Como já tive oportunidade de expressar diversas vezes neste blogue, gosto muito da produção nacional a nível televisivo. Chamem-me um viciado no surrealismo, mas eu devoro telenovelas, especialmente as da TVI: para mim elas arrumam os Monty Python a um canto.
Depois da minha insignificante análise da Floribella, chegou a vez de uma aproximação profunda ao universo de Tempo de Viver, a nova aposta do canal televisivo que tantas maravilhas nos dá como o programa do Goucha.
Diz que o novo conto popular mistura terrorismo internacional com a luta de classes em Portugal. Sei que no meio disto tudo entram os ataques do 11 de Setembro em Nova Iorque, de acordo com a novela morreu lá UMA pessoa, cuja mala perdida é muito importante para o enredo, e que mais tarde vai reaparecer. Enfim, são coisas da vida, não são? Gostava de poder dizer mais sobre este assunto tão pertinente. A verdade é que não há nada para dizer. Pulp Fiction, alguém? Enfim, vamos mas é falar da minha Maria Laurinda.
Que coisa é essa, Maria Laurinda? - perguntam agora vocês. - É um secador de cabelo? Isso come-se? E eu digo: Não, é uma pessoa. E ao mesmo tempo também não é um secador de cabelo. Se bem que a parte do comer tem bastante sentido. A Maria Laurinda, ou Laura, como prefere que lhe tratem os seus amigos do country club, é uma mazona. Menina rica mimada, poderão pensar ao princípio... mas nem por isso: a família dela é pobrezinha e por isso Maria Laurinda faz-se passar por rainha da Sabóia, de forma a não se identificar com a gentinha. Claro que isto tudo faz sofrer o seu clã, sempre com a lágrima ao canto do olho: afinal de contas isto é uma coisa à portuguesa.
A verdade é que a Maria Laurinda manipula as pessoas. A Maria Laurinda é cínica. A Maria Laurinda não olha a meios para atingir os fins. A Maria Laurinda é terrível. E os diálogos dela também. Melhor, todos os diálogos de Tempo de Viver são terríveis, daí meterem muito medo e eu gostar tanto da Maria Laurinda.
Atenção: o trabalho da actriz Margarida Vila-Nova, que interpreta o papel desta personagem, não está aqui posto em causa. O cruzar e descruzar de pernas numa cena pseudo sensual encabeçada pela Benedita Pereira é que talvez possam estar. Pelo menos um bocadinho. É que há um filme, pouco conhecido talvez, chamado Instinto Fatal. Estão a ver qual é? É aquele com aquela actriz americana também pouco conhecida, a Sharon Stone, sabem? É que há lá uma cena que é algo parecida. Mas os americanos também imitam tudo. Até vão ao futuro para imitar melhor, vejam lá bem.
Numa nota final sobre o enredo, vi uma cena em que um senhor bem posto na vida se agarrou ao jardineiro (como já expressei antes, é um tema da moda) e depois à Maria Laurinda, no fim de fugir à mulher. Perceberam alguma coisa? Eu também não. Isso, mais do que a mala perdida nas Twin Towers, é outro grande mistério.
Enfim, quanto mais episódios vejo, mais me apercebo de que a guerra entre estações televisivas afinal não é só de audiências: também roda à volta de ideologias. A Floribella diz que é rica em sonhos e pobre em ouro, mas não importa. Já a Maria Laurinda prefere morrer do que ter de trabalhar num supermercado. Estou cerebralmente exausto de tentar seguir estes dois marcos intelectuais antagónicos. Afinal o que é que é bom? Marx, neste momento , deve estar a dar voltas no túmulo. E a pensar que "coisa dji póbri" é esta, também.
Depois da minha insignificante análise da Floribella, chegou a vez de uma aproximação profunda ao universo de Tempo de Viver, a nova aposta do canal televisivo que tantas maravilhas nos dá como o programa do Goucha.
Diz que o novo conto popular mistura terrorismo internacional com a luta de classes em Portugal. Sei que no meio disto tudo entram os ataques do 11 de Setembro em Nova Iorque, de acordo com a novela morreu lá UMA pessoa, cuja mala perdida é muito importante para o enredo, e que mais tarde vai reaparecer. Enfim, são coisas da vida, não são? Gostava de poder dizer mais sobre este assunto tão pertinente. A verdade é que não há nada para dizer. Pulp Fiction, alguém? Enfim, vamos mas é falar da minha Maria Laurinda.
Que coisa é essa, Maria Laurinda? - perguntam agora vocês. - É um secador de cabelo? Isso come-se? E eu digo: Não, é uma pessoa. E ao mesmo tempo também não é um secador de cabelo. Se bem que a parte do comer tem bastante sentido. A Maria Laurinda, ou Laura, como prefere que lhe tratem os seus amigos do country club, é uma mazona. Menina rica mimada, poderão pensar ao princípio... mas nem por isso: a família dela é pobrezinha e por isso Maria Laurinda faz-se passar por rainha da Sabóia, de forma a não se identificar com a gentinha. Claro que isto tudo faz sofrer o seu clã, sempre com a lágrima ao canto do olho: afinal de contas isto é uma coisa à portuguesa.
A verdade é que a Maria Laurinda manipula as pessoas. A Maria Laurinda é cínica. A Maria Laurinda não olha a meios para atingir os fins. A Maria Laurinda é terrível. E os diálogos dela também. Melhor, todos os diálogos de Tempo de Viver são terríveis, daí meterem muito medo e eu gostar tanto da Maria Laurinda.
Atenção: o trabalho da actriz Margarida Vila-Nova, que interpreta o papel desta personagem, não está aqui posto em causa. O cruzar e descruzar de pernas numa cena pseudo sensual encabeçada pela Benedita Pereira é que talvez possam estar. Pelo menos um bocadinho. É que há um filme, pouco conhecido talvez, chamado Instinto Fatal. Estão a ver qual é? É aquele com aquela actriz americana também pouco conhecida, a Sharon Stone, sabem? É que há lá uma cena que é algo parecida. Mas os americanos também imitam tudo. Até vão ao futuro para imitar melhor, vejam lá bem.
Numa nota final sobre o enredo, vi uma cena em que um senhor bem posto na vida se agarrou ao jardineiro (como já expressei antes, é um tema da moda) e depois à Maria Laurinda, no fim de fugir à mulher. Perceberam alguma coisa? Eu também não. Isso, mais do que a mala perdida nas Twin Towers, é outro grande mistério.
Enfim, quanto mais episódios vejo, mais me apercebo de que a guerra entre estações televisivas afinal não é só de audiências: também roda à volta de ideologias. A Floribella diz que é rica em sonhos e pobre em ouro, mas não importa. Já a Maria Laurinda prefere morrer do que ter de trabalhar num supermercado. Estou cerebralmente exausto de tentar seguir estes dois marcos intelectuais antagónicos. Afinal o que é que é bom? Marx, neste momento , deve estar a dar voltas no túmulo. E a pensar que "coisa dji póbri" é esta, também.
7 comentários:
Correcção: a super hiper mega boa telenovela que falas podia ser a "Dei-te quase tudo" mas é a "Tempo de viver"... enfim.. tão originais que é impossivel não as confundir, não é?
Desculpa lá qualquer coisinha.
besitos * * * * * * k
Toda a razão te dou eu. O erro já está emendado, não fossem as pessoas confundir esta história com a dos irmãos que não são irmãos mas ela está grávida e agora não se sabe quem é o pai.
Obrigado e volta sempre!
Adorei esta análise!!
Epah! lindo.. antes de mais nada devo so dizer que no deite quase tudo a rapariga gravida (alias sgdo o qe sei ja teve o filho) nao e irma do suposto irmao,mas sim irma do homem com qem vai, ou ja casou. mas tb n interessa, pq o tema aqui é o tempo de viver nao é assim? eu so digo uma coisa, eu Adoro a Maria Laurinda/Laura. (pronto adoro o papel da senhora actriz) e podes dizer mt mal, mas se fores a ver bem, retrata mt bem a sociedade em qe vivemos hoje em dia. mentiras, falsidades, hipocrisia, cinismo, gayzisses, ou neste caso seria melhor dizer Bizisses? So faltava as lesbiquices mas sabe-se la nao é.. tambem devo acrescentar que nao referiste um factor importante: Esta novela tem a boa ou má particularidade de falar no swing. Sim, ha um casal que muito estranhamente sai todas as sextas feiras e nunca dizem onde vao.. mas segundo o que sei (talvez das revistas Maria, deveras pedagogicas.. (nao, eu n as leio, disseram.me) ) saem para.. digamos practicar o dito swing. LOL a modos que é uma novela muito estranha, ou entao nao. Este comentario ta enorme (sim porque qd se trata de novelas ca estou eu..) portanto ach que me vou calar. Tenho dito.
ah e vdd, vai ai ao meu blog e ve as coisinhas novas.. e ja agora podias fazer o obséquio (é assim qe se escreve?) de votar :P
Viva a Maria Laurinda!! looool
Maria Laurinda in da House!
Desculpem lá , mas para além do Ninguém como Tu , o Tempo de Viver é a melhor novela da tvi. Já q a TVI só passa pimbalhada, basta pensar nos 3 anos de Anjo Selvagem (ou 6, pq está em repetição) e nas "relações familiares" do Dei-te Quase Tudo". Isto td pra dizer q quando ouvimos falar em novelas pensamos logo numa coisa má e de entretenimento básico e fraco. Habituámo-nos a pensar assim...mas a excepção confirma a regra.
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