domingo, março 13, 2005

30 por uma linha... vamos pensar...

Sempre me meteu muita confusão a frequência e a descontracção com que a maior parte das pessoas utiliza uma expressão que na minha opinião é no mínimo... duvidosa.
Mas que raio de força sobrenatural deve mover a população, nomeadamente a que fala português, a dizer...
Trinta por uma linha.
É que não se vê mesmo em mais lado nenhum. Só em Portugal.
Querem provas? Alguma vez ouviram falar de "thirty for one line", ou "trente par une ligne"? Não. Claro que não, ó pessoal. Não faz sentido, é estilo estarmos em casa sozinhos, mas fechar a porta da casa de banho para se ir mudar a água às azeitonas. Há coisas que não fazem sentido e esta expressão é definitivamente uma delas. Quanto mais não fosse num restaurante chinês, mas também tlinta pol uma linha não é coisa comum de se ouvir, penso eu.

Mesmo assim, eu, que fabricar teorias é a minha especialidade, atrevo-me (e meus leitores, isto é inédito) a explicar todo o processo e todo o conceito deste mundo que é o trinta por uma linha.

Primeiro... de onde vem? Qual a sua origem?
Não me venham historiadores nem estudiosos dizer mentiras: eu penso que das duas uma: ou surgiu em tempos pré-históricos, ou então emergiu com o aparecimento da música pimba.
Porquê? Qualquer uma das hipóteses é válida porque nas duas há a frase "Eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha". Só que numa é por questões de sobrevivência, e na outra é porque o Quim Barreiros parece estar estranhamente fixado nos seios de um mamífero. Isto é lógico. E coiso.

O segundo porquê poderá ser definitivamente a razão do número trinta.
Podia ser 567 por uma linha. Podia ser 45 por uma linha. Mas NÃO. O próprio 31 está reservado para quando acontece uma grande confusão. É 30 por uma linha, e não há mais hipótese. Será que eles burocratizaram a expressão no Registo Civil?
Vamos supor um diálogo:
Progenitora em pânico: "-Olha, o Joãzinho partiu a sala toda! Fez 30 por uma linha!"
Outra pessoa: "-3o por uma linha. Tens a certeza?
Progenitora em pânico: "-Tenho."
Outra pessoa: "-Não terá sido antes 23 por uma linha?"
Progenitora em pânico: "-Não, foi 30. Trinta por uma linha. É o que consta no artigo 16º de 05/2003. Se fosse 23 estaria de acordo com os dados do artigo 7º de 04/1997."
Outra pessoa: "-...Ok."

Ainda por cima trinta por uma linha soa algo a slogan para vender armas automáticas. "Kalashnikov, mata trinta por uma linha!"
Ou a deixa de filme pornográfico:
"Sarona, me faz trinta por uma linha, sua gostosona!"

De qualquer das maneiras, e em qualquer um dos casos, parece permanecer uma questão no ar, que vocês com certeza agora irão pensar:
"-Epá, este tipo é um génio. Dêem-lhe um Pulitzer. Ou o Nobel. Como é que ninguém se lembrou disso?"
E é a mais pura das verdades.
Imaginemos que o talhante lá do supermercado fez trinta por uma linha para amanhar o frango.

Ok, só que... trinta por uma linha... DE QUÊ?
Esperem...

O talhante toma drogas pesadas?
Esta visão é aterrradora. E a pergunta no mínimo inquietante.

Já agora, alguma vez imaginaram um próximo blockbuster americano com a celebrizada frase?
"-Oh Mary!"
"-Oh John!"
"-Oh Mary, I've done thirty for one line just to be with you!"
"-Oh John... you've done thirty for one line... of what?"
Wait...
Does John take heavy drugs?


Conclusão: Há que manter uma extrema precaução com o trinta por uma linha. Se não tivermos cuidado, garanto-vos, a maldita expressão irá dominar a nossa civilização. E tudo acabará suspeito de tomar drogas pesadas. Ou isso ou acusado de ver demasiados realitty shows.

Coidade, coidade!