogicas.. (nao, eu n as leio, disseram.me) ) saem para.. digamos practicar o dito swing. LOL a modos que é uma novela muito estranha, ou entao nao. Este comentario ta enorme (sim porque qd se trata de novelas ca estou eu..) portanto ach que me vou calar. Tenho dito.

Maya disse...

ah e vdd, vai ai ao meu blog e ve as coisinhas novas.. e ja agora podias fazer o obséquio (é assim qe se escreve?) de votar :P

Puto Charila disse...

Viva a Maria Laurinda!! looool

Maria Laurinda in da House!

Anónimo disse...

Desculpem lá , mas para além do Ninguém como Tu , o Tempo de Viver é a melhor novela da tvi. Já q a TVI só passa pimbalhada, basta pensar nos 3 anos de Anjo Selvagem (ou 6, pq está em repetição) e nas "relações familiares" do Dei-te Quase Tudo". Isto td pra dizer q quando ouvimos falar em novelas pensamos logo numa coisa má e de entretenimento básico e fraco. Habituámo-nos a pensar assim...mas a excepção confirma a regra.