terça-feira, fevereiro 28, 2006

É o quê pá? V

É só impressão minha ou o Carnaval da Mealhada não é o Carnaval mais brasileiro de Portugal mais sim o Carnaval com mais dançarinas de porte amplo e com mais seios arrepiados de Portugal?
E ainda quiseram seis escolas de samba. Com o bom tempo que se fez sentir em pleno Inverno, provavelmente rentabilizariam mais a coisa se tivessem pago ao Pai Natal para vir dançar o "Mamãe eu quero".

sábado, fevereiro 11, 2006

O macaco avariado

Se há alturas em que eu tenho vergonha por pertencer à espécie humana, há com certeza outras em que eu me sinto absolutamente orgulhoso de ser catalogado como Homo sapiens sapiens. Tirando a parte do Homo claro, a ambiguidade da linguagem é uma coisa extraordinariamente irritante.
A verdade é que a nossa superioridade é notável, até porque toda a gente diz que os seres mais evoluídos de todos são os humanos. Isto no fundo é em si já um bocado para o egoísta. com certza que as baleias de bossa, por exemplo, dizem que são elas as que merecem ser donas do planeta, o que é perfeitamente ridículo, visto que nenhum animal com bossa no nome merece seja o que for.

De qualquer das formas, os últimos acontecimentos vividos à custa de umas certas caricaturas nuns determinados jornais dinamarqueses fizeram-me mesmo mudar de opinião em relação ao funcionamento da Natureza. E eu estou feliz por ver que afinal a minha espécie está muito mais próxima das outras do que eu pensava.

Quero então deixar aqui a pergunta: após milhares de milhões de anos de evolução, quais são os únicos seres vivos que se querem provocar e exterminar uns aos outros à conta de bonecada? Pondo de parte os fãs de O Meu Odioso e Inacreditável Noivo só restamos nós, as pessoas. E é essa extraordinária capacidade que nos distingue da parafernália dos animais ditos irracionais. Ditos, claro, não sei bem é por quem.

É que já pensaram nas dimensões que esta coisa dos cartunes está a tomar? Francamente tudo isto me assustou, principalmente a parte de descobrir que afinal na língua portuguesa se escreve cartune e não cartoon. Já estão como os blogues e os blogs.
Mesmo assim, será possível enfurecer assim tanto alguém por causa de um desenho ou de uma descrição a puxar para o parvo? A mim há coisas que me tiram muito mais do sério. Palhaços, por exemplo. A generalidade das gentes acha imensa piada àqueles traquinas que se fazem de estúpidos. Eu nunca me rio com palhaços. Os palhaços enervam-me já desde criancinha. Todavia, eu não acho que seja razão para eu querer matá-los, até porque nem conheço pessoalmente o sr. George W. Bush.

Cá para mim há aqui uma certa mensagem subjacente à destruição de embaixadas por parte de fanáticos e à contínua provocação dos media. É sem dúvida uma coisa bem arquitectada, senão vejamos: com o passar do tempo, temos andado a ficar cada vez mais civilizados; mais vestidinhos, a viver mais tempo, a fazer sexo mais imaginativo. Tudo isto é puxar um bocado o limite: é que acima de tudo somos animais. Faz-nos falta grunhir, faz-nos falta fazer cocó onde bem nos apetecer, faz-nos falta andar por aí a dar pancada a quem não gostamos. Sobretudo faz-nos falta não dizer mais vezes a palavra cocó. Por isso há pessoas que se preocupam com isso. Eu acho muito bem que os jornais continuem a chatear os religiosos e que os fanáticos continuem a querer destruir os símbolos dos países que indirectamente os ofenderam. Assim é como se fosse sempre um lembrete para as nossas origens. E não é a primeira vez, o mesmo já aconteceu com a invenção da pólvora, da energia nuclear e claro, da pornografia.

Na minha humilde opinião, o próximo passo para o nosso desenvolvimento é definitivamente misturarmo-nos outra vez com a bicharada. Não duvidem muito disso. Com este ritmo, mais cedo ou mais tarde chegaremos ao nosso derradeiro objectivo. E aí o Homem vai provavelmente etender que não passa de um macaco avariado, que por acaso sabe resolver puzzles por vontade própria.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

I think I Broke my Back Mountain

Parece que o grande nomeado para os Óscares deste ano é o filme realizado por Ang Lee, O segredo de Brokeback Mountain. Traduzindo em língua corrente, o filme dos cowboys gay. Como seria de esperar, a comunidade norte-americana está chocada, nomedamente aquela que acha que George W. Bush tem na verdade uns discursos realmente profundos. Essa malta então deve andar derreada.

Devo confessar que não vi o filme, principalmente porque já estou farto de westerns, mas mesmo assim não posso deixar de o comentar. É que as críticas dizem que é estúpido por parte das pesoas dizerem mal de O segredo de Brokeback Mountain sem sequer se terem dirigido uma sala de cinema para o verem. Como eu sou estúpido, posso escrever sobre o que muito bem entender. E esta é de certeza uma oportunidade que não vou deixar passar.

Por um lado, esta mostra da realidade americana pode-nos deixar muito mais esclarecidos. Pelo menos toda a gente entende agora porque é que nas histórias os índios fugiam sempre dos cowboys cada vez que os viam. Chamem-lhes um figo.
Por outro, não me surprende mesmo nada se isto dos relatos de relações homossexuais começar a pegar. Qualquer dia ainda até teremos finais gay nas telenovelas....

Ah esperem...

Já temos?

Hum... pelos vistos isto foi mais rápido do que eu pensava. De qualquer das formas, aqui ficam mais algumas ideias para guiões de futuros ganhadores dos prémios da Academia. Senhores realizadores, e que tal para um próximo trabalho vosso adaptarem romances que falem de:

-Uma história de amor sobre dois militares gay em missão no Iraque;
-Uma história de amor sobre duas empregadas de Mc Donald's lésbicas;
-Uma história de amor sobre dois guardas florestais gay;
-Uma história de amor sobre duas educadoras de infância lésbicas;
-Uma história de amor sobre dois dinossauros gay;
-Uma história de terror... mas o vilão é gay;
-Uma história de amor sobre dois oficiais das finanças gay;
-Uma história de amor sobre um gay e uma lésbica;
-Uma história de amor sobre um casal heterossexual, mas em jeito de revista à portuguesa (e portanto...) .

Por muito recorrentes que possam parecer, assim sim, terão enredos prestigiantes.