quarta-feira, abril 27, 2005

É o fim das monarquias!

Como não podia deixar de ser, após mais umas celebrações do lendário 25 de Abril, tinha que aparecer mais uma igualmente lendária teoria.
Afinal é para isso mesmo que os blogues existem: é para escrever, dar ar de pseudo-intelectualóide quando na rua se disser: "Eu tenho um blogue", e para assar farinheiras. Sim, é verdade.
Se se sentirem curiosos de como é possível assar farinheiras utilizando nada mais que um blogue e um ecran de computador, mandem-me e-mail. Se souberem mesmo como, mandem-me e-mail na mesma porque eu adoraria descobrir.

Apesar de tudo isto, já alguma vez imaginaram se o 25 de Abril nunca tivesse existido? Vá, pensem bem.
No outro dia estavam umas pessoas na televisão a dizer que o 25 de Abril foi o fim das monarquias, e outras a dizer que foi a independência de Portugal. O que eu proponho é analisar esta situação:

Ora bem, pela lógica, se nunca tivesse acontecido a tão afamada revolução dos cravos, cada vez que nos tivéssemos de dirigir a um superior hierárquico, teríamos que o tratar por vós. Pior, andávamos todos por aí a falar espanhol. Ou marroquino.

Isso sim, seria mau, porque nunca terámos acesso àquela palavra que é tão só nossa, que representa na perfeição o estado de espírito lusitano, e as nossas esperanças num futuro melhor. Estão a ver qual é,não estão? É claro que sim. É a tal. A bela palavra desenrascar.

E se o 25 de Abril nunca tivesse sido, nunca teríamos feriado nesse dia. E estragar um potencial fim-de-semana prolongado é algo chato. Ninguém gosta de ficar sem uma pontezita.

Bom, mas agora gostava de fazer o meu relato pessoal, não da revolução em si, porque nasci uns bons 17 anos depois, mas do meu conhecimento acerca dos factos.
A minha primeira descoberta em relação ao 25 de Abril de 1974 foi na 3ª classe, em que finalmente descobri que os foguetes que se lançavam não era propriamente porque o meu pai fazia anos, era porque alguma coisa se tinha passado nesse dia. Eu lembro-me da minha professora dizer que "Antes do 25 de Abril as pessoas não podiam falar", e disso me constrangir profundamente.
As pessoas antes do 25 de Abril para mim eram surdas mudas. Literalmente. Há coisas que as crianças de 8 anos não percebem completamente, mas pronto, não podiam falar, não podiam falar. Deviam ser estilo aqueles tipos irritantes que pintam a cara de branco e imitam as pessoas.
Outra bela memória da qual me recordo mais ou menos bem foi de a alegra tutora nos informar de que "Antes do 25 de Abril havia guerras", e de eu perguntar "Então e agora?", e um avassalador silêncio se instalar em toda a sala de aulas. A resposta mais concisa foi "Não faças barulho ou levas com a cana".
Digamos que as minhas primeiras experiências com os conceitos de 25 de Abril e de liberdade de expressão foram um bocadinho confusas.

Mas já alguma vez imaginaram o que seria de coisas tão importantes para a nossa identidade cultural, como reality shows, se não se pudesse fazer nem dizer por aí à tonta tudo o que se quisesse?
Onde é que ouviríamos coisas tão belas como "Bardajona!" ou "Ganda porca, andastes foi a meter os palitos ao teu marido!"? Porque estas coisas são poesia meus caros, estas coisas SÃO poesia. E não devem nunca ser ignoradas.
E porque é que dizem que a censura acabou se não se pode fazer sexo louco em público? Se fosse feito por miúdas giras, eu e mais grande parte da população masculina deste país agradecíamos. Se isto não acontece ainda temos censura. É a vida.

Bem, de qualquer das formas, na minha opinião ainda há muita coisa que se poderia modificar, na medida em que ainda andam por aí muitas coisas que podem comprometer a nossa liberdade pessoal. E se fosse por mim os palmiers recheados iam à vida. Mais nada.

sábado, abril 09, 2005

Filosofia útil

Para qualquer um de nós, a mais insignificante das coisas pode conter uma grande mensagem. Há quem ache que a Natureza pode transmitir grandes ensinamentos. No meu caso, apesar da Natureza ter uma boa parte da minha reflexão interior (ou nem por isso), penso que consigo sempre entender ali qualquer coisa no que toca a coisas como estendais de roupa voltados para a rua. Mas primeiro vamos reflectir:

Qual é o sentido disso?


É precisamente por não haver nexo nenhum em observar aleatoriamente estendais de roupa, que eu mesmo vou esclarecer mais esta disparatada tese. Afinal, acho que qualquer mortal se questiona, a dado ponto da sua vida, qual será a verdadeira essência de um par de cuecas de tamanho XXL viradas do avesso a ondular ao vento, qual bandeira nacionalista.
Primeiro, há que conhecer o modelo típico, voltado para a rua. Eis as características mais comuns:

1º - Um par de meias brancas. A meia branca é quase um símbolo nacional, senão mesmo um padrão de identidade. Qualquer estendal que se preze necessita de pelo menos uma meia. É um bem incontornável;
2º - As belas das cuecas "Extra Extra Large", de homem ou senhora. Se estiverem seguradas por uma mola amarela e outra azul ainda melhor. Dá mais cor;
3º - Um chachecol de um clube de futebol. Pode nem estar molhado. Pode até mesmo lá estar só para a figura, mas há que mostrar as preferências em tudo na vida;
4º- Um peluche, uma corrente de bicicleta, um bocado de mangueira, qualquer coisa assim. É curioso, mas encontramos sempre as coisas mais impensáveis pelas varandas das ruas fora;
5º- Um avental com letras a dizer : "GOSTO DE SEXO".

Este cinco componentes combinados produzem efeitos inigualáveis. E eu acho que aquilo é uma espécie de código Morse. Só que do estilo roupa interior.


Esta analogia foi algo infeliz, não foi? Estes são pensamentos um bocadinho para o infelizes. Mas eu tenho que os escrever. É a vida.
A minha teoria é, como já repararam, que nós podemos retirar as mais belas mensagens através dos estendais de roupa. Algumas roçam o poético, outras nem por isso. Já me atrevi a imaginar se se aplicasse todo o universo "estendalense" à linguagem do dia a dia. É curioso, o que seria das bases militares?

"- Alfa 1, Alfa 1, daqui Águia Prenha. Têm cueca cor-de-rosa para aterrar. Repito, Alfa 1, têm cueca cor-de-rosa para aterrar. Over"

E da política?

"- Boa noite. O excelentíssimo senhor primeiro ministro autorizou os planos meia rota e cinta apertada. Daquela loja que vende iogurtes e detergentes ao virar da esquina."

Hum, não me parece. Muito sinceramente, não me parece.
Quer-se dizer, no fundo, no fundo, isto não é uma crítica aos estendais de lado algum. Até porque os estendais de roupa personalizam sempre as casas por fora, e mostram o que está por dentro. A menos que se faça tuning de estendais, e aí a ideia torna-se assustadora, e entramos num campo de estética algo complicado. Começarmos a ver luzinhas de néon roxas a piscar no meio de soutiens é realmente perturbante.

De qualquer das formas, se na próxima vez que, ao andarem na rua, repararem nesta pièce de resistance da arte de pendurar roupa algo molhada, pensem no que podem significar umas ceroulas estendidas. Nunca se sabe até que ponto se pode retirar conselhos que possam ser úteis para o resto da vida. E para o resto do minuto também.
Isto sim é filosofia útil.

Ah pois!

Ontem, dia 8 de Abril, tive uma oportunidade única.
Não, não foi apalpar o rabo da Britney Spears. Foi quase tão bom quanto isso.
Acontece que fui ver o espectáculo ao vivo do Gato Fedorento. E adivinhem o quê.

O Quê?


Calma, primeiro, vou falar do espectáculo propriamente dito: estava muito bom mesmo. Quase tão bom como o rabo da Britney Spears (O que é que querem, agora que pensei nisso a ideia não me sai da cabeça! Bolas!). Devo dizer que a capacidade de improvisação daqueles tipos é inigualável, e que qualquer um dos seus sketches ao vivo é fantástico. E tinham umas bailarinas jeitosas, o que ajudava. Contando com a filha do produtor e tudo.

Quando o espectáculo acabou, fui à caça de autógrafos, e claro, aproveitei para zucrinar (que é uma palavra bem bonita) as cabeças deles, para visitarem o meu blog. Afinal, "eles são os meus fãs"!

Aqui ficam os depoimentos:






Ah, e tal!