quarta-feira, setembro 21, 2005

É o quê pá? III

Os nossos militares andam profundamente revoltados com o Presidente da República por não permitir que estes façam greve e mais, por promulgar várias medidas que não estão nada a favor dos responsáveis pela defesa nacional.

Na mesma semana, a TVI lança mais um reality show com "figuras públicas portuguesas", desta vez a brincarem à tropa.

A pergunta que deixo no ar é pura e simplesmente esta:

Não querem bater mais no ceguinho?

terça-feira, setembro 13, 2005

Expressão Escrita

Imagina como foi a vida da fadazinha do país do Sol

Uma vez, num certo país chamado País das Neves, havia uma fada que era um pouco tonta porque em vez de facetar os cristais de gelo que a rainha das fadas lhe mandava facetar preferia ir patinar nos lagos gelados com os seus patins de prata até que um dia deixou derreter os cristais com um pálido raio de Sol.
Zangada, a fada-rainha expulsou a pobre fada do País das Neves.
Então, a fadazinha partiu levando consigo os seus véus, os patins de prata e a varinha de condão.
Passou por picos nevados, florestas brancas até que chegou a um país que já não devia ser o País das Neves pois só havia verduras.
Então, ela foi-se apresentar à fada Rainha daquele país e contou-lhe a sua triste história.
-Está bem, podes ficar. - disse a fada Rainha. - Mas terás por companhia a fadazinha Rosa. Ela ensinar-te-á tudo o que aqui há.
-Concordo em absoluto, Sua Majestade!
Então, a fadazinha Rosa conseguiu habituá-la na sua vida no País do Sol.
Como a fadazinha se habituou depressa conseguiu ganhar as eleições à rainha do País do Sol.
Então, a antiga rainha disse-lhe:
-Parabéns fadazi... rainha fada. Tu mereces porque te esforçaste!
Então, a nova fada Rainha viveu o resto da sua vida feliz a comandar o País do Sol.

David Trincão, 5 de Março de 1997 (8 anos)


Isso mesmo. A criança doentia que escreveu isto foi nada mais nada menos do que eu mesmo, tirando a parte da criança, claro está. A imaginação dos mais novos, particulamente a minha, é perturbante. Bem, por onde devo começar?
Estilisticamente este texto é incomparável, nomeadamente na anaforização da palavra então e na insistência do uso de facetar, que é um verbo que não se ouve todos os dias. Como vi a melhor oportunidade para o poder utilizar, fiz questão de o fazer duas vezes seguidas, que era para deixar a coisa bem sublinhada.
Depois há um certo mistério latente em como o pálido raio de sol chegou ali e derreteu os cristais sem mais nem menos. Mas como eu tinha 8 anos, muito provavelmente achei que era melhor cortar no suspense para não estragar a progressão da narrativa.

Gostaria contudo de dar especial destaque à felicidade da fadazinha aquando na cadeira do poder e para a minha fantástica noção do sistema político vigente numa monarquia:
Como a fadazinha se habituou depressa conseguiu ganhar as eleições à rainha do País do Sol.
Cá está. Dez anos depois vejam só no que deu.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Intelectualidade IV

Hoje fui ver um filme, era ele o House of Wax. Devo dizer que a prestação da Paris Hilton é no mínimo invulgar, já que surpreende o facto de esta vez ela estar mais vestida do que nas suas outras actuações. Digamos que a sua componente humana nesta obra é um bocado mais artística e um bocado menos física.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Só cascalho

Eu costumo saber muitas coisas, sendo a maior parte delas mais opinada do que propriamente aprendida. O problema é que estava completamente sem tópicos nenhuns, pelo menos até às quatro da tarde do dia de hoje.

O que aconteceu, meus intrépidos e escassos leitores, é que em cerca de 20 rápidos segundos a minha mente, que até então se encontrava na mais solitária escuridão, iluminou-se, e mais, ofuscou-me a mim mesmo. Eu fiquei de tal maneira encandeado que parecia que tinha visto uma explosão. E isto porque vi, já que presenciei o impresenciável: as torres de Tróia a irem à vida.

O 11 de Setembro não cessou o gosto de se ver destruição, nem pouco mais ou menos. Portugal queria mais, estilo reality show.
Se não pudesse ser com sangue, então seria com explosões.
Se não pudesse ser com terroristas, então seria com um representante do governo português.

E nisto eu encontro três razões mais uma (bónus) para achar que isto foi extremamente peculiar, que é uma palavra que a gente desta terra inventou para não se dizer foleiro. Em Portugal este tipo de eventos costumam chamar-se peculiares.

Primeira razão: houve aquela redoma toda de marketing à volta do acontecimento, a que imploro a alguém que me esclareça o facto de ser assim tão importante mandar dois mamarachos abaixo. Chamem-me inculto, porque não sei que aquilo foi um grande investimento no tempo da Maria Cachucha que não resultou, e coitadinha, tanta gente investiu...
Só posso responder :
-Pff! Eu fiz um investimento de 12 anos no ensino público e saí de lá mais parvo do que quando entrei. Alguém me quer aniquilar e filmar o acontecimento?

Segunda razão: aquilo é uma demolição. Uma demolição é costume ser apenas a desconstrução súbita de edifícios velhos. Então porque é que têm que haver lugares VIP? Bem, aquilo deve ser mesmo muito giro. Eu imagino os presentes:

"-Wow."
"-Sim senhoras..."
"-Olha, viste aquele bocadinho de cimento?"
"-É pá, isto sim, é entertainment."

Cá para mim os terroristas bem podiam contactar os media portugueses para avisar quando planeam dar cabo do coiro de alguém, preferencialmente dentro de um edifício, ainda mais preferencialmente se se puserem com explosivos pelo meio. É só telefonar a uma empresa de catering, tendo cuidado para seleccionar os melhores croquetes e que as gambas não estejam muito estragadas.

Terceira razão: os portugueses devem ser muito chiques. Alguém reparou que todas as comunicações estavam a ser feitas antes e após a destruição, não na língua de Camões, mas... EM INGLÊS? O tempo todo. Antes da implosão tinha-se qualquer coisa como:

"Everything's ready? All righ'!"
"Five, four three, two, one..."
KABOOM!

E de seguida ouviram-se mais umas falas, desta vez por puras almas lusas e às quais eu não apelidarei de grotescas, apelidarei apenas de agressivamente pós-modernistas:

"-ÉXCELENT!"
"-VÉRI GÚDE! VÉRI GÚDE!"
"-CÔNGRÁTCHULÂCIÓNES!"

Não só os técnicos eram ingleses, mas os próprios portugueses, talvez perplexados com todo aquele tumulto, desataram a falar estrangeiro. E não se calaram. Não me surprenderia nada se depois do dito espectáculo, já no indespropositado buffet ainda se ouvisse:

"-Oh, my God, I need a piss, and quick!"
"-These rissoles are very good."
"-I liked the explosion. Now I have to go home to smell my Maria's codfish."
"-It's a mini and a saucer of tremoços, please."

São estes pequenos momentos que não têm preço. Chamem-me o António Damásio para analisar esta gente, que pelos vistos assistir a explosões activa partes cerebrais relativas à linguagem que ninguém sabia.

E agora a Razão Bónus! :
Ok, estavam muitas câmaras a filmar o local em diversos ângulos: umas à frente, outras atrás, outras de lado. Mas todas de fora. O que me chamou a atenção foi o facto de terem colocado uma câmara DENTRO de um dos prédios para filmar 1 segundo de derrocada. Visto ter sido tão breve vou analisá-la frame por frame:

Frame 1 : Prédio intacto.
Frame 2 : Vê-se uma luz forte.
Frame 3 : Escuridão.

Fantástico. Cá está um bom uso para uma câmara. Prédio, luz, escuridão, câmara destruída.

De qualquer das formas fiquem atentos, porque a próxima implosão que houver vai-vos gastar a mioleira. A menos que sejam como eu, e se dediquem a coisas mais interessantes como a escrita desiquilibrada em blogues despropositados.

segunda-feira, setembro 05, 2005

É o quê pá? II

Após os trágicos "incidentes" vividos no sul dos Estados Unidos, no rescaldo da passagem do furacão Katrina, anda por aí muito boa gente a acusar o seu peculiar presidente de racismo.

Eu discordo. De facto, penso que George W. Bush considera que todos os homens nascem iguais em deveres e direitos, menos os criminosos, que por acaso são todos pretos.

domingo, setembro 04, 2005

Intelectualidade III

"Filho, eu não trabalho em serviço."
by rapariga da minha turma do 9º ano.


Nunca ninguém esteve tão perto da palavra honestidade.

Já da palavra urinol, mais ou menos.