segunda-feira, agosto 29, 2005

SU DOKUltura

O mundo está oficialmente louco.
Estamos só à espera que a Manuela Moura Guedes faça o seu veredicto, e pronto, estamos todos burocraticamente aptos para entrar no Júlio de Matos. Sem pré-requisitos nem 95 pontos nas específicas.

De facto, a sociedade ocidental ensandeceu completamente rendida ao jogo que os japoneses já utilizavam para fazer coisas tão variadas como brincar, passar o tempo, competir, aprender, contar, ler O Prenúncio das Águas de Rosa Lobato Faria, pintar as unhas e fazerem-se às miúdas. Falo do jogo que que pôs toda a gente a duvidar da sua capacidade de conhecer os números até ao nove, o Su Doku.

O Su Doku é um jogo que remonta ao século XVII, quando um tipo armado em esperto se lembrou de inventar uma coisa do género, baseada no posicionamento de soldados de diferentes infantarias. Como é óbvio, isto soa incrivelmente a sexualidade retraída, já que para um homem que imagina uma coisa destas, ele não devia ter acesso fácil a mulheres nem a ovelhas.
Nos anos 70 saiu num jornal nos Estados Unidos um conjunto de exercícios parecidos, mas como aí as pessoas provavelmente já tinham acesso fácil a mulheres e a ovelhas, não esquecendo os frascos de pickles, também não pegou muito.

Agora no Japão as coisas deviam ser diferentes. Com todas aquelas regras e disciplina, mulheres, ovelhas e frascos de pickles já estavam a uma distância considerável. E isso com certeza favoreceu a proliferação do Su Doku, que na língua do país do sol nascente significa qualquer coisa como "único número" ou "única contagem". E já agora, gostava também de informar metade deste país que Su Doku não tem muito a ver com Son Goku, já que este último era um super-guerreiro do espaço e o primeiro um super-guerreiro da última página do jornal O Público. E aquilo hoje em dia ganhou bastante terreno. Tanto que até eu sou mais uma vítima desse vício terrível.

Sim, eu e o Su Doku temos uma relação entre os ambos tal como o Jim Morrisson tinha com as drogas. Ácidos, haxe, coca, vão-se embora, que isto é muito mais viciante.

O que eu tenho vindo a pensar é numa série de ideias que possam diversificar este incrível passatempo. Um bom exemplo seria a de pôr grelhas de Su Doku no papel higiénico, mas daquelas fáceis, porque também não se pode gastar assim tanto tempo a dar cabo da mioleira. No fim, era só usar para o seu fim óbvio e deitar pela sanita fora.
Pensem bem nisto, porque até tem a sua parte poética. Estarmos mais de meia hora feitos parvos a colocar números para no fim os limparmos de forma veemente ao rabiosque e puxarmos o autoclismo é juntar duas formas de trabalho: o primeiro é trabalho de pensar e o segundo é trabalho de obrar.

O que é ainda de referir é a quantidade de diferentes Su Dokus que agora existem. Vamos a exemplos, uns mais prováveis que outros:

Su Doku Clássico
Su Doku Colorido
Su Doku Mini
Su Doku Mais
Su Doku Menos
Su Doku Mais ou Menos
Su Doku Assim Para O Coiso
Su Doku Sopa da Pedra
Su Doku Samurai
Su Doku Ninja
Su Doku Star Wars
Su Doku Sousa Gomes
Su Doku Expert
Su Doku Fácil
Su Doku Intermédio
Su Doku Entrecosto
Su Doku Big Mac (©)

Agora, ideias ilustradas! E não, eu não recebi isto por e-mail, fui eu que fiz. Aliás, nota-se pela qualidade. Eu nasci para o webdesign.

Su Doku para Loiras (Em qualquer espaço pseudo-humorístico, tem que haver sempre este velho cliché):


Su Doku para Revoltados Contra A Sociedade:


Su Doku para Obcessivos:


Sudoku para Pré-universitários (Obcessivos)


Su Doku para Cromos Da Bola:


Su Doku para Quem Quer Subir De Escalão Social À Força Toda:


Su Doku para Quem Tem A Mania Que Tem Que Ser Diferente:


Su Doku para Filosóficos:


Já têm as ideias, não têm? Agora é só pô-las em prática. Pelo menos devem ser mais interessantes do que, vamos lá ver, observar bichos-da-seda a comerem folhas de amoreira.


D'virtem-se!

quarta-feira, agosto 24, 2005

É o quê pá?

Ouvi dizer que José Cid sempre se considerou a mãe do rock português. Absorvam o significado disto. Isto deve ser daquelas coisas que toda a população devia estar informada.

Eu até acho esta afirmação extremamente profunda e curiosa, já que toda a gente também sabe que Homero foi a mãe da epopeia, o Bin Laden é a tia do terrorismo internacional e que dentro em breve Britney Spears vai ser pai de uma saudável criança.

terça-feira, agosto 16, 2005

Intelectualidade II

Estou no centro de recursos de Peniche.
Estou também rodeado de miúdos com brincos à Cristiano Ronaldo.

De repente, entra uma senhora que diz: "Bom dia."
Eis que oiço do fundo da sala : "Mordia?!"


Isto foi um poema tornado realidade.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Surf's up

Os meus agradáveis tempos passados na praia a olhar bifas com seus olhos lânguidos e desejosos pelo meu toque sensual estão-me a dar a conhecer inúmeras reflexões vindas do fundo de mim mesmo. Começo sinceramente a pensar que o povo português conhece a moda. Aliás, o povo português é perito numa moda : a moda de só haver UMA única moda.
Como? Passo a explicar, tomando como referência três anos anteriores ao corrente. Perdão pelos possíveis anacronismos, mas estou mais para pensar em miúdas do que andar aí a lembrar-me de datas.


2000 - A moda dos telemóveis
Toda a gente tinha que ter um telemóvel. Quanto mais avançado melhor. Ao longo do tempo as coisas foram arrefecendo, e hoje em dia comprar um bem high-tech começa a roçar o etnografídico. Mesmo assim, a posse deste objecto é indispensável para se engatar e para ser ser assaltado na linha de Sintra.

Conclusão: está in falar ao telemóvel mas está out andar com muitas luzinhas no bolso.


2002 - A moda da Palestina (e salvem Timor!)
Tudo de lencinho ao xadrez, lembram-se? Hoje em dia quem o ainda usa é da Juventude Comunista Portuguesa ou então é bombista suicida.
As vigílias para a independência de Timor-Leste também ficaram muito em voga. Digo isto porque mal os tipos ficaram livres foram esquecidos.


Conclusão: está in lutar pela independência de quem sofre mas está out gostar de países do terceiro mundo.


2004 - A moda do patriotismo
O povo todo numa euforia do Euro resolveu aderir à colocação da nossa bandeira em todos os locais, algumas com uma certa influência oriental. Exaltar a pátria nunca fez mal a ninguém, menos aos americanos mas esses são as personagens do costume. O pior foi o súbito desaparecimento de tudo o que era orgulho nacional.

Conclusão: está in gostar de Portugal mas está out gostar de Portugal.


E agora em 2005, presenciamos algo avassalador: a revolta da criançada.
Enquanto há uns tempos era fashion ler a Playboy, agora é fashion ver os Morangos com Açúcar. Enquanto o auge do sexy era uma mulher de 30 anos, agora o auge do sexy é uma mulher de 12.
E enquanto o raggae, o surf e o bodyboard eram para quem verdadeiramente gostava e entendia o espírto, agora é para o povo todo, só para a figura. Será que vamos testemunhar, à semelhança do chamado desporto-rei, o aparecimento de cromos do surf?


Enganam-se aqueles que pensam que eu defendo um gosto pessoal, é verdade que aprecio esse tipo de desporto e também a música, mas como mero leigo, apenas e só. Porque quando se gosta verdadeiramente de uma coisa, tem que se perceber o que ela significa. E hoje em dia, mostrar uma prancha ou uns pés de pato tem tanto simbolismo como mostrar o relógio novo que se comprou que é tão giro e depois de amanhã compro outro que vai ser melhor.
Enquanto nação somos peritos nisso. É só mostrar, mas entender, está quietinho.


Conclusão: Sou um bocado crítico, não sou? Pelo menos percebo isso, e mais não digo.

terça-feira, agosto 09, 2005

Quanto é que você vale?

Para mim, os tipos que inventaram as médias escolares deviam arder numa fogueira. Ou isso ou eram obrigados a ver um programa do social. Entre um auto de fé e ver tias a comer croquetes como se não houvesse amanhã, venha o Diabo e escolha. Salvo seja, claro está.

O que não consigo entender é como é que as pessoas podem ser comparadas por um numerozinho com tanta facilidade. Faz-me confusão, é só percentagens, e tem tudo medo de se esclarecer. Querem coisa mais sem graça?
Eu cá até acho que roça o gay. Porquê? Simples: achar piada a um valor de zero a vinte já não é muito másculo em si, agora tu só vais para ali e para acolá com mais de xis, é francamente abichanado, não concordam?

Já imaginaram se este sistema escolar se aplicasse às coisinhas mais comezinhas do dia a dia?
Adoro a palavra comezinho. Faz lembrar almoço.

-Olhe queria uma mine e um pires de tremoços, se faz favor.
-Ai agora é assim, quero e dão-me? Ó amigo, quanto é que teve a Introdução aos Estudos Teologais para a Consciencialização da Ingestão de Imperiais e Tremoços?
-É o quê pá?
-É pá se não concluiu essa cadeira, 'tá feito. Qual foi a sua média do secundário?
-Hã?
-Pois, multiplica-a por 45%, adiciona 32% da nota da específica, mais 16% pelo comportamento, 9% pelos trabalhos de grupo e desconta 2% para o IRS. Se for superior ou igual a 12,3... olhe, tente a taberna rasca mais próxima.

Se é que ainda há coisa estúpidas com mais graça neste planeta, há coisas estúpidas com menos graça que sobram. Até pensar que uma nota faz uma pessoa melhor do que a outra, com mais carisma ou assim. Se calhar o Tino de Rans teve melhor média do que o Fernando Pessoa. É comparar o sucesso dum e do outro em Portugal...

Mas as médias não são só um sinal de popularidade hoje em dia. Elas são um autêntico marco de autoridade.

Jéssica Tatiana, vai arrumar o teu quarto.
-Não vou nada. A minha média é superior à tua, por isso arruma-so tu!
-Mas isso não vale, tu não fizeste específicas!
-Mesmo assim não vou.
-Olha que eu pego no chinelo, Jéssica Tatiana.
-Pegas pegas. Com essa nota a Biologia, vê lá se me tocas.

O mundo está condenado.

Sim, já perceberam que este meu post é um bocadinho menos uma aleatória dissertação disparatada e um bocadinho mais uma traumatizada dissertação disparatada. É que eu candidatei-me ao ensino superior há uns dias e nunca pensei que o processo fosse tão doloroso. Mais doloroso, quiçá, do que ver o Preço Certo em Euros com uma enxaqueca de se rebentaram as têmporas, e ter na mão um exemplar de sado-masoquismo para principiantes.
É que eu ainda não percebi muito bem o que fiz, só sei que mexi em papéis, escrevi o meu nome algures e pintei umas bolihas com números lá dentro.

Esperem...
Mexer em papéis?
Escrever o nome algures?
Pintar bolinhas com números lá dentro?

Não, eu acho que não me candidatei ao ensino pré-primário. Foi ao superior, não foi?

Este mundo está cada vez mais louco. Ou sou eu que estou cada vez mais são. Ou então nem por isso, anda tudo trocado.

terça-feira, agosto 02, 2005

Momento da citação subjectiva



William Shakespeare - A Midsummer Night's Dream - Act 3, Scene 1



Sim, é do anúncio das Levi's. Meu Deus, eu sou tão consumista.